A potência política do cuidado
cotidiano da militância feminista e a produção de novos modos de viver na cidade
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v11i3.64314Palavras-chave:
Feminismo, Violência de Gênero, Políticas do Cuidado, Direito à CidadeResumo
O artigo acompanha o cotidiano da Casa de Referência Mulheres Mirabal, uma Ocupação que acolhe mulheres em situação de violência, e teve como foco as relações entre as mulheres ocupantes, a Ocupação e a cidade. O objetivo do estudo é apontar possibilidades de agenciar militância e cuidado no contexto da luta feminista e antirracista em situações de violência de gênero. Também são problematizados alguns desafios enfrentados no cuidado sob a ética feminista e seus entrelaçamentos com os modos de vida na cidade. Trata-se de uma pesquisa-intervenção apoiada no método da cartografia, que se dá a partir de um olhar transdisciplinar e decolonial, compondo saberes da Psicologia Social e da Arquitetura e Urbanismo em suas interfaces com outros campos de conhecimento que concorrem para uma leitura da complexidade que o tema da Violência de Gênero evoca. Como resultado, três eixos de análise foram trabalhados: violência de gênero e o direito à cidade, produção de cuidado coletivo entre mulheres e modos de habitar contra-hegemônicos. Considera-se que, nas relações entre si e com a cidade, as mulheres da Casa Mirabal encontram formas de expandir e reinventar modos de existência, afirmando, nos gestos cotidianos, que cuidado e militância são ações inseparáveis.
Downloads
Referências
BERTH, Joice. Se a cidade fosse nossa: racismos, falocentrismos e opressões nas cidades. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2023.
DAVIS, Angela. Y. Women, race & class. Random House, 1981.
ÉNOIS Inteligência Jovem. Instituto Vladimir Herzog. Instituto Patrícia Galvão. #meninapodetudo: como o machismo e a violência contra a mulher afetam a vida das jovens das classes C, D e E? 2015. Disponível em: https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/dados-e-fontes/pesquisa/meninapodetudo-machismo-e-violencia-contra-a-mulher-enois-inteligencia-joveminstituto-vladimir-herzoginstituto-patricia-galvao-2015/. Acesso em: 18 fev. 2023.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2022. São Paulo: FBSP, 2022.
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024. São Paulo: FBSP, 2024.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
HANISCH, Carol. The Personal Is Political. Carol Hanisch, 2006. Disponível em: https://webhome.cs.uvic.ca/~mserra/AttachedFiles/PersonalPolitical.pdf
HARKOT, Marina Kohler. A bicicleta e as mulheres: mobilidade ativa, gênero e desigualdades socioterritoriais em São Paulo. 2018. Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, 2018. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16139/tde-17092018-153511/publico/MEmarinakohlerharkot_rev.pdf?utm_medium=website&utm_source=archdaily.com.br. Acesso em: 10 nov. 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Produto Interno Bruto – PIB, 2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/pib.php. Acesso em: 14 mar. 2024.
HOOKS, Bell. Irmãs do inhame: mulheres negras e autorecuperação. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2023.
KASTRUP, Virgínia. O funcionamento da atenção no trabalho do cartógrafo. Psicologia & sociedade, v. 19, p. 15-22, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/8rWQrJSBTg7w8zTV47svGTq/. Acesso em: 11 dez. 2023.
KERN, Leslie. Cidade feminista: a luta por espaço em mundo desenhado por homens. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2021.
MARX, Vanessa. A Covid-19 na cidade de Porto Alegre (Brasil) e a situação das mulheres na pandemia. In: GOMÀ, Ricard et al. El apoyo mutuo en tiempos de crisis: la solidaridad ciudadana durante la pandemia Covid-19. Cidade Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2022. Disponível em: https://www.torrossa.com/it/resources/an/5466604. Acesso em: 15 out. 2023.
MUSTAFA, Isis; TOMMASI, Livia de Mulheres e a Luta por Casa de Referência: A experiência do Movimento de Mulheres Olga Benario e o CRM Helenira Preta. ÎANDÉ: Ciências e Humanidades, v. 2, n. 1, p. 27-41, 2018. Disponível em: https://periodicos.ufabc.edu.br/index.php/iande/article/view/43. Acesso em: 17 abr. 2023.
OLIVEIRA, Guacira Cesar de; DORDEVIC, Jelena. Cuidado entre ativistas: tecendo redes para a resistência feminista. CFEMEA – Centro Feminista de Estudo e Assessoria: Brasília/DF, 2015.
OLIVEIRA, Anita Loureiro de. A espacialidade aberta e relacional do lar: a arte de conciliar maternidade, trabalho doméstico e remoto na pandemia da COVID-19. Revista Tamoios, v. 16, n. 1, 2020. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/tamoios/article/view/50448. Acesso em: 19 jan. 2024.
OLIVEIRA, Thaís Zimovski Garcia de et al. Memórias em movimento: Histórias da casa Tina Martins no combate à Violência de Gênero. Revista de Administração de Empresas, v. 61, n. 4, p. e2020-0072, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rae/a/75rdHrR5qYxRxLFKpXQpQKk/?lang=pt. Acesso em: 19 out. 2023.
PAULON, Simone Mainieri. Sobre mulheres, luzes e violências obscurantistas: POA e a Casa Mirabal. Sul 21, 2021. Disponível em:
https://sul21.com.br/opiniao/2021/09/sobre-mulheres-luzes-e-violencias-obscurantistas-poa-e-a-casa-mirabal-por-simone-mainieri-paulon/. Acesso em: 8 nov. 2023.
ROLNIK, Raquel. O que é cidade? São Paulo: Editora Brasiliense, 1988.
ROMAGNOLI, Roberta Carvalho. A cartografia e a relação pesquisa e vida. Psicologia & sociedade, v. 21, p. 166-173, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/zdCCTKbXYhjdVYL4VS8cXWh/?lang=pt&format=html. Acesso em: 16 jun. 2024.
VASCONCELOS, Nádia Machado de et al. Subnotificação de violência contra as mulheres: uma análise de duas fontes de dados. Ciência & Saúde Coletiva, v. 29, 2024. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2024.v29n10/e07732023/. Acesso em: 19 set. 2023.
WEINER, Günter. Inter-Relações Afro-Brasileiras na arquitetura. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2014.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Cadernos de Gênero e Diversidade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Política de Acesso e Direitos Autorais
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
A Revista Cadernos de Gênero e Diversidade é de acesso aberto, não cobra taxas de submissão ou publicação.
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
As publicações são licenciadas sob a licença Creative Commons Atribuição (CC BY), que permite compartilhamento e adaptação com atribuição de autoria.
Termo da declaração de acesso aberto
Cadernos de Gênero e Diversidade (CGD) é um periódico de Acesso Aberto, o que significa que todo o conteúdo está disponível gratuitamente, sem custo para usuária/o ou sua instituição. As usuárias e os usuários podem ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou vincular os textos completos dos artigos, ou usá-los para qualquer outra finalidade legal, sem solicitar permissão prévia da editora ou de autor/a/es, desde que respeitem a licença de uso do Creative Commons utilizada pelo periódico. Esta definição de acesso aberto está de acordo com a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (BOAI).







