“Tem que ser bagual, tem que pegar boi pelo pescoço”
Masculinidades interioranas e o dispositivo do armário em Santa Maria - RS
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v10i3.64274Palavras-chave:
masculinidades, homossexualidades, interior, aplicativos de relacionamentoResumo
Este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de mestrado que utilizou a etnografia digital para investigar o aplicativo Grindr, uma plataforma de geolocalização voltada para encontros sexuais entre homens. A pesquisa focou na vivência de quatro jovens universitários, com idades entre 24 e 27 anos, residentes em Santa Maria e oriundos de cidades menores ou zonas rurais do Rio Grande do Sul. A investigação evidenciou como esses jovens aprenderam sobre a masculinidade em seus contextos familiares, escolares e sociais em suas cidades de origem, e ainda, como tais vivências impactam seus usos em aplicativos de relacionamento. A pesquisa expôs semelhanças e diferenças nas trajetórias dos interlocutores, destacando a influência de sua origem no "interior" sobre suas compreensões de gênero e sexualidade, onde elementos da cultura campeira são centrais na construção do conceito de masculinidade no interior gaúcho. O termo bagual, que descreve um homem arisco e valente, exemplifica um ideal de masculinidade vinculado ao trabalho rural e à pecuária, predominante entre os participantes oriundos das zonas rurais. A pesquisa também analisou como esses jovens navegam entre diferentes contextos — sua cidade de origem, a cidade universitária e a plataforma do Grindr — e como utilizaram códigos de masculinidade de maneira estratégica no aplicativo para formar e gerenciar suas identidades sexuais e de gênero.
Downloads
Referências
ARAÚJO, Bruna Silva; RIBEIRO, Fernanda Maria Vieira. Cidades pequenas, pessoalidade e família na perspectiva do armário gay. Revista Homem, Espaço e Tempo, v. 15, n. 1, p. 83-96, jan./jul. 2020. ISSN 1982-3800.
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
CONNELL, Raewyn, W. Masculinidades. Universidade Nacional Autônoma do México: Cidade do México, 2003.
CONNELL, Raewyn, W. Política da Masculinidade. Educação e realidade: 20(2):185-206 jul./dez. 1995.
CONNELL, Raewyn. W.; MESSERSCHMIDT, James. W. Masculinidade hegemônica: repensando o conceito. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 21, n. 1, p. 424–443, 2013. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2013000100018.
CONNELL, Raewyn. W.; PEARSE, Rebecca. Gênero: uma perspectiva global. Tradução de M. Moschkovich. São Paulo: Nversos, 2015.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. São Paulo, Graal, 2010.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradução de Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2012.
HINE, Christine. Ethnography for the Internet: embedded, embodied and everyday. London: Bloomsbury, 2015.
HINE, Christine. Estratégias para etnografia da internet em estudos de mídia. In: CAMPANELLA, Bruno; BARROS, Camila (Eds.). Etnografia e consumo midiático: novas tendências e desafios metodológicos. Rio de Janeiro: E-papers, 2016. p. 15–34.
ILLOUZ, Eva. O amor nos tempos do capitalismo. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
ILLOUZ, Eva; KAPLAN, Danna. El capital sexual en la modernidad tardía. traducción Vicente Merlo Lillo. Barcelona: Herder editora, 2020.
KIMMEL, Michael S. A produção simultânea de masculinidades hegemônicas e
subalternas. Porto Alegre: Horizontes Antropológicos, ano 4, n. 9, p. 103-117, out. 1998.
LEAL, Ondina F. Os gaúchos: cultura e identidade masculina no Pampa. Tessituras, São Paulo, v. 7, n. 1, p. 33–46, 2019. DOI: https://doi.org/10.30800/tessituras.
LOPES, Moisés Alessandro de Souza. Algumas observações sobre as homossexualidades em "contextos interioranos": lançando questões de "fora dos centros". Amazônica: Revista de Antropologia, v. 8, n. 1, p. 24-37, 2016.
LOURO, Guacira L. O corpo educado: pedagogias da sexualidade. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
MISKOLCI, Richard. Desejos digitais: uma análise sociológica da busca por parceiros on-line. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.
MISKOLCI, Richard. O Armário Ampliado – Notas sobre sociabilidade homoerótica na era da internet. Niterói, v. 9, n. 2, p. 171-190, 1. sem. 2009.
PASSAMANI, G. R. “Na Batida da Concha”: um Olhar Antropológico sobre Homossexualidade Masculina no Interior do Rio Grande do Sul. Revista Sociais e Humanas, [S. l.], v. 19, n. 2, p. 121–134, 2010. Disponível em:
https://periodicos.ufsm.br/sociaisehumanas/article/view/1388. Acesso em: 01 fev. 2025.
PIECHA, R. “O serviço que não aparece”: A divisão sexual do trabalho e as formas de agenciamento de mulheres camponesas em Jaguari - RS. Santa Maria: Dissertação de mestrado, 2020. Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, 2020.
PRADO, Rosane M. Cidade pequena: paraíso e inferno da pessoalidade. Cadernos de Antropologia e Imagem, n. 4, p. 31-56, 1998.
ROSE, Nicolas. Administrando indivíduos empreendedores. In: ROSE, Nicolas. Inventando nossos selfs: Psicologia, poder e subjetividade. Petrópolis: Vozes, 2011.
SEDGWICK, Eve K. A epistemologia do armário. Cadernos Pagu, Campinas, n. 28, p. 19–54, 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2007000100002.
SOUZA, Lucas Henrique de. Homossexualidades e cidades pequenas: a experiência de homens gays em cidades pequenas. In: ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS, 44., 2021, Campinas. Anais Eletrônicos: Anpocs, 2021. Disponível em: https://www.anpocs2020.sinteseeventos.com.br/arquivo/downloadpublic?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozNToiYToxOntzOjEwOiJJRF9BUlFVSVZPIjtzOjQ6IjQ2OTIiO30iO3M6MToiaCI7czozMjoiNjlmM2IxY2JkMGUzYTlhNjFiMmVlNDk3MzIwYmU1YjIiO30%3D Acesso em 01 fev 2025.
WANDERLEY, Maria N. B. O mundo rural brasileiro: acesso a bens e serviços e integração campo-cidade. Estudos Sociais e Agrários, v. 17, n. 1, p. 60–85, 2009. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2009000100004.
WELZER-LANG, Daniel. A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 9, n. 2, p. 281–297, 2001. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2001000200005.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Cadernos de Gênero e Diversidade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Política de Acesso e Direitos Autorais
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
A Revista Cadernos de Gênero e Diversidade é de acesso aberto, não cobra taxas de submissão ou publicação.
As pessoas autoras mantêm os direitos autorais de suas obras, concedendo à revista o direito de primeira publicação.
As publicações são licenciadas sob a licença Creative Commons Atribuição (CC BY), que permite compartilhamento e adaptação com atribuição de autoria.
Termo da declaração de acesso aberto
Cadernos de Gênero e Diversidade (CGD) é um periódico de Acesso Aberto, o que significa que todo o conteúdo está disponível gratuitamente, sem custo para usuária/o ou sua instituição. As usuárias e os usuários podem ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, pesquisar ou vincular os textos completos dos artigos, ou usá-los para qualquer outra finalidade legal, sem solicitar permissão prévia da editora ou de autor/a/es, desde que respeitem a licença de uso do Creative Commons utilizada pelo periódico. Esta definição de acesso aberto está de acordo com a Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste (BOAI).







