Descolonizar O Queer
Uma Proposta Feminista Decolonial
DOI:
https://doi.org/10.9771/cgd.v11i2.55411Palavras-chave:
Gênero, Raça, Sexualidade, Colonialidade, Teoria Queer, Feminismo DecolonialResumo
Qual é o sujeito da teoria queer no Brasil? Quem são os corpos abjetos de que se fala e quem são os sujeitos produtores desse saber profano? A partir da proposta descolonizadora de autoras feministas decoloniais, propõe-se pensar o queer contra hegemonicamente, o que isso significa ir além das críticas à dicotomia de gênero e à sua fixidez, para enxergar as outras hierarquias fundadas no colonialismo e no racismo e que desumanizam os sujeitos em razão da sua raça/etnia, gênero, sexualidade e classe social, que promovem a histórica colonização dos corpos dissidentes. Ao analisar a recepção da teoria queer na América Latina e no Brasil, seus deslocamentos e traduções, sugere-se uma outra genealogia descolonizada para o queer. Conclui-se que esse saber, dito subversivo, não foge à matriz eurocêntrica de produção do conhecimento, reiterando um sistema colonial de sujeição epistêmica e silenciando as corporalidades dissidentes.
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