NEGOCIAR A VIDA? negociações coletivas durante a pandemia no Brasil

Autores

  • Adalberto Cardoso Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Instituto de Estudos Sociais e Políticos da (IESP-UERJ). https://orcid.org/0000-0002-6539-0770

DOI:

https://doi.org/10.9771/ccrh.v35i0.45790

Palavras-chave:

Negociação coletiva, Reforma trabalhista, Trabalhadores essenciais, Movimento sindical, Pandemia

Resumo

Este estudo busca avaliar como o movimento sindical respondeu aos desafios da crise sanitária, tendo como objeto as negociações coletivas ocorridas entre março de 2020 e inícios de 2021. A pergunta central a ser respondida é: os sindicatos conseguiram construir teias de proteção para seus representados, na forma de normas coletivas pactuadas com os patrões? A pertinência da pergunta decorre de que a reforma trabalhista de 2017 fragilizou imensamente a capacidade de ação do trabalho organizado, ao acabar com o imposto sindical e limitar a negociação coletiva de formas consensuais de financiamento, com isso empobrecendo os sindicatos; e ao reduzir o escopo dos temas passíveis de negociação coletiva, algo agravado pelas medidas provisórias do governo federal, voltadas para facilitar a resposta dos empresários à crise, à custa da renda dos trabalhadores. O estudo empírico se baseia em resultados da negociação coletiva de quatro categorias de trabalhadores essenciais: comerciários do ramo de alimentos e supermercados, enfermeiros, motoristas de caminhão e bancários.

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Biografia do Autor

Adalberto Cardoso, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Instituto de Estudos Sociais e Políticos da (IESP-UERJ).

Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Professor Associado do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas do Trabalho (NUPET). Pesquisa nas várias áreas da sociologia do trabalho (mercado de trabalho, sindicalismo, relações de trabalho, direito do trabalho, trajetórias ocupacionais, negociação coletiva e outros), da sociologia urbana (incluindo estrutura social) e da teoria social. É autor, dentre outros, de Classes médias no Brasil: estrutura, perfil e mobilidade social, Rio de Janeiro, UFRJ, 2021 (com Edmond Préteceille); À beira do abismo: uma sociologia política do bolsonarismo. Rio de Janeiro, Amazon, 2020; Work in Brazil: Essays in historical and economic sociology. Rio de Janeiro, UERJ, 2016.

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Publicado

2022-08-22

Como Citar

Cardoso, A. (2022). NEGOCIAR A VIDA? negociações coletivas durante a pandemia no Brasil. Caderno CRH, 35, e022014. https://doi.org/10.9771/ccrh.v35i0.45790