DAS ALIANÇAS ELEITORAIS ÀS GOVERNATIVAS: o caso do PT na Bahia
DOI:
https://doi.org/10.9771/ccrh.v38i0.69432Palavras-chave:
Aliança partidária, Coligação eleitoral, Formação de governo, PT, Estado da BahiaResumo
O objetivo do artigo é investigar as alianças do PT baiano entre 2006 e 2022, quando venceu todas as eleições para governador, bem como o governo formado por Jerônimo Rodrigues (2023-2026). Utilizando dados do TSE, de sites do governo e de portais de notícias, nossos resultados demonstram que as coligações e a coalizão analisadas, apesar de suas especificidades, reproduzem padrões nacionais. O PT estabelece alianças estáveis e que se estendem aos municípios, estruturando a competição do âmbito macro para o micro. E, mesmo compartilhando poder com os partidos aliados de 2022, o governo petista concentra secretarias e ocupa áreas chave no Executivo. O presente caso traz elementos explicativos – eleitorais e governativos – que podem auxiliar o entendimento de outros casos estaduais.
Downloads
Referências
ABRUCIO, F. L. O ultrapresidencialismo estadual. In: ANDRADE, R. de C. (org.). Processo de governo no município e no estado: uma análise a partir de São Paulo. São Paulo: Edusp, 1998. p. 87-116.
BATISTA, M. O poder no Executivo: uma análise do papel da presidência e dos ministérios no presidencialismo de coalizão brasileiro (1995-2010). Opinião Pública, v. 19, n. 2, pp. 449-473, 2013.
BLAIS, A.; INDRIDASON, I. Making Candidates Count: The Logic of Electoral Alliances in Two Round Legislative Elections. Journal of Politics, v. 69, n. 1, pp. 193-205, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1468-2508.2007.00504.x. Acesso em: 11 ago. 2025.
BOLOGNESI, B.; RIBEIRO, E.; CODATO, A. Uma Nova Classificação Ideológica dos Partidos Políticos Brasileiros. Dados, v. 66, n. 2, p. e20210164, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1590/dados.2023.66.2.303. Acesso em 10 nov. 2025.
BORGES, A. Desenvolvendo argumentos teóricos a partir de estudos de caso: o debate recente em torno da pesquisa histórico-comparativa. BIB - Revista Brasileira De Informação Bibliográfica Em Ciências Sociais, n. 63, p. 47–62, 2007. Disponível em: https://bibanpocs.emnuvens.com.br/revista/article/view/302. Acesso em 11 ago. 2025.
BORGES, A. Já não se fazem mais máquinas políticas como antigamente: competição vertical e mudança eleitoral nos estados brasileiros. Revista de Sociologia e Política, v. 18, n. 35, pp. 167-188, 2010.
CARREIRÃO, Y. de S.; PERONDI, E. Disciplina e coalizões partidárias na Assembléia Legislativa de Santa Catarina (1999-2006). Revista Brasileira De Ciências Sociais, v. 24, n. 71, p. 121-141, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-69092009000300009. Acesso em 11 ago. 2025.
CARROLL, R.; COX, G. W. The logic of Gamson’s Law: pre-election coalitions and portfolio allocations. American Journal of Political Science, v. 51, n. 2, p. 300-313, 2007.
CARVALHO, D.; SANTOS, G. F. dos. Ciclos políticos, socioeconomia e a geografia eleitoral do estado da Bahia nas eleições de 2006. Revista de Sociologia e Política, v. 23, n. 54, p. 109-135, 2015.
CARVALHO, R. F.; SOUZA, C. A.; MIZUCA, H. D. O governismo em cena: notas preliminares sobre a influência dos prefeitos na eleição ao governo estadual da Bahia em 2022. Cadernos do CEAS: Revista crítica de humanidades, v. 47, n. 257, pp. 513-542, 2025. DOI: 10.25247/2447-861X.2022.n257.p513-542. Disponível em: https://portaldeperiodicos.ucsal.br/index.php/cadernosdoceas/article/view/1117. Acesso em: 12 nov. 2025.
CHEIBUB, J. A.; PRZEWORSKI, A.; SAIEGH, S. Governos de Coalizão nas Democracias Presidencialistas e Parlamentaristas. Dados, v. 45, n. 2, p. 187-218, 2002.
CODATO, A.; FRANZ, P. Ministros-técnicos e ministrospolíticos nos governos do PSDB e do PT. Revista de Administração Pública, v. 52, n. 5, pp. 776-796, 2018.
COUTO, C. G.; ABSHER-BELLON, G. L. Imitação ou coerção? Constituições estaduais e centralização federativa no Brasil. Revista de Administração Pública, v. 52, n. 2, p. 321-344, 2018.
COX, G. W. Making Votes Count: Strategic Coordination in the World’s Electoral Systems. Cambridge University Press, 1997.
CURI, H. Ninho dos Tucanos: o PSDB em São Paulo (1994-2018). Opinião Pública, v. 27, n. 3, p. 960–996, set. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1807-01912021273960. Acesso em 10 nov. 2025.
DUVERGER, M. Os partidos políticos. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 1970.
DANTAS NETO, P. F. O carlismo para além de ACM: estratégias adaptativas de uma elite política estadual. In: SOUZA, C.; DANTAS NETO, P. F. (org.). Governo, políticas públicas e elites políticas nos estados brasileiros. Rio de Janeiro: Revan, pp. 247-286, 2006.
DANTAS NETO, P. f. “Surf nas ondas do tempo: do carlismo histórico ao carlismo pós-carlista. Cadernos CRH, v.16, n.39, pp. 109-122, fev.2012. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/crh/article/view/18643. Acesso em: 11/11/2025.
DANTAS NETO, P.F. Bahia: a paz dos vencedores. Liderança, partido e elite política após as eleições de 2010. In: CORTEZ, H.; SPINELLI, J. A. Nordeste 2010: os sentidos do voto II. Análises interpretativas dos resultados eleitorais nos estados do Nordeste. Recife, PE: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2016.
D’ARAUJO, M. C. A elite dirigente do governo Lula. Rio de Janeiro, RJ: Fundação Getúlio Vargas CPDOC, 2009.
D’ARAUJO, M. C. Elites burocráticas, dirigentes públicos e política no Poder Executivo. In: D’ARAUJO, M. C. (org.). Redemocratização e mudança social no Brasil. Rio de Janeiro, RJ: Fundação Getúlio Vargas, 2014.
FERRARA, F.; HERRON, E. S. Going It Alone? Strategic Entry under Mixed Electoral Rules. American Journal of Political Science, v. 49, n. 1, pp. 16-31, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.0092-5853.2005.00107.x . Acesso em: 02 out. 2024.
FIGUEIREDO, A. C.; LIMONGI, F. Executivo e legislativo na nova ordem constitucional. São Paulo: Editora FGV, 1999.
GIBSON, E. L. Boundary Control: Subnational Authoritarianism in Democratic Countries. World Politics, v. 58, n. 1, pp. 101-132, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1353/wp.2006.0018. Acesso em: 27 nov. 2024.
GOLDER, S. Pre-electoral coalitions in comparative perspective: a test of existing hypotheses. Electoral Studies, v. 24, n. 4, pp. 643-663, 2005.
GSCHWEND, T.; HOOGHE, M. Should I Stay, or Should I Go? An Experimental Study on Voter Responses to Pre‐electoral Coalitions. European Journal of Political Research, v. 47, n. 5, pp. 556-77, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1475-6765.2008.00787.x. Acesso em: 02 out. 2024.
INÁCIO, M. Escogiendo ministros y formando políticos: los partidos en gabinetes multipartidistas. América Latina Hoy, n. 64, pp. 41-66, 2013.
LOUREIRO, M. R.; ABRUCIO, F. L.; ROSA, C. A. Radiografia da alta burocracia federal brasileira: o caso do Ministério da Fazenda. Revista do Serviço Público, v. 49, n. 4, pp. 46-82, 1998.
MÜLLER, W. C.; STRØM, K. Policy, Office, Or Votes?: How Political Parties in Western Europe Make Hard Decisions. Cambridge University Press, 1999.
NUNES, F. Convergência partidária e base parlamentar: o comportamento dos partidos na Assembléia Legislativa de Minas Gerais entre 1995 e 2005. Cadernos da Escola do Legislativo, Belo Horizonte, v. 10, n. 15, p. 83-130, 2008.
KINZO, M. Partidos, eleições e democracia no Brasil Pós- 1985. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 19, n. 54, p. 23-40, 2004.
KRAUSE, S.; GODOI, P. P. A. Estratégias coligacionistas dos partidos de esquerda no Brasil: Uma análise das eleições para governadores (1986-2010). Civitas, v. 12, n. 2, pp. 262-297, 2012.
LAVER, M.; SCHOFIELD, N. 1990. Multiparty government: The politics of coalition in Europe. Ann Arbor: The University of Michigan Press, 1990.
LAVER, M.; SHEPSLE. Cabinet ministers and parliamentary government. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.
LIMONGI, F.; CORTEZ, R. As eleições de 2010 e o quadro partidário. Novos Estudos - CEBRAP, v. 88, pp. 21-37, 2010.
MACHADO, C.; MIGUEL, L. F. Padrões de coesão e dispersão: Uma proposta de tipologia para coligações. Teoria & Pesquisa Revista de Ciência Política, São Carlos, v. 20, n. 2, 2012. Disponível em: https://www.teoriaepesquisa.ufscar.br/index.php/tp/article/view/262. Acesso em: 11 ago. 2025.
MASSONETTO, A. P. Presidencialismo estadual em São Paulo: o que une os partidos na coalizão. Tese de Doutorado em Administração Pública e Governo. Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, Brasil, 2014.
MELO, C. R.; CÂMARA, R. Estrutura da competição pela Presidência e consolidação do sistema partidário no Brasil. Dados, v. 55, n. 1, pp. 71-117, 2012.
MÉNARD, C. A New Institutional Approach to Organization. In: MÉNARD, C.; SHIRLEY, M. M. (Eds.). A Handbook of New Institutional Economics. Netherlands: Springer, 2005.
MONTERO, A. A Reversal of Political Fortune: The Transitional Dynamics of Conservative Rule in Brazil. Northfield: Carleton College, 2009.
MONTERO, A. Inequality and the Rise and Decline of Conservatives in Brazilian Democracy. Northfield: Carleton College, 2011.
MÜELLER, W.; STRØM, K. (ed.). Coalition governments in Western Europe. London: Oxford University Press, 2000.
PASSOS, A. Q.; SILVA, M. F. Entre elites: carlistas, lulistas e a configuração política da Bahia. Princípios, v. 43, n. 170, pp. 206-221, 2024. DOI: 10.14295/principios.2675-6609.2024.170.011. Disponível em: https://revistaprincipios.emnuvens.com.br/principios/article/view/492. Acesso em: 12 nov. 2025.
PEREIRA, C. G. O jogo entre elites e instituições: as estratégias políticas de ACM Neto e a tradição carlista. Caderno CRH, v. 30, n. 80, pp. 237-255, 2017.
RIBEIRO, R. L. M. Decadência longe do poder: refundação e crise do PFL. Revista de Sociologia e Política, v. 22, n. 49, pp. 5-37, 2014.
SANDES-FREITAS, V. E. V. de. Alianças partidárias nos estados brasileiros: das coligações às coalizões de governo. Tese de Doutorado em Ciência Política. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil, 2015.
SANDES-FREITAS, V. E. V. de. Processo de formação de governos: conciliando perspectivas teóricas para a análise dos estados brasileiros. BIB - Revista Brasileira De Informação Bibliográfica Em Ciências Sociais, v. 88, pp. 1-22, 2019. Disponível em: https://bibanpocs.emnuvens.com.br/revista/article/view/466. Acesso em: 02 out. 2024.
SANDES-FREITAS, V. E. V. de; MASSONETTO, A. P. (Ultra)presidencialismo de coalizão estadual: uma análise a partir dos casos de São Paulo e do Piauí (1995-2010). Cadernos Adenauer, Rio de Janeiro, v. 18, n. 2, p. 119-142, 2017.
SANDES-FREITAS, V. E. V. de; SANTANA, L. Política, governadores e legislativo nos estados brasileiros. In: DANTAS, H.; FERNANDEZ, M.; TESTA; G. (org.). Governabilidade: instituições, atores e estratégias. Rio de Janeiro: Konrad Adenauer Stiftung, pp. 81-97, 2023.
SANDES-FREITAS, V. E. V. de; SANTANA, L.; VASQUEZ, V. A proibição das coligações proporcionais e a coordenação das eleições para os executivos: lógicas nacionais e regionais. In: KRAUSE, S.; MACHADO, C.; MESQUITA; L. (org.). A proibição das coligações proporcionais no Brasil: dinâmicas e efeitos do local ao nacional. Rio de Janeiro: Konrad Adenauer Stiftung, p. 191-208, 2023.
SANDES-FREITAS, V. E. V. de; SIMÕES, D. B. de P. Executivo-Legislativo no Piauí: Partidos Importam na Formação de Governos Estaduais? Revista FSA, v. 19, n. 7, pp. 49-68, 2022.
SANTOS, F. (org.). O Poder Legislativo nos estados: diversidade e convergência. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2001.
SCHMITT, R. Coligações eleitorais e sistema partidário no Brasil. Tese de Doutorado em Ciência Política. Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, 1999.
SINGER, André. O sentido do lulismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
SOARES, G. A. D. A democracia interrompida. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 2001.
SOUZA, C. A. de. O lulismo baiano. Carta Capital, 15/10/2014. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/o-lulismo-baiano-6262/. Acesso em: 11/11/2025.
TOMIO, F. R. de L.; RICCI, P. O governo estadual na experiência política brasileira: os desempenhos legislativos das assembléias estaduais. Revista de Sociologia e Política, v. 20, n. 41, p. 193-217, 2012.
VASQUEZ, V. Eleições de 2022 e a presidencialização das disputas estaduais. Boletim Lua Nova – CEDEC, 2022. Disponível em: https://boletimluanova.org/eleicoes-de-2022-e-a-presidencializacao-dasdisputas-estaduais/ . Acesso em: 10 nov. 2023.
VASQUEZ, V.; MAGALHÃES, B. de O. O partido do presidente do Brasil no Legislativo: centralização de trabalho nas comissões permanentes. Opinião Pública, v. 29, n. 2, p. 505-527, 2023.
VASQUEZ, V.; SANDES-FREITAS, V. E. V. de; SANTOS, R. D. dos. Organização partidária e mudanças estratégicas do Partido Social Liberal (PSL) nas eleições presidenciais brasileiras em 2018. Análise Social, v. 59, n. 250, p. 134-64, 2024. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/27292680. Acesso em 02 out. 2024.
VIEIRA, M. Composição do gabinete e a criação de burocracias públicas centralizadas na presidência da República no Brasil. Dados, v. 60, n. 1, p. 111-144, 2017.
WEST, K. J.; SPOON, J. Credibility Versus Competition: The Impact of Party Size on Decisions to Enter Presidential Elections in South America and Europe. Comparative Political Studies, v. 46, n. 4, p. 513-39, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0010414012445752. Acesso em: 02 out. 2024.
ZUCCO JR., C. Esquerda, Direita e Governo: A Ideologia dos Partidos Políticos Brasileiros. In: POWER, T.; ZUCCO JR., C. (org.). O Congresso por ele mesmo: autopercepções da classe política brasileira. Belo Horizonte, UFMG, 2011. p. 37-60.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Todo o conteúdo da revista, exceto onde indicado de outra forma, é licenciado sob uma atribuição do tipo Creative Commons BY.
O periódico Caderno CRH on-line é aberto e gratuito.