“BASTA TÁ DO LADO” – a construção social do envolvido com o crime

Autores

  • Fátima Regina Cecchetto Instituto Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública (FIOCRUZ)
  • Jacqueline de Oliveira Muniz Universidade Federal Fluminense (UFF). Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC). Departamento de Segurança Pública (DSP).
  • Rodrigo de Araujo Monteiro Universidade Federal Fluminense (UFF). Departamento de Ciências Sociais

DOI:

https://doi.org/10.9771/ccrh.v31i82.24450

Palavras-chave:

Envolvimento. Juventudes. Controle social. Vigilância. Vulnerabilidade social.

Resumo

Partindo do trabalho etnográfico e entrevistas grupais com jovens de duas favelas cariocas, o artigo problematiza a categoria envolvido-com (retirada da linguagem cotidiana) o crime e suas serventias, como um dispositivo de controle social itinerante que fabrica fronteiras móveis que desigualam os desiguais. Isso evidencia como essa noção tem sido mobilizada na distribuição seletiva de vigilância e de punição das juventudes da periferia. Discutem-se suas funcionalidades na regulação das trajetórias e percursos identitários, evidenciando a trama de rotulações que põe em operação deslizamentos de sentido entre as noções de “bandido” e “vulnerável”. Analisa-se o acionamento de moralidades que justificam a gerência de si dos favelados. Revela uma ambição de tutela policial maximizada pelo apetite de criminalização não só dos indivíduos, mas também de seus vínculos sociais.

“BASTA TÁ DO LADO”. THE SOCIAL CONSTRUCTION OF THOSE INVOLVED IN CRIME

Based on the ethnographic work and group interviews with young people from two Rio de Janeiro favelas, this article problematizes the category ‘involved-with (taken from the everyday language) crime and its services’, as a fluid social control device that creates moving borders which serve to “unequalize” the unequal. This shows how this notion has been mobilized in the selective distribution of surveillance and punishment of youths in the suburbs. Its functionalities are discussed in the regulation of trajectories and identity paths, highlighting a profiling web that ends up blurring the meaning between the notions of “criminal” and “vulnerable.” The activation of moralities that justify the self-management of the favela inhabitants is analyzed. It reveals an ambition of police custody maximized by the appetite for criminalization not only of individuals, but also of their social relations.

Keywords: Involvement. Youths. Social control. Surveillance. Social vulnerability.

“IL SUFFIT D’ETRE A COTE.” LA CONSTRUCTION SOCIALE DE CELUI MELE AU CRIME

En se basant sur les travaux ethnographiques et les interviews de groupe avec des jeunes de deux favelas de Rio de Janeiro, l’article pose le problème de la catégorie mêlé au (extrait du langage courant) crime et à ses services , en tant que dispositif de contrôle social itinérant qui édifie des frontières mobiles qui inégalent les inégaux. Cela montre bien comment cette notion a été mobilisée dans la distribution sélective de la vigilance et de la punition des jeunes de la périphérie. L’article présente ses fonctionnalités dans la régulation des trajectoires et des parcours identitaires en mettant en évidence toute une série d’étiquetages qui entrainent des glissements de sens entre les notions de “bandit” et de “vulnérable”. Il analyse la mise en place de moralités qui justifient la gestion des habitants des favelas par eux-mêmes. Il révèle une ambition de tutelle policière maximisée par l’appétit de criminalisation, non seulement des individus mais aussi de leurs liens sociaux.

Mots-clés: Implication. Jeunesses. Contrôle social. Surveillance. Vulnérabilité sociale.

Biografia do Autor

Fátima Regina Cecchetto, Instituto Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública (FIOCRUZ)

Doutora em Saúde Coletiva. Pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, Professora do programa de Pós Graduação da Escola Nacional de Saúde Pública (FIOCRUZ). Publicações recentes: Homicídios no Rio de Janeiro, Brasil: uma análise da violência letal, com CARDOSO, L. G.; Corrêa, J.S.; SOUSA, T. In: Ciência & Saúde Coletiva (Online) , v. 21, p. 1277-1288, 2016; Violências percebidas por homens adolescentes na interação afetivo-sexual em dez cidades brasileiras, com OLIVEIRA, QUEITI BATISTA MOREIRA; NJAINE, KATHIE; MINAYO, MARIA CECÍLIA DE SOUZA. In: Interface (Botucatu. Online), v. 20, p. 853-864, 2016.

Jacqueline de Oliveira Muniz, Universidade Federal Fluminense (UFF). Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC). Departamento de Segurança Pública (DSP).

Antropóloga. Doutora em Ciência Política. Professora Adjunta do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF). Integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Organizadora, com Eduardo Paes-Machado, do Dossiê Policiamento e Polícia, Caderno CRH 60, v.23, n. 60 – set/dez. 2010. Publicações recentes: Nem tão perto, nem tão longe: o dilema da construção da autoridade policial nas UPPs, com Kátia Sento Sé Melo. In: Civitas: Revista de Ciências Sociais (Impresso), v. 15, p. 44-65, 2015; Moralidades entrecruzadas nas UPPs: Uma narrativa policial, com Elizabete Albernaz. In: Cadernos Ciências Sociais, v. II, p. 113-149, 2015.

Rodrigo de Araujo Monteiro, Universidade Federal Fluminense (UFF). Departamento de Ciências Sociais

Sociólogo. Doutor em Saúde Coletiva, Professor Adjunto de Sociologia do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense (UFF). Coordenador do Laboratório de Pesquisa e Ensino de Ciências Sociais (LAPECS). Publicações recentes: “A pacificação e suas tramas: conflitos em torno da construção de normas sociais em duas favelas cariocas”. In Sistema Penal &Violência: V. 7, n. 2, p. 127-136, dez. 2015; “As UPPs e o Espaço Urbano: conflitos, política pública e violência”. In: John Gledhill; Maria Gabriela Hita; Mariano Perelman. (Org.). Disputas em torno do espaço urbano. 1ed.Salvador: EDUFBA, 2017, v. 1, p. 237-262.

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Publicado

2018-09-03

Como Citar

Cecchetto, F. R., de Oliveira Muniz, J., & de Araujo Monteiro, R. (2018). “BASTA TÁ DO LADO” – a construção social do envolvido com o crime. Caderno CRH, 31(82), 99–116. https://doi.org/10.9771/ccrh.v31i82.24450