Precarização da vida e luta por território: análise da dinâmica de vida de um ribeirinho na Amazônia
DOI:
https://doi.org/10.9771/gmed.v17i3.70121Palavras-chave:
Território, Amazônia, Trabalho, Resistência Coletiva, Psicologia HIstórico-CulturalResumo
Este artigo analisa a dinâmica subjetiva de um trabalhador ribeirinho e amazônico, protagonista da resistência e organização coletiva na luta por um território em disputa na comunidade Seringal Belmont (Porto Velho-RO). Trata-se de um estudo de caso fundamentado na reconstrução da história de vida, realizada por meio de entrevistas, e analisada à luz da Psicologia Histórico-Cultural e do Materialismo Histórico-Dialético. A investigação buscou apreender a gênese e as transformações subjetivas mediante a compreensão dos sentidos e motivos vinculados ao trabalho e ao território, identificados como centrais nos processos de resistência coletiva pela terra. A pesquisa indica que o desenvolvimento humano não pode ser apreendido de maneira abstrata, mas apenas em sua vinculação às condições objetivas de existência e às contradições do capitalismo. A história de vida investigada revela a centralidade do trabalho familiar e
comunitário como fundamento da experiência ribeirinha, ao mesmo tempo em que expõe as transformações subjetivas decorrentes da migração, da precarização do trabalho urbano e da inserção na luta coletiva pela terra. Nesse movimento, destaca-se o papel do trabalho como fundamento ontológico do ser social e a categoria de sujeito concreto para a compreensão do humano em sua historicidade. A luta pelo território emerge, assim, como espaço de produção de sentidos e motivos e de resistência frente à lógica destrutiva do capital, reafirmando o território como lócus de reprodução da vida e de enfrentamento entre projetos societários distintos.
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