O Oriente no olhar de Camões

uma verdade que convém

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/aa.v0i66.49522

Palavras-chave:

orientalismo, poesia épica, colonialismo, renascimento português

Resumo

Leitores de Camões têm observado que, para compor a matéria histórica de seu poema Os Lusíadas, o poeta se apega a uma suposta “verdade” que teria lido nas crônicas e ouvido na tradição oral. Os retratos da África e da Ásia que ele concebeu seriam fruto desse anseio pela  “verdade” histórica. O presente artigo propõe, contrariamente, que Camões registrou uma verdade conveniente, atestada pelos interesses da nobreza da casa de Avis, compondo um retrato heroico da missão de Vasco da Gama, ao mesmo tempo em que omitiu práticas desumanas de seu projeto colonialista. Conhecendo de perto o jugo e a escravização dos povos africanos, o poeta ajustou a imagem da África e da Ásia à da figura do antagonista, evidenciando seu povo como gente inculta e inimiga da fé. Esse apagamento da história esconde o anseio de dominação sobre essa gente que se viu colonizada e escravizada nos séculos posteriores.

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Biografia do Autor

Luís André Nepomuceno, Universidade Federal de Viçosa

Doutor em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas, Brasil(2000). Professor da Universidade Federal de Viçosa , Brasil.

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Publicado

2022-12-31

Como Citar

NEPOMUCENO, L. A. O Oriente no olhar de Camões: uma verdade que convém. Afro-Ásia, Salvador, n. 66, p. 45–76, 2022. DOI: 10.9771/aa.v0i66.49522. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/49522. Acesso em: 16 abr. 2024.

Edição

Seção

Artigos