O que nos contam as pedras pisadas do cais?

Usos e disputas políticas das memórias da escravidão e do tráfico transatlântico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/aa.v0i65.44963

Palavras-chave:

Cais do Valongo, Memórias da escravidão, Atores sociais negros

Resumo

Pode-se observar que, nos últimos trinta anos, o interesse pelas memórias da escravidão e as expressões do passado, como os lugares de memória, os museus e o patrimônio cultural, intensificou-se. Ao acessar o passado da escravidão, grupos e indivíduos constroem narrativas próprias sobre esse passado e rompem com espaços que, historicamente, produzem um apagamento, quando não um silenciamento e uma marginalização da África e das populações negras em diáspora. Assim, diante desse quadro de reivindicação recente por reconhecimento e patrimonialização das memórias da escravidão, este texto se propõe a interpelar um bem cultural e patrimônio da humanidade, o Sítio Arqueológico Cais do Valongo, a partir das agências de atores sociais negros da região da Pequena África, e os usos políticos do passado por esses atores contemporâneos na luta por identificação, reconhecimento e reparação, bem como na luta contra o racismo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Francisco Phelipe Cunha Paz, Universidade de Brasília

Historiador, Mestre em Preservação do Patrimônio Cultural, Mestre em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional. Rede de Historiadores Negras e Negros, Nucleo de Estudos de Filosofia Africana e Revista Calundu

Referências

Ana Lúcia Araújo. “Mémoire de l’esclavage et de la traite des esclavages dans l’atlantique sud”: enjeux de la patrimonialisation au Brésil et au Bénin. Tese (Doutorado em História), Universidade de Laval, Canadá, 2007;

Andreas Huyssen, Culturas do passado-presente: modernismo, artes visuais, políticas de memória. Contraponto-MAR, 2014;

Andreas Huyssen, Seduzidos pela memória: arquitetura, monumentos, mídia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000;

Beatriz Nascimento, Quilombola e Intelectual, São Paulo: Editora Filhos da África, 2018, p.488;

Cristine Chivallon. “Mémoires Antillaises de L’Esclavage”. Presses Universitaires de France, 2002/4 Vol.32 | pages 601 à 612;

Édouard Glissant, Introdução a uma poética da diversidade. Juiz de Fora/MG: UFJF, 2005;

Eliseu Amara Pessanha, Francisco Phelipe Cunha Paz e Luís Augusto Saraiva, “Na travessia o negro se desfaz”: morte, vida e memÓRIa. Revista Voluntas, V.10, p. 110-127. DOI:10.5902/2179378639949;

Estevão de Resende Martins, “Tempo e memória”: a construção social do passado na história in: Anais Associação Nacional de História – ANPUH, 2007;

Celso Sá, Sobre o campo de estudo da memória social: uma perspectiva psicossocial. Psicologia: Reflexão e Crítica, 20(2), 289-294, 2007;

Francisco Phelipe Cunha Paz, “Na casa de Ajalá”: comunidades negras, patrimônio e memória contracolonial no Cais do Valongo – a “pequena África”. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional) – Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares, Universidade de Brasília, Brasília, 2019, p.229;

Francisco Phelipe Cunha Paz. MemORÍa, a flecha que rasura o tempo: reflexões contracoloniais desde uma filosofia africana e a recuperação das memórias usurpadas pelo colonialismo. Revista Problemata:R. Intern. Fil. V. 10. n. 2 (2019), p. 147-166;

Guilherme José Motta Faria, “O GRES Acadêmicos do Salgueiro e as representações do negro nos desfiles das escolas de samba nos anos de 1960”. Tese (Doutorado em História) Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, p. 10;

Hanna da Cunha Tenório Cavalcanti, “Espaços museais e memórias sociais na zona portuária do Rio”: o Instituto dos Pretos Novos (IPN). Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Memória Social - UNIRIO, 2016;

Iphan, Dossiê de Candidatura – Sítio Arqueológico do Cais do Valongo: proposta de inscrição na lista de patrimônio da humanidade, 2013, p. 440;

Jean-Godefroy Bidima. “De la traversée”: raconter des expériences, partager le sens. Rue Descartes, n. 36, p. 7-18, 2002. Tradução para uso didático por Gabriel Silveira de Andrade Antunes;

Leda Maria Martins, Afrografias da memória: o reinado do rosário no Jatobá. São Paulo: Perspectiva; Belo Horizonte: Mazza Edições, 1997;

Lilian Schwartz e Flávio Gomes. Dicionário da Escravidão, p.19, 2018;

Luís Thiago Freire Dantas, “Filosofia desde África”: perspectivas descoloniais. 2018. 231 f. Tese (Doutorado em Filosofia) – Programa de Pós-Graduação em Filosofia, Setor de Ciências Humanas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2018;

MATOS, Hebe; ABREU, Martha; GURAN, Milton. Inventário dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos Escravizados no Brasil. Niterói: LABHOI (Laboratório de História Oral e Imagem) - UFF, 2013;

Márcia Leitão Pinheiro. Revitalização urbana e patrimônio e memórias no Rio de Janeiro: Usos e apropriações do Cais do Valongo, 2016;

Michel-Rolph Trouillot, Silenciando o passado: poder e a produção da história. Tradução de Sebastião Nascimento. – Curitiba: huya, 2016. 272p;

Mônica Lima, História, patrimônio e memória sensível: o cais do Valongo no Rio de Janeiro. Outros Tempos, vol. 15, n. 26, 2018, p. 98 - 111;

Paolo Rossi, O passado, a memória, o esquecimento: ensaios da história das ideias. São Paulo: Editora UNESP, 2010;

Pierre Nora, Les Leuxs de mémoire, Paris: Gallimard, 1984;

Simone Vassallo, “Por onde os africanos entraram:o cais do Valongo e a institucionalização da memória do tráfico negreiro na região portuária do Rio de Janeiro”, Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 21, n. 43, p. 239-271, jan./jun. 2015, p. 265;

Taysa Kennia Godinho. Cidade patrimônio da humanidade e desenvolvimento turístico: percepções sobre a realidade de Diamantina/MG. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Turismo, 2016, p. 38;

Downloads

Publicado

2022-06-19

Como Citar

CUNHA PAZ, F. P. O que nos contam as pedras pisadas do cais? Usos e disputas políticas das memórias da escravidão e do tráfico transatlântico. Afro-Ásia, Salvador, n. 65, p. 338–376, 2022. DOI: 10.9771/aa.v0i65.44963. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/44963. Acesso em: 4 jul. 2022.

Edição

Seção

Dossiê