Uma fugitiva em família em busca de liberdade na “Cidade da Feira”

Autores

  • Karine Teixeira Damasceno Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.9771/aa.vi64.42009

Palavras-chave:

Mulheres negras, Família, Escravidão, Liberdade legal

Resumo

Neste estudo, reconstitui-se a experiência de Belmira, uma mulher escravizada, enquanto lutava pela liberdade para si e para suas crianças, Antero, Senhorinha e Manuel, em Feira de Santana, entre 1878 e 1879. Para tanto, é analisada a ação de liberdade movida por esta protagonista, assim como os registros de matrículas, os códigos de posturas municipais, as correspondências e um atestado de óbito. As marcas deixadas por ela em seu itinerário, bem como por pessoas relacionadas a ela, foram cruzadas por meio de uma abordagem qualitativa das fontes. Desse modo, foi possível saber que, a despeito da opressão interseccional de classe, gênero e raça, mulheres como Belmira foram personagens centrais na luta pela liberdade legal. O cruzamento destes documentos permitiu constatar que as especificidades da escravidão feminina influenciaram suas escolhas por esse tipo de liberdade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Karine Teixeira Damasceno, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutora em História Social pela Universidade Federal da Bahia (2019); Pós-Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; e Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).  

Referências

Adriana D. R. Alves, As mulheres negras por cima: o caso de Luzia jeje. Escravidão, família e mobilidade social – Bahia, c.1790 a c.1830. Tese (Doutorado em História), Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense, UFF, Niterói, 2010.

Alberto Heráclito Ferreira Filho, “Desafricanizar as ruas: elites letradas, mulheres pobres e cultura popular em Salvador (1890-1937)”, Afro-Ásia – Centro de Estudos Afro-Orientais, Salvador, n. 21-22 (1998-1999).

Alessandra S. Silveira, O amor possível: um estudo sobre concubinato no bispado do Rio de Janeiro em fins do século XVIII e XIX. Tese (Doutorado em História) − Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, 2005.

Alex A. Costa, Tramas e contendas: escravos, forros e livres constituindo economias e forjando liberdades na Bahia de Camamú, 1800-1850. Tese (Doutorado em História), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, 2016.

Alex Ratts, Flavia Rios, “A perspective interseccional de Lélia Gonzalez” in Ana Flávia M. Pinto (org.). Pensadores negros – pensadoras negras: Brasil século XIX e XX (Cruz das Almas: EDUFRB/Fino Traço, 2016).

Ana Cláudia L. PACHECO, Mulher negra: afetividade e solidão. Salvador: EDUFBA, 2013.

Ana Lucia Araujo, “Black Purgatory: Enslaved Women’s Resistance in Nineteenth-Century Rio Grande do Sul, Brazil”, Slavery and Abolition, v. 36, n. 4 (2015).

Ana Maria C. S. Oliveira, Feira de Santana em tempo de modernidade: olhares imagens e práticas do cotidiano (1950-1960). Tese (Doutorado em História) − Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, Recife, 2008.

Angela Davis, Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

Bell Hooks, Ain’t I a woman: black end feminism. 2a ed. New York and London: Routledge; Taylor & Francis Group, 2015.

Camillia Cowling, Concebendo a liberdade: mulheres de cor, gênero e a abolição da escravidão nas cidades de Havana e Rio de Janeiro, Campinas: UNICAMP, 2018.

Carla Akotirene, O que é interseccionalidade?. Belo Horizonte: Letramento/Justificando, 2018.

Cecília M. Soares, “A negra na rua, outros conflitos” in Cecília Maria B. Sardenberg, Ione M. Vanin; e Lina M. B. Aras (orgs.). Fazendo gênero na historiografia baiana. Salvador: NEIM/UFBA. 2001.

Celeste Maria P. Andrade, Origens do povoamento de Feira de Santana: um estudo de história colonial. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) − Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, 1998.

Clícea Maria A. de Miranda, “Repercussões da guerra civil americana no destino da escravidão do Brasil − 1861-1888”, Tese (Doutorado em História Social), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, 2017.

Clíssio S. Santana, “Ele queria viver como se fosse homem livre”: escravidão e liberdade no termo de Cachoeira (1850-1888). Dissertação (Mestrado em História), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, 2014.

Diocleciano V. Moreira, “A agonia ocular de uma cidade cega: seca, agressões ambientais e qualidade de vida em Feira de Santana”, Humanas, ano 2, jan./jun. (2003).

Eduardo S. Pena, Pajens da casa imperial: jurisconsulto, escravidão e a lei de 1871. Campinas: UNICAMP, 2001.

Elane Bastos de Souza, Terra, território, quilombo: à luz do povoado de Matinha dos Pretos, Bahia. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, 2010.

Flaviane R. Nascimento, Viver por si: histórias de liberdade no Agreste Baiano Oitocentista (Feira de Santana, 1850-1888). Dissertação (Mestrado em História) − Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, 2012.

Gilberto Freyre, Casa-grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2006.

Hebe Maria M. Castro, “Laços de família e direitos no final da escravidão” in Fernando A. Novais, (coord.); Luiz Felipe de Alencastro, (Org.). História da vida privada no Brasil-Império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

Isabel C. F. dos Reis, A família negra no tempo da escravidão: Bahia, 1850-1888. Tese (Doutorado em História), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, UNICAMP, Campinas, 2007.

Jackson André da S. Ferreira, “Por hoje se acaba a lida”: suicídio escravo na Bahia (1850-1888)”, Afro-Ásia – Centro de Estudos Afro-Orientais, n. 31, (2004).

Joaquim Manuel de Macedo, As vítimas-Algozes: quadros da escravidão. São Paulo: Martin Claret, 2010.

Joseli Maria N. Mendonça, Entre a mão e os anéis: a lei dos sexagenários e os caminhos da abolição no Brasil, Campinas: UNICAMP, 2008.

Juliana B. Farias, Mercados Minas: africanos ocidentais na praça do mercado do Rio de Janeiro (1830-1890), Rio de Janeiro: Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro /Casa Civil/Prefeitura do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.

Júnia F. Furtado, Chica da Silva e o contratador dos diamantes. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Kátia de Q. Mattoso, Família e sociedade no século XIX. Brasília: Corrupio, 1988.

Keila Grinberg, Código Civil e cidadania, Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Kimberlé Crenshaw, “Encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero”, Estudos Feministas, v. 10, n. 1 (2002).

Lélia Gonzalez, Primavera para as Rosas Negras: Lélia Gonzalez em primeira pessoa... Diáspora Africana: Filhos da África, 2018.

Manolo Florentino, José Roberto Góes, A paz das senzalas: famílias escravas e tráfico atlântico, Rio de Janeiro, c. 1790-c.1850. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.

Maria Beatriz Nascimento, Beatriz Nascimento, quilombola e intelectual: possibilidade nos dias da destruição. (Coletânea organizadas e editada pela UCPA – União dos Coletivos Pan-africanistas), Editora Filhos da África, 2018.

Marcio de S. Soares, A remissão do cativeiro: a dádiva da alforria e o governo dos escravos nos Campos dos Goiatacases, c.1750-c. 1830. Rio de Janeiro: Apicuri, 2009.

Maria Odila L. da S. Dias, Quotidiano e poder em São Paulo no século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1995.

Mary C. Karasch, A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808-1850). São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Nacelice B. Freitas, Urbanização em Feira de Santana: influência da industrialização 1970-1996. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) − Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, 1998.

Nikki M. Taylor, Driven toward madness: the fugitive slave Margaret Garner and tragedy on the Ohio. Ohio University Press: Athens, 2016.

Patrícia H. Collins, Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Tradução: Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo, 2019.

Railma dos S. Souza Memória e história quilombola: experiência negra em Matinha dos Pretos e Candeal (Feira de Santana-Bahia), Dissertação (Mestrado em História), Centro de Artes, Humanidades e Letras, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, UFRB, Cachoeira, 2016.

Ricardo Tadeu C. Silva, Caminhos e descaminhos da abolição: escravos, senhores e direitos nas últimas décadas da escravidão (Bahia, 1850-1888). Tese (Doutorado em História) − Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, UFPR, Curitiba, 2017.

Robério Santos Souza, Trabalhadores dos Trilhos: imigrantes e nacionais livres, libertos e escravos na construção da primeira ferrovia baiana (1858-1863). Campinas: UNICAMP, 2015.

Rollie E. Poppino, Feira de Santana. Salvador: Itapuã, 1968.

Rosana F. Lessa, Mulheres na indústria fumageira de São Gonçalo dos Campos-Bahia: cotidiano e memórias 1950-1980. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual de Feira de Santana, UEFS, Feira de Santana, 2010.

Sidney Chalhoub, Machado de Assis Historiador, São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Sonia Maria Giacomini, Mulher e escrava: uma introdução histórica ao estudo da mulher negra no Brasil. Petrópolis, RJ: Vozes, 1988.

Zéli J. Lima, Lucas Evangelista, o Lucas da Feira: estudo sobre rebeldia escrava em Feira de Santana. Dissertação (Mestrado em História), Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal da Bahia, UFBA, Salvador, 1990.

Downloads

Publicado

2021-11-30

Como Citar

DAMASCENO, K. T. Uma fugitiva em família em busca de liberdade na “Cidade da Feira”. Afro-Ásia, [S. l.], n. 64, 2021. DOI: 10.9771/aa.vi64.42009. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/42009. Acesso em: 19 jan. 2022.

Edição

Seção

Artigos