A SUBVERSÃO DA MATERNIDADE EM A FILHA PRIMITIVA, DE VANESSA PASSOS

Autori

Parole chiave:

Maternidade; Narrativa; Crítica Feminista; Ancestralidade; Resistência.

Abstract

O presente artigo analisa a obra A Filha Primitiva, de Vanessa Passos, destacando como a escrita da autora aborda questões de maternidade, identidade e ancestralidade sob a ótica da crítica feminista. A protagonista, identificada como “mãe”, passa por uma jornada de autoconhecimento e resistência ao sistema patriarcal que busca silenciar e definir as mulheres. A maternidade é explorada de forma ambígua, sendo tanto um espaço de subordinação quanto de reinvenção. A ausência de nomes próprios nas personagens simboliza a perda da identidade das mulheres negras, cujas histórias e ancestralidades são frequentemente apagadas. A violência estrutural e simbólica contra as mulheres negras permeia a obra, com a escrita surgindo como uma ferramenta de resistência e afirmação de uma nova identidade. A reflexão sobre a maternidade questiona o mito do instinto materno, propondo uma desromantização do papel tradicional da mãe. A protagonista, em busca de sua própria identidade, desafia as expectativas sociais e por meio da escrita tenta se distanciar do destino lhe imposto para reinventar sua própria existência.

Downloads

I dati di download non sono ancora disponibili.

Biografia autore

Tiago Pereira da Silva, Pontifícia Universidade Católica de Goiás-PUC Goiás

Mestrando em Letras: Literatura e Crítica Literária, pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PPGLET PUC Goiás); Graduado em Letras - Língua Inglesa e Respectivas Literaturas pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, com foco na Língua Inglesa, sua história, particularidades e Literatura. É pesquisador de Simone de Beauvoir, Literaturas, Crítica Literária, Gênero, Movimentos Feministas, Maternidade e Mulheres na sociedade brasileira. Realiza ainda estudos voltados ao exercício de atividades de tradução de textos, revisão de textos, pesquisas acadêmicas e científicas. Possui formação em Psicanálise, pelo Instituto Internacional de Psicanálise. 

Riferimenti bibliografici

BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

BAIA, Luara Paula Vieira. Maternidade tem cor?: vivências de mulheres negras sobre a experiência de ser mãe. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR, 2020. 120 f.

BARTHES, Roland. O Prazer do Texto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1973.

BEAUVOIR, Simone de. (1949). O segundo sexo: a experiência vivida. Trad. de Sérgio Milliet. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.

BEAUVOIR, Simone de. (1949). O segundo sexo: fatos e mitos. Trad. de Sérgio Milliet. 5. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. 2. ed. Trad. de Maria Helena Kühner. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

CANDIDO, Antonio. A personagem do romance. In: CANDIDO, Antonio; ROSENFELD, Anatol; DE ALMEIDA PRADO, Décio; GOMES, Paulo Emilio Salles. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 2009. p. 51-75.

CIXOUS, Hélène. O riso da Medusa. Journal of Women in Culture and Society, v. 1, n. 4, p. 875-893, Universidade de Chicago, 1976.

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento Feminista Negro. São Paulo: Boitempo, 2019.

DELEUZE, Gilles. La Litérature et la Vie. Critique et Clinique, Minuit, Paris, 1993, pp. 11-17.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: Ed. UFBA, 2008.

FINK, Bruce. O sujeito lacaniano: entre a linguagem e o gozo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

FOUCAULT, Michel. A grande estrangeira: sobre literatura. Tradução de Fernando Scheibe. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2016.

FOUCAULT, Michel [1969]. A arqueologia do saber. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1987.

FREUD, S. A negação. São Paulo: Editora Cosac Naify, 2014.

GONZALVEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

hooks, bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. 1. ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2018.

IACONELLI, Vera. Manifesto antimaternalista: Psicanálise e políticas de reprodução. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

KILOMBA, Grada. Memórias de plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

KRISTEVA, Julia. Revolution in poetic language. Nova Iorque, EUA: Columbia University Press, 1984.

LORDE, Audre. Irmã Outsider: Ensaios e Conferências. 1. ed. 1. reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.

MACHADO, Maria Helena P. T.; BRITO, Luciana; SILVA, Iamara; GOMES, Flávio. Ventres livres? gênero, maternidade e legislação. São Paulo: UNESP, 2021.

ORLANDI, Eni Puccinelli. Discurso em análise: sujeito, sentido, ideologia. 2.ed. Campinas: Pontes, 2012.

PASSOS, Vanessa. A filha primitiva. São Paulo: José Olympio, 2022.

PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Editora da UNICAMP, 1995.

RAMOS, Maria Bernadete. Ao Brasil dos meus sonhos: feminismo e modernismo na utopia de Adalzira Bittencourt. Estudos feministas, v.10, n.1, p. 11-37, 2002.

ROTH, Cassia. A miscarriage of justice: women’s reproductive lives and the law in early twentieth-century Brazil. Stanford: Stanford University Press, 2020.

SCOTT, Joan Wallach. “Gênero: uma categoria útil de análise histórica”. Educação & Realidade. Tradução: Guacira Lopes Louro, Revisão de Tomaz Tadeu da Silva. Porto Alegre, v. 20, n. 2, jul./dez. 1995.

TODOROV, Tzvetan. A Literatura em Perigo. Rio de Janeiro: Rocco, 2009.

WOOLF, Virginia. (1929). Um teto todo seu. Tradução de Bia Nunes de Sousa, Glauco Mattoso. 1. ed. São Paulo: Tordesilhas, 2014.

XAVIER, Elódia. Que corpo é esse? O corpo no imaginário feminino. Rio de Janeiro: Oficina Raquel, 2021.

##submission.downloads##

Pubblicato

2025-06-04

Come citare

Silva, T. P. da. (2025). A SUBVERSÃO DA MATERNIDADE EM A FILHA PRIMITIVA, DE VANESSA PASSOS . Inventário, (36), 306–326. Recuperato da https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/64720