Inventário https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario <p>A Inventário é editada pelo corpo discente dos Programas de Pós-Graduação do Instituto de Letras. Tem por política editorial publicar, semestralmente, artigos científicos, ensaios, resenhas e relatos de experiência, produzidos no âmbito dos estudos linguísticos e/ou literários cujos originais tenham obtido parecer positivo de pelo menos dois avaliadores especializados na área específica do trabalho submetido.<br />Área do conhecimento: Linguística e Literatura<br />ISSN (online): 1679-1347 - Periodicidade: Semestral - Qualis: B3</p> Universidade Federal da Bahia pt-BR Inventário 1679-1347 <span>Os autores concedem à revista todos os direitos autorais referentes aos trabalhos publicados. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de absoluta e exclusiva responsabilidade de seus autores.</span> RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA E FORMAÇÃO DOCENTE https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62307 <p>O presente texto é um recorte de um Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvido na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e apresenta os resultados de uma pesquisa, que se originou no Programa Residência Pedagógica. O artigo consiste em mostrar como os bolsistas atuaram no mencionado Programa durante o contexto de pandemia, especificamente em 2020. Buscamos respaldo teórico-metodológico na Linguística Aplicada de caráter transdisciplinar (Moita Lopes, 2006). Esse campo de pesquisa não busca engendrar seu corpo teórico, mas busca estabelecer relações entre duas ou mais disciplinas. Tomando isso como base, nos orientamos também em Frade (2007), Rojo; Moura (2012), Coscarelli (2016) e Oliveira e Anecleto (2019), os quais defendem que as tecnologias devem, hoje, atravessar o trabalho docente. Diante disso, apresentamos alguns resultados: a possível reinvenção das práticas empreendidas durante a pandemia para a atuação no Programa Residência Pedagógica diante da nova realidade de ensino e a necessidade de adaptações pedagógicas, que favoreceram o uso de metodologias ativas, enfrentadas pelos bolsistas.</p> Anderson Rany Cardoso da Silva Daiana Danubia Bezerra de Oliveira Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 1 22 UMA ANÁLISE DESCRITIVO-COMPARATIVA DE DUAS TRADUÇÕES DE BLOWIN’ IN THE WIND, DE BOB DYLAN, PARA O PORTUGUÊS https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62325 <p>Este artigo propõe-se a realizar uma análise descritivo-comparativa de duas traduções da canção <em>Blowin’ In The Wind</em>, do cantor e compositor estadunidense Bob Dylan, do álbum <em>The Freewheelin’ Bob Dylan</em>, lançado pela Columbia (1963), para o português brasileiro. Para isso, será conduzida uma pesquisa de natureza qualitativa, que irá comparar as duas traduções da canção supracitadas traduzidas por Luís Louceiro, presente no livro <em>Bob Dylan: a estrada revisitada</em> (1992) e de Caetano W. Galindo, encontrada no livro <em>Bob Dylan: letras 1961<strong> – </strong>1974</em> (2017). O trabalho reflete uma análise objetiva e comparativa das duas traduções, estabelecendo relações com o texto original escrito em língua inglesa. Isso envolve a observação das estratégias e escolhas utilizadas por esses tradutores, além da análise dos elementos característicos da poesia de Dylan, embasada em argumentos objetivos e racionais, conforme delineados pelas vias estabelecidas por estudiosos da tradução. Esta pesquisa, de natureza acadêmica, teórica e comparativa, fundamenta-se nas proposições e abordagens para a Tradução formuladas por Campos (1986, 1987), Arrojo (2007), Britto (2020) e Rónai (2021).</p> Aldemir Araújo de Oliveira Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 23 44 PARA ALÉM DA GRAMÁTICA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62335 <p>O ensino de Língua Portuguesa no Brasil, apesar dos avanços nas teorias linguísticas e de contar com diretrizes como a BNCC e os PCN, continua preso a moldes tradicionais, tendo geralmente a gramática normativa e suas nomenclaturas como guia. Desse modo, o objetivo deste artigo é elencar, de modo geral, o que seria necessário para uma educação linguística escolar significativa. Para isso, utilizamos uma metodologia bibliográfica fundamentada em pesquisadores(as) do tema, como Bagno (2005, 2011) e Antunes (2003, 2007), no intuito de investigar possíveis caminhos que a escola pode seguir para se reinventar nesse âmbito. Com isso, observamos que o ideal, no estudo da língua, seria partir do texto, visando o contato com os mais diversos gêneros, em atividades de leitura e escrita que possibilitassem aos alunos não apenas saber ler e escrever, mas saberem como e em que situações utilizar a língua, ou seja, que eles passem por um processo de letramento, o qual possa lhes permitir o exercício pleno de sua cidadania.</p> Cleciane Maria da Silva Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 45 54 FORMAS VELADAS DE CENSURA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62612 <p style="font-weight: 400;">Recentemente no Brasil, a obra literária de Jefferson Tenório, O avesso da pele (2020), foi retirada de escolas do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás. O fato ocorreu em 2024, a alegação foi de que o livro atentava contra estudantes menores de 18 anos por conta de linguagem imprópria. Uma reflexão sobre o acontecimento faz com que justamente o objetivo deste artigo seja verificar como se dá a censura a obras literárias no país. Metodologicamente, algumas obras em particular serão analisadas como é o caso de O avesso da pele, mas também de outras que têm sido alvo de registro de linguagem que contraria questões éticas de grupos que lutam contra o racismo, a exploração feminina, gêneros, entre outros, como é a colocação de objetos literários do passado, caso de Monteiro Lobato, por exemplo. Todas essas questões perpassam autores que se debruçaram sobre elas como Foucault (2009) que examina as relações de poder e controle social na sociedade, incluindo formas de censura e repressão. Em que pese o término do período ditatorial no Brasil em que muitas obras e espetáculos foram censurados, o resultado é que núcleos de poder continuam insistindo em determinar o que se pode ou não ler nas escolas, principalmente. São questões que exigem pensamento reflexivo por parte de editoras, de autores e de leitores.</p> Roseli Gimenes Jorgina Santos Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 55 75 UM OLHAR ECOSSOCIALISTA SOBRE 'MAN' DE STEVE CUTTS https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62417 <p>O curta-metragem "<em>Man</em>" (2012), de Steve Cutts, apresenta uma narrativa crítica visual incisiva à lógica do sistema capitalista e à alienação provocada pela sociedade de consumo. Este estudo tem como objetivo analisar as representações simbólicas da exploração ambiental e humana no filme, à luz dos princípios do ecossocialismo. Para isso, adota-se uma abordagem metodológica qualitativa, com base em análise bibliográfica e netnográfica, fundamentada nos aportes teóricos de Soares (2021) e Sousa (2021). A análise revela como o curta denuncia os efeitos desumanizantes da produção em massa e o descarte desenfreado de recursos naturais, elementos que remetem à crítica ecossocialista do modo de produção capitalista. Os resultados da análise apontam que, ao expor as contradições do progresso industrial, o filme se alinha a uma perspectiva ecossocialista que defende a justiça socioambiental, a superação das desigualdades e a construção de um modelo econômico baseado na sustentabilidade e na participação democrática. Assim, <em>Man</em> se configura como uma poderosa metáfora audiovisual que denuncia o colapso ambiental e social em curso, ao mesmo tempo em que convida à reflexão sobre alternativas possíveis e necessárias.</p> Carlos Eduardo do Vale Ortiz Sorhaya Chediak Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 76 90 O ENSINO DO GÊNERO DISCURSIVO BIOGRAFIA PELA ESTRUTURA POTENCIAL DO GÊNERO (EPG) https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62624 <p>O presente relato tem como objetivo compartilhar reflexões acerca da utilização da Estrutura Potencial do Gênero (EPG), uma teoria sistêmico-funcional para análise de gêneros discursivos, como recurso de ensino da língua portuguesa. Neste trabalho optou-se por trabalhar com o gênero biografia, ao qual analisamos os resultados alcançados durante a regência com turmas do terceiro ano do ensino médio. Essa experiência foi vivenciada durante a prática do estágio supervisionado II, requisito obrigatório e componente curricular do curso de Licenciatura em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa do Instituto Federal do Espírito Santo, campus de Venda Nova do Imigrante. O estágio ocorreu em uma unidade de ensino estadual do Espírito Santo em Venda Nova do Imigrante, no período de março a maio de 2023. Ao todo, alcançaram-se quarenta e cinco atividades (47) realizadas em grupos de três a quatro pessoas, as quais apenas vinte e nove (29) realizaram a estrutura: No&gt;(Dt)&gt;Pr&gt;Lg’*&gt;Ce&gt;(For)&gt;Or&gt;(Hb)&gt;Ob&gt;(Esc)&gt;(Div)&gt;(Col). Por meio dessa investigação, evidenciou-se que a atividade possui um grau de complexidade alto, já que dezoito (18) grupos não conseguiram realizar a fórmula do gênero, mesmo que conseguindo identificar enunciados com sentidos diferentes. Ficou evidente a predileção dos alunos pelas mesmas biografias, provavelmente por estrutura do texto mais acessível à sua leitura. Por fim, justifica-se essa experiência pela legitimação do texto como material de estudo.</p> Gabriel Magalhães Siston Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 91 101 (RE)VISITANDO SAUSSURE https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62640 <p>O presente texto oferece a quem lê um estudo prospectivo e epistemológico que envolve o sujeito e o fenômeno da linguagem neutra, linguagem não-binária ou ainda linguagem inclusiva, à luz da teoria saussuriana. Este trabalho, em especial, abarca a relação entre língua, linguagem e sujeito, principalmente tensionando obras que têm a autoria atribuída a Ferdinand de Saussure como, por exemplo, o Curso de Linguística Geral (CLG) e Escritos de Linguística Geral (ELG). Em suma, propõe-se aqui, um construto teórico, uma mobilização de teorias para questões atuais que envolvem a linguística, como a linguagem não-binária. Essa aproximação, perpassa os conceitos de língua, sociedade, sujeito e linguagem.</p> Arthur Marques de Oliveira Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 102 117 O PONTO DE VISTA EM "NÃO ME ABANDONE JAMAIS" https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62866 <p>O presente artigo discute o ponto de vista no romance <em>Não me abandone jamais</em> (2016), de Kazuo Ishiguro. Para tanto, apresentamos inicialmente uma discussão sobre o romancista e alguns de seus narradores, com base nos textos de Menand (2005), Lodge (2011) e Currie (2010). A partir de Serpell (2014) e Harpham (1999), ressaltamos brevemente como a literatura contemporânea problematiza ambiguidade e ética. Em seguida, discorremos sobre a construção do ponto de vista na ficção, norteados principalmente pelos textos de Leite (1997), Arrigucci Jr. (1998) e E. M. Forster. Por fim, interpretamos o ponto de vista no romance de Ishiguro, destacando a percepção falha da narradora, elemento fundamental para produzir sentidos ambíguos e ao mesmo tempo múltiplos na narrativa.</p> José Ailson Lemos de Souza Daniel Vítor de Souza Batista Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 118 130 A INFLUÊNCIA DA VARIEDADE LINGUÍSTICA NOS TEXTOS ACADÉMICOS EM ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE ZAMBEZE – FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62526 <p>Analisam-se neste artigo, construções retiradas em textos académicos produzidos pelos estudantes do ensino superior da Universidade Zambeze, Faculdade de Ciências Agrárias, em Moçambique. Este país possui mais de 40 línguas de grupo bantu segundo as estatísticas nos estudos de Wache (2018) passando assim a ser considerado como multilíngue, e esta diversidade linguística influencia em todos os níveis da Língua Portuguesa, por isso neste trabalho pretendemos perceber as influências destas variedades na vertente escrita em estudantes do Ensino Superior, para isto usamos a técnica de produção textual espelhando-se no género crítico. A escolha deste género justifica-se na reflexão que fariam no processo de produção de textos provenientes de suas capacidades cognitivas e no final teve-se um total de Cem (20) textos dos quais foram retiradas 16 frases para cada texto resultando em 326 construções linguísticas. Após a análise de dados, verificamos que os estudantes (1) não possuem o conhecimento da forma correcta na escrita de alguns léxicos, (2) fazem interferência da oralidade para escrita e (3) fazem a tradução directa da língua bantu para o português, e esses problemas podem ser associados, segundo Siopa (s/d) à falta de preparação adequada dos alunos na escola secundária por causa do enchimento de salas de aulas, à falta de bibliotecas comunitárias o que denominou por “deficiência escolar”, assim como o contacto constante do Português com as línguas do grupo bantu faladas em Moçambique.</p> Sousa Horácio Bartolomeu Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 131 146 L’ODEUR DU CAFÉ DE DANY LAFERRIÈRE https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62885 <p>O que é leitura literária em sala de aula de Francês Língua Estrangeira (FLE)? Entre emoção e criatividade, a leitura literária é, de fato, um lugar de formação, implícita ou explícita (Rouxel, 2004). Propondo uma comunicação literária (Albert; Souchon, 2000), a partir da leitura literária, sobre as relações entre o emissor, o texto e o receptor, o ensino de FLE torna-se mais flexível e mais “criativo”, aumenta o prazer na aprendizagem, suscitando uma reflexão sobre os modos de funções discursivas. Nesse sentido, este trabalho discute a relevância da literatura no ensino de FLE e apresenta um relato de experiência em sala de aula. Com esse foco, perguntamo-nos como trabalhar com o texto literário sem esvaziar sua pluralidade? Por que o texto literário tem um papel importante na aprendizagem de uma língua estrangeira? Quais textos escolher, com qual público e com que finalidade? Como dá-los aos alunos-leitores a ler e que atividades construir em torno deles? Como estabelecer uma relação afetiva entre os alunos e a obra? Para tanto, trabalhamos com o romance<em> L’odeur du café</em> (1991) de Dany Laferrière, escritor haitiano-canadense, e procuramos desenvolver e promover o gosto pela leitura, visando a comunicação literária, ao analisar a obra literária na sua literariedade e polissemia.</p> Christopher Rive St Vil Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 147 164 O RELATO ESCRITO COMO EXTENSÃO E APROFUNDAMENTO DO PREPARO DOCENTE https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62677 <p>Neste artigo, apresentamos uma discussão sobre a escrita de relatórios de estágio de professores em formação no ensino superior e a sua relação com a produção de conhecimento na universidade contemporânea. Para essa proposta, embasamo-nos em estudiosos como Volóchinov (2018), Bakhtin (2015), Todorov (1973), Ducrot (1987), AUTOR (2020), entre outros. Delimitamos que nosso objetivo geral procura demonstrar de que maneira a produção de conhecimento relaciona-se ao modo como se vinculam o que conceituamos como o “plano da narrativa” e o “plano da narração” do relato da aula, destacando a constituição linguístico-enunciativa do discurso nos textos produzidos. Dessa forma, ao fazermos o estudo de um excerto de relatório, mais especificamente, da narrativa da aula ministrada pelos estagiários, notamos que a utilização de determinados recursos linguísticos, apesar de sua aparente imprecisão descritiva, produz conhecimento sobre a forma como o estagiário concebe o ensino e aprendizagem e também conhecimento sobre os sujeitos participantes dessa interação, como o professor e o aluno, por exemplo.</p> Dione Márcia Alves de Moraes Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 165 178 A ESPERANÇA COMO FORMA DE PERMANECER COM O PROBLEMA NA DUOLOGIA PARÁBOLA DO SEMEADOR (1993) E PARÁBOLA DOS TALENTOS (1998), DE OCTAVIA BUTLER https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62888 <p>A partir de uma leitura crítica dos romances <em>A parábola do semeador</em> (1993) e <em>A parábola dos talentos</em> (1998), da autora norte-americana Octavia Butler (1947 – 2006), este artigo busca investigar as estratégias de sobrevivência de Lauren Oya Olamina, protagonista da duologia, para sobreviver ao mundo em ruínas - social e ambientalmente - descrito na narrativa. Para desenvolver essa reflexão, a análise será pautada nos estudos de Thomas Moylan (2000) e Raffaella Baccolini (2000; 2004; 2013) no que tange aos lugares de esperança das narrativas distópicas, com foco na maneira com a qual eles são criados e mantidos pelos personagens. Além disso, teremos base nas discussões de Donna Haraway (2023) sobre “permanecer com o problema” no Antropoceno e na necessidade de formularmos ações mais eficientes para se viver (e morrer) bem em um mundo devastado, como construir comunidades, alianças e parentescos para além dos familiares. Sendo assim, neste trabalho, defendemos que devemos aprender a lidar com as questões que a crise evoca, sem fugir delas. Pelo contrário, na verdade, utilizando os recursos e as condições oferecidos por esse cenário.</p> Milena Zard Marina Pereira Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 179 196 AS FILHAS DAS LAVADEIRAS (2002), DE HELENA DO SUL https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/64712 <p>A partir de As filhas das lavadeiras (2002), de Helena do Sul, esta análise examina as representações da maternidade negra na literatura brasileira, com foco nos eixos do trabalho e da dororidade (Piedade, 2017). Maria Helena Vargas da Silveira é uma escritora negra, nascida em Pelotas- RS, que publica sua primeira obra aos 40 anos de idade. Enquanto a maternidade branca se vincula ao ideal de sacralidade e confinamento, a maternidade negra é marcada pelo papel de provedora e pela luta contra opressões de raça, classe e gênero. Com base em Badinter (1985) para discutir o "mito do amor materno"; Evaristo (2005) pelo conceito de escrevivência; e Gonzalez (1982), Oyewumi (2021) e Piedade (2017) sobre as vivências de mulheres negras, a obra evidencia como essas mães constroem identidades a partir da resistência e solidariedade. Ao romper estereótipos, Helena do Sul ressignifica a maternidade no campo literário, valorizando as histórias das lavadeiras e destacando a importância de compreender essas experiências na formação da identidade cultural brasileira.</p> Dênis Moura de Quadros Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 197 212 A SIMBOLOGIA DAS HORCRUXES NA SAGA HARRY POTTER https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/66356 <p>Este artigo consiste no estudo dos símbolos da (i)mortalidade na saga <em>Harry Potter, </em>de Joanne Kathleen Rowling. Enquanto ainda era um bebê, Harry, um jovem bruxo inglês, sofreu uma terrível perda: a morte de seus pais. Desde então, o garoto tem sido submetido a duros testes de sobrevivência, de bravura e de caráter. A morte, para muitos, não significa apenas o fim, mas o início de uma era desconhecida e, por isso, os humanos a temem. Assim, esta pesquisa consiste na análise dos arquétipos da morte que ameaça constantemente a vida do garoto; das diversas simbologias das <em>Horcruxes</em>, objetos que, por intermédio de magia negra, são capazes de aprisionar parte de uma alma dividida e manter a essência do ser vivo independente do que ocorra com o seu corpo. Tais elementos, que subsistiram pelos séculos, representam para seus detentores a possibilidade de viver eternamente. Diante disso, este estudo pretende discutir as representações da mortalidade e da imortalidade através desses símbolos, ponderando sobre como a literatura prepara o homem para seu fim através da discussão sobre o medo da morte; e como a ficção encontra meios de transgredir a lei absoluta do fim criando alegorias para uma imortalidade almejada pelo homem frente à sua finitude. Como aporte teórico, utilizou-se Assy (2007), Cirlot (1984), Chevalier e Gheerbrant (2009), Colbert (2001), Pelisoli (2006), Pignatari (2004) e Santaella (1986).</p> Paulo Henrique Santos Nunes Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 230 241 LÓGICA E CONTRADIÇÃO EM UMA LEITURA DE “O SENHOR VALÉRY”, DE GONÇALO M. TAVARES https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62997 <p>O objetivo do presente trabalho é analisar o romance <em>O senhor Valéry</em> (2002; no Brasil, publicado com o acréscimo do sintagma “e a lógica”), do romancista contemporâneo português Gonçalo M. Tavares. Ele pertence a uma coleção intitulada “O bairro”, na qual o autor opta por homenagear diferentes ficcionistas e intelectuais. No caso do volume em questão, o protagonista é representado como um indivíduo que preza pela racionalidade a todo tempo, até mesmo nas situações mais corriqueiras. O desenho, inclusive, é utilizado como recurso que dá suporte às manifestações racionais em muitos momentos, como será mostrado. Porém, essa aparente fidelidade à lógica é quebrada paulatinamente, até o trecho final do livro, em que palavra e imagem se aliam para evidenciar o desmoronamento de qualquer certeza. Pretendemos focalizar três capítulos da obra, mostrando como, neles, a lógica esboçada no título e ao longo das páginas se mostra, em verdade, rompida. Por extensão, desejamos mostrar como o protagonista parece sofrer com um deslocamento e uma não-identificação pessoal que se aproximam muito do dilema do indivíduo na sociedade contemporânea.</p> Mariana Neto Silva Andrade Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 242 263 CORPOS EM DIFERENTES SITUAÇÕES https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62947 <p>O presente artigo tem como objetivo analisar os corpos e as diferentes situações a que são expostos dentro da narrativa <em>O riso dos ratos</em> (2021), de Joca Reiners Terron. Para a exploração da ideia de corpo, o texto parte das teorias de Foucault (2013) e Le Breton (2007). Com a análise, e a partir das ideias de Foster (2005), é possível observar que diferentes corpos foram submetidos a diferentes tipos de violência.</p> Alfeu Sparemberger Larissa Gonçalves Medeiros Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 264 276 ASPECTOS DA VOZ NARRATIVA EM “NO POMAR”, DE VIRGINIA WOOLF https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62623 <p>Esse artigo visa analisar o conto “No pomar” (2023), de Virginia Woolf, tendo como foco a natureza do narrador. O conto compõe-se de três seções que narram uma mesma cena utilizando perspectivas diferentes. Observaremos quais técnicas são utilizadas e quais são os impactos desses usos na interpretação do texto. Um das problemáticas a serem desenvolvidas nesse artigo baseia-se no modo como o narrador woolfiano parece distanciar-se da perspectiva humana, narrando a natureza pela natureza. Investigar-se-á, portanto, os códigos que identificam os diferentes tipos de narrador, como o de uma perspectiva não-humana da natureza, e como a forma do conto está imbricada ao seu conteúdo. Como fundamentação teórica serão utilizadas as obras de Susan Lanser (1992) para discutirmos o caráter da voz narrativa empregada por Woolf, e como isso se reflete na representação da natureza na obra; e <em>The Modernist Anthropocene</em> (2022) do Peter Adkins, para formular como se dá a caracterização do não-humano na obra da autora. Com fins de discutir as estruturas do conto, partiremos de Piglia (2004), para pensar de que forma Virginia Woolf subverte a máxima do autor de que todo conto apresenta duas tramas/histórias, e no que essa subversão implica para a leitura da obra. Se para o autor o conto narra duas histórias, argumentamos que nesse texto em específico Virginia Woolf entrecruza mais de duas tramas, sob uma perspectiva não-humana, buscando uma alternativa experimental, ao invés de seguir a tradição, para tecer uma narrativa, da nossa perspectiva, antiautoritária, nas palavras de Lanser (1992).</p> Lucas Leite Borba Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 277 288 ORAÇÕES CONDICIONAL-CONCESSIVAS COM "NEM SE" À LUZ DA LINGUÍSTICA FUNCIONAL https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62944 <p>O presente artigo intenta apresentar uma descrição das construções condicional-concessivas instanciadas por <em>nem se</em>, licenciadas pelo subesquema [ X + SE ]<sub>cond conc </sub>no português dos séculos XVIII e XIX. Teoricamente, busca-se verificar o tratamento oferecido pela Gramática Tradicional à classe das conjunções e do período composto por subordinação, de modo geral, e às orações condicionais e concessivas, de modo particular. Em paralelo a isso, este estudo pauta-se nos pressupostos da Linguística Funcional de vertente norte-americana e no modelo Construcional (Goldberg, 1995), que compreendem a língua como um sistema adaptativo complexo constituído por padrões mais ou menos regulares (Bybee, 2016). A partir da análise de usos efetivos extraídos do <em>Corpus do Português</em> e da conjugação de aspectos formais e funcionais, visa-se caracterizar esses construtos de maneira holística, a fim de captar usos mais ou menos prototípicos no escopo de análise observado. Os resultados encontrados demonstram que essas ocorrências utilizam, frequentemente, formas verbais passadas (como o pretérito imperfeito do subjuntivo), que estão relacionadas, nos níveis semântico e pragmático, à distância e à avaliação epistêmica do locutor frente ao conteúdo enunciado e à expressão de funções como réplica e ironia.</p> Amanda de Lira Santos Douglas Gonçalves de Souza Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 289 311 O FUNCIONAMENTO DISCURSIVO DE CORPO E DE SUJEITO NOS QUADRINHOS https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62931 <p>As histórias em quadrinhos constituem um excelente lugar para compreender como os sentidos são produzidos sobre diferentes questões sociais, históricas e ideológicas, a partir de sua constituição. Assim, analisar como o corpo constitui sujeitos e sentidos a partir do traço, das cores, das imagens dos quadrinhos é também é refletir sobre o social e a resistência que constitui esses sujeitos e seus corpos. O objetivo deste estudo, portanto, é compreender o funcionamento discursivo do corpo e do sujeito na produção quadrinística: <em>Nos olhos de quem vê, </em>de Helô D’Angelo (2023). O delineamento metodológico adotado é a Análise de Discurso, que tem como precursores Michel Pêcheux, na França, e Eni Puccinelli Orlandi, no Brasil. Observamos, na obra analisada, que as posições-sujeitos se colocam a partir da constituição de um corpo para as mulheres e também a partir de uma escuta sobre a voz do outro. Corpo, voz marcando a resistência dos sujeitos diante dos discursos sobre si, que materializam nos quadrinhos vivências, sentimentos que a constitui, numa dualidade, enquanto sujeito-mulher e sujeito-quadrinista, artista que coloca na arte a sua dor, a sua experiência, o seu olhar em relação ao mundo, para assim encontrar outras vozes, outras formas de significar pela língua e pela arte.</p> Fernanda Surubi Fernandes Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 312 326 ANÁLISE DO DISCURSO HOMOFÓBICO EM PÁGINAS DO INSTAGRAM SOB UMA PERSPECTIVA SEMÂNTICO-PRAGMÁTICA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/63001 <p>Este estudo tem por objetivo, analisar como a homofobia é manifestada, disseminada e naturalizada na internet, considerando as variações semânticas que permeiam os discursos e as formas pelas quais os indivíduos empregam a linguagem para expressar preconceitos e discriminação contra a comunidade LGBTQIAPN+. São abordadas as contribuições teóricas de Erving Goffman, J. L. Fiorin e Gregory Bateson. Goffman (2021) discute o conceito de estigma e como a sociedade categoriza as pessoas e estabelece normas que favorecem alguns grupos em detrimento de outros. Fiorin (1998) explora as relações entre linguagem e ideologia, bem como argumenta que a linguagem é veículo de ideologias e molda os discursos de acordo com as determinações ideológicas da sociedade. Gregory Bateson (1972) enfatiza a importância do contexto na compreensão dos enunciados e ações, ao introduzir o conceito de enquadres comunicativos e compará-los à moldura de um quadro, que define o que é relevante para a análise. A pesquisa é de natureza explicativo-descritiva e de cunho qualitativo. Trinta e cinco comentários foram selecionados e analisados à luz das teorias estudadas para identificar e categorizar os implícitos relacionados à homofobia. A análise revelou a influência da ideologia na disseminação de estigmas e na formação do discurso coletivo online, o que reforça a necessidade de leis eficazes contra comentários homofóbicos nas redes sociais.</p> Hemerson Brenner de Souza Silva Claudia Assad Alvares Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 327 344 UM ESTUDO SOBRE MEMÓRIA, IDENTIDADE E CONSCIÊNCIA DE SI https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62692 <p>O presente artigo analisa como se desenvolve a identidade do estigmatizado através da memória reflexiva, utilizando o personagem August Pullman como estudo de caso representado no best-seller<em> Extraordinário</em> (2013), escrita pela autora estadunidense R. J. Palacio. Os objetivos específicos incluem a avaliação de como o estigma social da deformidade facial de August afeta sua identidade e interações sociais; examina a influência das memórias pessoais e das narrativas coletivas sobre sua autoimagem; analisa como as lembranças moldam seu desenvolvimento pessoal e investiga o papel das relações afetivas na resiliência e construção de sua identidade. Para mais, o método analítico utilizado é de caráter bibliográfico e tem como base os pressupostos sobre Identidade dos antropólogos Joël Candau (2011) e Erving Goffman (1963). Também se usou como apoio Maurice Halbwachs (2006) e Aleida Assman (2011). Tendo em vista que se trata de um literatura infanto-juvenil, a autora usa uma linguagem simples, acessível, envolvente e dinâmica, trazida através da visão de um olhar mais inocente e infantil. Apesar dos temas sérios, o livro usa humor leve e momentos de empatia para equilibrar a narrativa e tornar a leitura agradável e envolvente.&nbsp; Os resultados deste estudo destacam como a memória é crucial no enfrentamento de traumas, bullying e preconceito, evidenciando o papel essencial das lembranças e do afeto na superação de adversidades e na construção de uma autoimagem positiva e autêntica.</p> Mariana Lima Costa Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 345 362 REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DE DIRETORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA SOBRE LEITURA E ESCRITA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/68002 <p>O presente texto fundamenta-se nos pressupostos da Teoria das Representações Sociais (TRS), de Serge Moscovici (1925-2014), e tem como objetivo analisar as representações sociais (RS) de diretoras da educação básica sobre o ensino e aprendizagem de leitura e escrita nos nonos anos do ensino fundamental. A pesquisa, de caráter qualitativo, utilizou como base teórica a TRS (Moscovici, 2015) e foi conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas com duas diretoras da rede pública de ensino. Os dados foram organizados com base na análise de conteúdo, conforme Bardin (2016). Os resultados apontam que, para as diretoras, a leitura e a escrita são percebidas como competências essenciais para a formação dos estudantes, frequentemente associadas ao desempenho escolar e aos índices de avaliação externa. Contudo, observamos certa distância entre o discurso e as práticas efetivas de incentivo à leitura e à escrita, revelando tensões entre as concepções pedagógicas e as demandas burocráticas da gestão. Concluímos que as RS das diretoras sobre leitura e escrita influenciam diretamente as ações desenvolvidas nas escolas, sendo, portanto, fundamentais para a construção de práticas pedagógicas mais integradas e significativas.</p> Lucilia Vernaschi de Oliveira Solange Franci Raimundo Yaegashi Bethânia Vernaschi de Oliveira Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 363 385 SUBVERSÃO E RESISTÊNCIA EM QUERIDA KONBINI, DE SAYAKA MURATA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62895 <p>Neste trabalho será explorado como a narrativa <em>Querida Konbini</em>, de Sayaka Murata, oferece uma perspectiva peculiar sobre a experiência social das mulheres no Japão. A obra é narrada em primeira pessoa a partir da perspectiva da personagem Keiko Furukura, uma mulher de 36 anos, solteira, funcionária de uma Konbini (loja de conveniências no Japão) e que nunca teve um relacionamento amoroso. No decorrer da pesquisa, será exemplificado quais são as características de Keiko que fazem dela uma figura incomum, considerada desajustada em relação à performance esperada de uma mulher e como essas características se tornam elementos de resistência e subversão. Com intuito de embasar as discussões sobre os moldes femininos esperados dentro da sociedade japonesa no romance de Murata, serão utilizadas as pesquisas de Hafizh e Herlina (2022). Sobre as questões de gênero, performance e padronização dos corpos, serão utilizadas as reflexões de Judith Butler (2019) e, com relação ao papel do trabalho da personagem em uma loja de conveniência como representação de autonomia, será levada em consideração a pesquisa de Nicolai (2018). A partir das análises feitas, constatou-se como a personagem Keiko desafia os estereótipos de gênero impostos no contexto sociocultural japonês por meio de comportamentos particulares e considerados subversivos. </p> Joana Tainá Batista Costa Algemira de Macêdo Mendes Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 386 396 FAMÍLIA OU FAMÍLIAS? https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62968 <p>Este artigo, de base qualitativa e caráter interpretativo, busca entender que memórias nutrem o discurso político atual e que inflamam condições de produção discursiva reprodutoras de estigmas que violentam por meio da linguagem, especificamente por meio de rótulos sócio-histórico-culturais impostos à mulher mãe. Alinhado aos Estudos sócio pragmáticos do discurso, à Análise do discurso e aos Estudos dialógicos do discurso, buscamos analisar as razões pelas quais se legitima e se endossa o discurso, veiculado em redes sociais, da ex-deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP) sobre o Projeto de lei 3717/2021 que prevê prioridade a mães solo em políticas sociais e econômicas no Brasil. No teor do enunciado foco neste trabalho, a ex-parlamentar desconsidera como família aquela composta apenas pela mãe e seus filhos. Com base na nossa análise, entendemos que o contexto de ascensão dos grupos de extrema-direita desde 2014 deu chancela para que seus apoiadores reproduzissem discursos de exclusão, sexismo e machismo, pois criaram situações de poder que foram naturalizadas, razão pela qual uma deputada, advogada, doutora em Direito, ainda que tenha trazido discurso inconstitucional, fosse aplaudida por grande parte dos seus (e)leitores.</p> Michela Ribeiro Espindola Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 397 408 SYMPATHY FOR THE DEVIL https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62896 <p>Esse trabalho foi desenvolvido com base no estudo da intertextualidade e existente entre a canção <em>Sympathy for the devil, </em>dos <em>The Rolling Stones </em>e o romance <em>O mestre e Margarida, </em>do escritor russo, Mikail Bulgakov. Além disso, a alegoria presente na obra da banda inglesa também se mostrou pertinente ao objeto desse estudo. No decorrer da pesquisa, verificou-se que a intertextualidade, classificada por Hutcheon (2013) como uma relação dialógica entre dois textos, no que tange à adaptação, não cessa entre essas duas obras quando se trata de relação intertextual. Assim, a intertextualidade escapa da poesia de Jagger e do romance de Bulgakov; se estende também ao romance <em>O Evangelho Segundo Jesus Cristo, </em>de José Saramago, o drama, <em>Fausto, </em>de Goethe além de adentrar a textos religiosos como a <em>Bíblia, </em>entre outros. Percebe-se que a relação de referências e citações entre produções literárias mostra-se infinita; que para a intertextualidade não existem fronteiras de gêneros literários, estilos, épocas, recursos linguísticos etc. Quanto à alegoria, Cândido (2003) afirma ser o modo que pressupõe a tradução da linguagem figurada por meio de elucidações invariáveis propositalmente definidas pelo autor e inerentes a um sistema ideológico que transforma o texto num segundo texto produzido pela leitura.</p> Luiz Sérgio Alzair Alzão Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 409 421 EDITORIAL 37 https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/71255 Naiara Santana Pita Bruno Ferreira Vicente Adriane Souza Viana Ana Rita Carvalho de Souza Murilo de Sousa Pereira Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 I IX LINGUÍSTICA TEXTUAL E INTERAÇÃO DIGITAL, DE ISABEL MUNIZ-LIMA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/66415 <p>Este manuscrito apresenta uma resenha do livro <em>Linguística Textual e Interação Digital</em>, autoria de Isabel Muniz-Lima. Organizada em quatro capítulos, a obra versa sobre o redimensionamento da noção de interação no contexto digital a partir de diálogos interdisciplinares. Numa análise dos fatores tecnolinguageiros, da interatividade e da dimensão multissemiótica, as discussões da obra evidenciam o papel da mídia e do suporte na coconstrução de sentidos. A pesquisa afirma-se como um contributo significativo aos estudos em Linguística Textual e ao ensino de Língua Portuguesa, ao possibilitar o alargamento das linhas de discussões acerca da linguagem diante da emergência imposta pelo contexto digital.</p> Amanda Mikaelly Nobre de Souza Lidiane de Morais Diógenes Bezerra Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 463 467 A IMPORTÂNCIA DE DESMISTIFICAR INFORMAÇÕES FALSAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62932 <p>O presente relato descreve a experiência no projeto de extensão <em>“Na minha escola Fake News não se cria – e a Linguística Cognitiva explica o porquê</em>”, promovido pela Universidade Federal da Paraíba e coordenado pelo professor Tiago de Aguiar Rodrigues. Implementado na ECIT Professor Antônio Gomes, em Bayeux-PB, o projeto busca enfrentar a proliferação de desinformação entre estudantes do Ensino Médio. Em resposta à disseminação intensa de <em>Fake News</em> nas redes sociais, a iniciativa ofereceu uma abordagem pedagógica destinada a capacitar os alunos na detecção e análise crítica de informações falsas. A metodologia incluiu oficinas quinzenais que exploraram a desinformação sob várias formas, como notícias, memes e textos científicos. O planejamento visou criar uma experiência imersiva e educativa, aprofundando a compreensão dos alunos sobre desinformação. Para fundamentar o projeto, foram utilizados referenciais teóricos <em>como a obra de Bentes e Santos (2023), que discute as Fake</em> <em>News</em> como produção textual suspensiva e seus impactos sociais, além das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), que ressaltam a importância de uma educação digital segura e crítica. Outro referencial importante foi o trabalho de Cortina (2020), que define os textos de divulgação científica e sua relevância na formação crítica dos alunos, bem como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1998), que destacam o desenvolvimento cognitivo e investigativo dos estudantes. O retorno dos participantes foi muito positivo, evidenciando a eficácia das oficinas em aprimorar a visão crítica sobre <em>Fake News</em>.</p> Ana Clara Demétrio Oliveira Amanda Costa Bedregal Tiago de Aguiar Rodrigues Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 442 451 COMUNICAR NÃO É APENAS PUBLICAR ARTIGOS https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62225 <p>O presente relato de experiência tem como objetivo discutir a apresentação de achados de pesquisa científica por meio de uma comunicação pública voltada para uma audiência leiga, incluindo tanto participantes quanto não participantes de uma pesquisa principal. O estudo, centrado nas implicações do uso de redes sociais na saúde mental de adolescentes, optou por um modelo de devolutiva baseado em rodas de conversa, proporcionando um espaço para debate e validação social dos resultados. A pesquisa original envolveu pais e responsáveis, examinando suas percepções sobre os benefícios e malefícios das redes sociais por adolescentes e quem deveria ser responsável pelo controle desse uso. As rodas de conversa permitiram uma troca que alinhou ciência e experiência pessoal, e ressaltou a importância de estratégias de comunicação que evitem a simplificação excessiva e a exclusão de grupos vulneráveis. A análise destacou dois paradoxos da divulgação científica: o "Efeito de Facilidade", que pode diminuir a credibilidade da informação simplificada, e a "Violência Epistemológica", que exclui grupos sociais vulneráveis. A solução proposta envolve manter uma postura reflexiva e apresentar dados de maneira detalhada. A experiência relatada serve como um modelo para a integração de métodos de comunicação científica com práticas inclusivas, sugerindo que futuras pesquisas aprofundem essas práticas e explorem novas formas de engajamento comunitário e validação comunicativa.</p> Ramiro Rodrigues Coni Santana Bianca Alves Dantas Idylla Katheryn Santos Costa Luciana Guerra Conceição Isabela da Silva Casales Thiago Viana de Lucena Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 452 462 A GRÁVIDA E A PARIDA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/62629 <p>Neste ensaio, analisamos os aspectos narrativos que se interseccionam na discriminação sofrida pelas personagens Flora (grávida) e Eduarda (parida) em um período de transformação do corpo feminino e fragilidade emocional. O pré-parto é representado em <em>The Anatomy Lesson: A novel</em>, escrito pela novaiorquina Nina Siegal (2014), que ambientaliza a narrativa no século XVII, especificamente no ano 1632; já o pós-parto é representado por meio da morta personagem, Eduarda, em <em>Este é o Meu Corpo</em>, da escritora portuguesa Filipa Melo (2004). Apesar de estarem localizados em épocas e regiões diferentes nas narrativas – uma grávida holandesa do século XVII (Siegal, 2014), e uma mulher puérpera do século XX (Melo, 2004) – as relações de exclusão e desrespeito são determinantes, visto que a grávida (Flora) é desprovida do direito de ser uma gestante admirável, por ser a companheira de um ladrão condenado – injustamente – à morte; e a parida (Eduarda) é destituída do direito de ficar <em>ilnesses </em>(adoecida), por não aceitar a maternidade, mesmo tendo um histórico de sofrimento com a insensibilidade do pai, o descaso do companheiro com a gravidez e o assassinato desumano em que se finda. Assim, a partir do estudo comparativo entre as obras e a intertextualidade da medicina ginecológica, apoiados em Stelet (2021), Brasil (2001), Butler (2016) e Agamben (2002, 2005), poderemos compreender os encontros que dessubjetivam as personagens Eduarda (Melo, 2004) e Flora (Siegal, 2014), que avalizam a desumanização no período gestacional das mulheres que acompanha a história da medicina, visto que, o parto era tido como um trabalho eminentemente feminino — sempre efetivado em ambiente doméstico — ocorrendo pela ausência de profissionais técnicos, isento de acompanhamento médico.</p> Camila Maria Araújo Igor Rossoni Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 422 430 POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA INCLUSIVA https://periodicos.ufba.br/index.php/inventario/article/view/63316 <p>Este ensaio propõe uma reflexão crítica sobre os desafios e contradições enfrentados pela universidade pública brasileira na atualidade, em especial diante da expansão da lógica mercantil no ensino superior, da desvalorização das humanidades e da precarização da educação por meio da educação a distância. A partir de uma abordagem teórico-reflexiva, fundamentada em pesquisa bibliográfica, o texto articula debates sobre a função social da universidade, as políticas públicas de inclusão, a extensão universitária, as epistemologias plurais e as metodologias críticas. Argumenta-se que a democratização do acesso precisa estar acompanhada da valorização de diferentes formas de conhecimento e de práticas pedagógicas comprometidas com a justiça social, a diversidade epistêmica e a transformação da realidade.</p> Leonardo Alves Copyright (c) 2025 Inventário 2025-11-30 2025-11-30 37 431 441