PROSA E IRONIA ROMÂNTICA

REPERCUSSÕES DE "NOITE NA TAVERNA" NOS LIVROS DIDÁTICOS DE ENSINO MÉDIO

Autores

  • Edson José Rodrigues Júnior PPGL/UFPE

Palavras-chave:

ironia romântica, Noite na taverna, livro didático

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo averiguar se a ironia romântica é abordada nos livros didáticos de língua portuguesa com atenção adequada à sua importância para o movimento romântico na literatura e para a obra de Álvares de Azevedo. Para tanto, analisamos qualitativamente três coleções de LDs para ensino médio aprovadas no mais recente PNLD, de 2018: Português: contexto, interlocução e sentido (ABAURRE; ABAURRE; PONTARA, 2016); Se liga na língua (ORMUNDO; SINISCALCHI, 2016) e Esferas das linguagens (CAMPOS, ASSUMPÇÃO, 2016). Alicerçamos nossa pesquisa nas discussões de Schlegel (1987; 1997), Medeiros (2014; 2015) e Volobuef (1999) sobre a ironia romântica schlegeliana; de Alves (1998) sobre a ironia romântica em Álvares de Azevedo; de Candido (1987; 2002) sobre a obra alvaresiana. A partir da análise do corpus, concluímos que a ironia romântica e sua importante presença em Noite na taverna recebem reflexão exígua e limitada pelos livros didáticos. Nenhuma das coleções examinadas relacionou a ironia e a metarreflexão alvaresiana à sua novela. Além disso, nenhuma delas sequer tangenciou a real substância da ironia romântica tal como preconizada por Schlegel, tampouco atribuiu a ela sua devida relevância para a série literária romântica. Apenas Esferas das linguagens se aproximou de um estudo mais aprofundado da ironia em Álvares de Azevedo, mas, corroborando nossa hipótese, o fez apenas a partir da poesia.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Edson José Rodrigues Júnior, PPGL/UFPE

Mestrando em Teoria da Literatura pelo Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco (PPGL/UFPE).

Referências

ABAURRE, M.L.; ABAURRE, M. B.; PONTARA, M. Português: contexto, interlocução e sentido – vol. 2. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2016.

ALVES, C. O belo e o disforme: Álvares de Azevedo e a ironia romântica. São Paulo: EDUSP, 1998.

AZEVEDO, A. Noite na taverna; Macário. 3. ed. São Paulo: Martin Claret, 2011.

_____. Lira dos vinte anos. São Paulo: Martin Claret, 2006.

CAMPOS, M.I.; ASSUMPÇÃO, N. Esferas das linguagens – 2º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2016.

CANDIDO, A. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1987.

_____. O romantismo no Brasil. São Paulo: Humanitas FFLCH/USP, 2002.

CHEVALLARD, Y. La transposition didactique: du savoir savant au savoir enseigné. Paris: La Pensee Sauvage, 1991.

CUDDON, J. A. Dictionary of Literary Terms and Literary Theory. London: Penguin Reference Books, 1999.

HANSEN, J. A. Forma romântica e psicologismo crítico. In: ALVES, C. O belo e o disforme: Álvares de Azevedo e a ironia romântica. São Paulo: EDUSP, 1998.

MEDEIROS, C. L. A forma do paradoxo: Friedrich Schlegel e a ironia romântica. Revista Transformação, vol. 37, n 1., Marília, Jan./Abr. 2014.

_____. A crítica literária de Friedrich Schlegel. Tese (Doutorado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015.

ORMUNDO, W.; SINISCALCHI, C. Se liga na língua: literatura, produção de texto e Linguagem – vol. 2. 1. ed. São Paulo. Moderna. 2016.

SCHLEGEL, F. O dialeto dos fragmentos. Tradução de Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 1991.

_____. Fragmentos da Athenaeum (Excertos). In: LOBO, L. (org.), Teorias poéticas do romantismo. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987.

SUZUKI, M. O gênio romântico: crítica e história da filosofia em Friedrich Schlegel. São Paulo: Iluminuras, 1998.

VOLOBUEF, K. Frestas e arestas: a prosa de ficção do romantismo na Alemanha e no Brasil. São Paulo: Editora UNESP, 1999.

WELLEK, R. História da crítica moderna. Tradução de Lívio Xavier. São Paulo: EDUSP, 1967.

Downloads

Publicado

2021-09-06

Edição

Seção

Artigos