Por conta do desassossego que tem causado na praça da Bahia

tráfico, ultimatos e apreensões no Atlântico (1810-1815)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/aa.v0i65.44950

Palavras-chave:

Apreensões, Bahia, Comércio negreiro, Atlântico, Costa da Mina

Resumo

Este artigo discute as primeiras interferências de cruzadores ingleses no comércio transatlântico de escravizados realizado por negociantes baianos entre 1811 e 1815. Entre outros aspectos,  analisa-se as tensões geradas e os prejuízos causados ao comércio da Bahia em virtude de apreensões, julgamentos e condenações de embarcações negreiras na rota Salvador-Costa da Mina. Tais ações foram realizadas pelos britânicos sob a alegação de defesa do compromisso firmado no artigo X do Tratado de Aliança e Amizade, assinado 1810 entre Portugal e Inglaterra, no qual o governo português assumiu o compromisso de, gradualmente, pôr fim ao comércio de escravizados em seus domínios.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Paulo Cesar Oliveira de Jesus, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Graduado, mestre e doutor em História pela Universidade Federal da Bahia. Desde 2006 é Professor de História da Bahia n Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Tem interesse na área de História do Brasil entre os séculos XVI- XIX, especificamente nos seguintes temas: Bahia, sociedade, política e economia (comércio transatlântico de escravizados africanos).

Referências

ALEXANDRE, Valentim. Os sentidos do Império: questão nacional e questão colonial na crise do Antigo Regime Português, Porto: Afrontamento, 1993.

BETHELL, Leslie. A abolição do comércio brasileiro de escravos: a Grã-Bretanha, o Brasil e a Questão do Comércio de Escravos. 1807-1869, Brasília, Editora do Senado Federal, 2002.

BONAVIDES, Paulo e Amaral, Roberto. Textos políticos da História do Brasil. Brasília: Senado Federal, 2002, vol. I, p. 410.

CANDIDO, Mariana P. Negociantes baianos no porto de Benguela: redes comerciais unindo o Atlântico setecentista. In: GUEDES, Roberto (org.). África, brasileiros e portugueses – séculos XVI-XIX. Rio de Janeiro: Mauad, 2013.

CARVALHO, Marcus J. M. Estimativa do tráfico ilegal de escravos para Pernambuco. CLIO – Revista de Pesquisa Histórica, Recife, n. 12, p. 43-54, 1989.

CARVALHO, Marcus J. M. O cálculo dos traficantes: o tráfico atlântico de escravos para Pernambuco (1831-1850), RIHGB, Rio de Janeiro, vol. 158, n. 396, p. 907-942, jul.-set. 1997.

CHALHOUB, Sidney. A força da escravidão: ilegalidade e costume no Brasil oitocentista. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

CONRAD, Robert E. Tumbeiros: o tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1985.

COSTA, Emilia Viotti da. Da senzala à colônia. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1989.

CURTIN, Philip D. The Atlantic slave trade. A census. Madison: University of Wisconsin

Press, 1969.

ELTIS, David; BEHRENDT Stephen D.; RICHARDSON, David P.; KLEIN, Herbert S. The

Transatlantic Slave Trade: A Database on CD-ROM. Nova York, 1999.

FERREIRA, Roquinaldo. Biografia, mobilidade e cultura Atlântica: a micro-escala do tráfico de escravos em benguela, séculos XVIII-XIX. Tempo, Niterói, vol. 10, n. 20 (Dossiê África), p. 33-59, jan. 2006.

FERREIRA, Roquinaldo. Brasil e Angola no tráfico Ilegal de Escravos, 1830-1860. In: PANTOJA, Selma; SARAIVA, José Flávio S. (orgs). Angola e Brasil nas Rotas do Atlântico Sul. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999, p. 143-224.

FERREIRA, Roquinaldo. Dos Sertões ao Atlântico: Tráfico Ilegal de Escravos e Comércio Lícito em Angola, 1830-1860. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1997.

FLORENTINO, Manolo. Em costas negras: uma história do tráfico de escravos entre a África e o Rio de Janeiro: séculos XVIII e XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

GOULART, Maurício. A escravidão africana no Brasil: das origens à extinção do tráfico. São Paulo, Editora Alfa-Ômega, 1975.

KLEIN, Herbert S. O tráfico de escravos africanos para o porto do Rio de Janeiro, 1825-1830. Anais de História. São Paulo, ano 5, p. 85-101, 1973.

MALHEIRO, Agostinho Marques Perdigão. A escravidão no Brasil: ensaio histórico- jurídico-social. São Paulo: Cultural, 1944.

MAMIGONIAN, Beatriz Gallotti. A proibição do tráfico atlântico e a manutenção da escravidão. In: GRINBERG, Keila; SALLES, Ricardo (orgs). O Brasil imperial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. p. 207-233.

MARQUES, João Pedro. Os Sons do Silêncio: o Portugal de Oitocentos e a Abolição do

Tráfico de Escravos. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais, 1999.

PARRON, Tâmis. A política da escravidão no Império do Brasil, 1826-1865. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.

REDIKER, Marcus. The slave ship: a human history. New York: Penguin, 2008. REIS, João José. Identidade e diversidade étnica nas irmandades negras no tempo da escravidão. Tempo, Niterói, vol. 2, n. 3, p. 199-242, 1997.

REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos; CARVALHO, Marcus J. M. de. O alufá Rufino: escravidão, tráfico e liberdade no atlântico negro (1822 a 1853). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

REIS, João José. Há duzentos anos: a revolta escrava de 1814 na Bahia. Topoi. Rio de Janeiro, vol. 15, n. 28, p. 68-115, 2014.

RIBEIRO, Alexandre Vieira. O tráfico atlântico de escravos e a praça mercantil de Salvador. 1680-1830. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2005.

RIBEIRO, Alexandre Vieira. A cidade de Salvador: estrutura econômica, comércio de escravos, grupo mercantil (1750-1800). Tese (Doutorado em História), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009.

RODRIGUES, Jaime. O infame comércio: propostas e experiências no final do tráfico de africanos para o Brasil (1800-1850). Campinas: Unicamp, 2000.

RODRIGUES, Jaime. De costa a costa: marinheiros e intermediários do tráfico negreiro de Angola ao Rio de Janeiro (1780-1860). São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

RODRIGUES, José Honório. Brasil e África: outro horizonte. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

SILVA, Alberto Costa e. Francisco Félix de Souza: mercador de escravos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

SILVA, Maria Beatriz Nizza da. A primeira gazeta da Bahia: Idade d’Ouro do Brazil. Salvador: Edufba, 2011.

TAVARES, Luís Henrique Dias. Comércio proibido de escravos. São Paulo: Ática,1988.

VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benim e a Bahia de Todos os Santos dos séculos XVII a XIX. São Paulo: Corrupio, 2003. VERGER, Pierre. Notícias da Bahia - 1850. Salvador: Corrupio, 1981.

XIMENES, Cristiana Ferreira. Joaquim Pereira Marinho: perfil de um contrabandista de Escravos na Bahia, 1827-1887. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1988.

Downloads

Publicado

2022-06-19

Como Citar

OLIVEIRA DE JESUS, P. C. Por conta do desassossego que tem causado na praça da Bahia: tráfico, ultimatos e apreensões no Atlântico (1810-1815). Afro-Ásia, Salvador, n. 65, p. 42–90, 2022. DOI: 10.9771/aa.v0i65.44950. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/44950. Acesso em: 4 jul. 2022.

Edição

Seção

Dossiê