As crianças na dinâmica do tráfico interno de escravos a partir da cidade do Rio de Janeiro (1809-1834)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/aa.v0i61.36846

Resumo

O estudo do paulatino estrangulamento do tráfico internacional de escravos para o Brasil permitiu detectar a grande elasticidade demográfica do comércio atlântico e de seus padrões expressos no tráfico interno, tomado como parte de um único mercado. Destacamos na presente investigação a existência de um mercado interno fortemente competitivo; concentrado embora não monopolístico; portador de uma racionalidade intrínseca, pois suas oscilações denotavam a presença de agentes econômicos capazes de realizar previsões a curto e médio prazo; e cujas taxas de lucratividade repousavam na multiplicação do número de empresas, e não no aumento da quantidade de escravos transportados por cada uma delas. As crianças africanas e crioulas revelaram-se de grande importância diante da conjuntura de ataque ao tráfico internacional, por meio do trânsito em geral solitário de meninos e de meninas, descortinando a busca da reprodução da plantation via potencial produtivo e reprodutivo a médio e curto prazo. Dificilmente nos será dado conhecer registros tão completos para o estudo do tráfico interno de escravos como os assentamentos gerados pela Seção de Passaportes da Intendência Geral de Polícia. Espera-se que estudos comparativos com outras regiões da América permitam compreender melhor a dinâmica de funcionamento e a lógica empresarial do tráfico interno brasileiro, não apenas ao longo das primeiras décadas do século XIX, mas em especial em períodos anteriores.

Palavras-chave: Rio de Janeiro - tráfico interno de escravos - crianças escravizadas.

 

Abstract:

Studying the gradual strangulation of international slave trade coming to Brazil reveals the great demographic elasticity of Atlantic commerce, along with internal traffic patterns expressed in this singular Atlantic market. This paper highlights the existence of a strongly competitive internal market that was concentrated, but not monopolistic. The presence of economic agents capable of making short and medium-term forecasts in an oscillating market denotes an intrinsic rationality. Profitability rested on multiplying the number of trading companies, not on increasing the number of slaves transported by each company. Additionally, an international traffic under attack for the solitary transit of African and Creole children reveals the need for Brazilian plantations to reproduce labor via biological and economic means in both the medium and short-terms. Although police records of internal slave traffic in regional settlements are incomplete, we expect comparative studies with other regions of the Americas to result in a better understanding of the functional dynamics and entrepreneurial logics of Brazil’s internal slave traffic during the colonial era and after independence.

Keywords: Rio de Janeiro - internal slave trade - slave children.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Carlos Eduardo Valencia Villa, Universidade Federal Fluminense

Professor de História de América na Universidade Federal Fluminense em Campos e pesquisador Cnpq. Possui graduação em História - Universidade Nacional de Colômbia (2002), mestrado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2008) e é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (2012). Foi professor visitante na Universidade da República do Uruguai, pesquisador convidado da Universidade da Virgínia e da Sociedade Histórica da Virgínia. Também foi professor da Universidade do Rosário em Bogotá e da Universidade Nacional da Colômbia (Bogotá). Tem experiência na área de História, com ênfase em História de América e na aplicação de Sistemas de Informação Geográfica na História, atuando principalmente nos temas de história econômica.

Downloads

Publicado

2020-11-07

Como Citar

VILLA, C. E. V.; FLORENTINO, M. As crianças na dinâmica do tráfico interno de escravos a partir da cidade do Rio de Janeiro (1809-1834). Afro-Ásia, Salvador, n. 61, 2020. DOI: 10.9771/aa.v0i61.36846. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/36846. Acesso em: 22 maio. 2022.

Edição

Seção

Artigos