Teatros Feministas e democracia

algumas vozes

Autores

  • Daiane Dordete Steckert Jacobs UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.9771/rr.v1i01.69118

Palavras-chave:

Artes Cênicas, Voz, Democracia, Teoria Crítica Feminista, Teatro Feminista

Resumo

Este artigo analisa como os Teatros Feministas, em suas diversas linguagens, pautas e abordagens, estruturam – a partir de produções que se cruzam com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina, Brasil) – discussões políticas que refletem a fragilidade da incipiente democracia brasileira. Muitas garantias constitucionais ainda não foram concretizadas, e essas demandas continuam encontrando no teatro um espaço propício para denúncia e discussão. No Brasil recente, vivenciamos um golpe de Estado contra a presidente eleita Dilma Rousseff em 2016 e a eleição de um presidente ultraconservador e neoliberal, cujo mandato (2019-2022) foi fortemente marcado pelo desmonte de políticas públicas nas áreas de cultura e educação. Nesse contexto, analisarei cinco trabalhos desenvolvidos no Departamento de Artes Cênicas e no Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UDESC neste período pós-golpe de 2016, contextualizando-os no campo dos Teatros Feministas e discutindo como temas políticos relacionados a pautas democráticas brasileiras foram abordados nos espetáculos: “Celas e Elas”, com direção e dramaturgia de Daiane Dordete e atuação de Samira Sinara; “Nenhuma a Menos”, de Stephanie Liz Polidoro; “Canto para quem é de noite”, do Coletivo Nega; “Bruxas, Santas, Loucas, Velhas, Meninas, Belas, Recatadas e do Lar”, de Jussyanne Emídio; e “Arapuca”, de Cae Linn Beck da Silva.



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Biografia do Autor

Daiane Dordete Steckert Jacobs, UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina

Professora Titular do Departamento de Artes Cênicas da UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina, na área de voz/interpretação, e do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UDESC. Doutora e Mestra em Teatro pela UDESC. Bacharela em Artes Cênicas com habilitação em Interpretação Teatral pela FAP - Faculdade de Artes do Paraná (UNESPAR). É atriz, diretora, dramaturga, contadora de histórias e poeta. Pesquisa nas áreas de voz, atuação, teatro performativo, teatro narrativo, teatro feminista, teoria crítica feminista e estudos de gênero.a e estudos de gênero.

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Publicado

2025-12-24

Como Citar

Jacobs, D. D. S. (2025). Teatros Feministas e democracia: algumas vozes. Repertório, 1(41). https://doi.org/10.9771/rr.v1i01.69118