Ampliado prazo para submissão de textos ao dossiê sobre lesbianidades

2017-03-10

Os textos devem ser enviados até dia 26 de março de 2017 exclusivamente através do site da revista (https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus) dentro das normas disponíveis na sessão 'Diretrizes para autores' (ver (http://www.portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus/about/submissions#authorGuidelines). A sessão livre recebe submissões em fluxo contínuo.

A revista Periódicus é uma publicação online do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), da Universidade Federal da Bahia. Para ler o número atual clique em https://portalseer.ufba.br/index.php/revistaperiodicus

Dossiê Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas.

No dossiê “Sapatão é revolução! Existências e resistências das lesbianidades nas encruzilhadas subalternas” pretendemos pensar as existências e resistências lésbicas a partir das diferenças articuladas que criam lugares complexamente situados na nossa sociedade. Partiremos das perspectivas das identidades de gêneros, raças e sexualidades a fim de enfocar a vulnerabilidade social e a resistência - potencializada na capacidade de agência lésbica - a partir do conceito de interseccionalidade, situando o entrecruzamento de diversos marcadores, nos quais vivências subalternizadas existem e resistem rasurando as normatividades.

As análises interseccionais, que tiveram sua origem na articulação das demandas das produções teóricas e ativistas feministas, com grandes contribuições das negras, lésbicas e de “terceiro mundo”, se preocuparam inicialmente com o “falar sobre raça através de uma lente que observe a questão de gênero, ou pensar e falar sobre femininsmo através de uma lente que observe a questão de raça.”, (Crenshaw, 2014). Posteriormente, a perspectiva interseccional foi incorporando à questão de raça e gênero outras interfaces, como classes sociais, orientações sexuais, faixas etárias, colonialidades, religiosidades, diversidades funcionais, a que Crenshaw (2002) chamou de fatores de subordinação, “acúmulos de discriminação” ou interseccionalidades.

Os panoramas dos estudos interseccionais, subalternos, queer e pós-coloniais têm desenvolvido uma produção teórica voltada para a reflexão crítica e para a intervenção política. Desse modo, privilegiamos nesse dossiê tais abordagens, em especial a abordagem interseccional por entendermos não apenas sua importância no pensamento feminista, incluindo-se aí o feminismo negro e o feminismo lésbico, mas também por compreendermos ser necessário desenvolver análises que não tratem as lesbianidades de forma homogênea, mas que afirmem as diferenças de classe, raça, religião, geração, dentre outras especificidades constitutivas da forma como vários grupos de mulheres vivenciam a discriminação e/ou agenciam sua resistência. No campo epistemológico, a interseccionalidade estabelece um diálogo importante com perspectivas pós estruturalistas e desconstrucionistas, favorecendo reflexões críticas e um pensamento mais criativo e mais complexo.

Portanto, os determinados lugares sociais, de formas de ser e estar no mundo, materializadas em suas relações interpessoais, são os debates a serem realizados neste dossiê que tem a preocupação ainda de conferir às lesbianidades um olhar mais autônomo e menos impregnado da concepção gay-masculina-patriarcal, que invisibiliza nuances próprias das lesbianidades.

Queremos pensar, a partir da perspectiva das lesbianidades, escritos e práticas artísticas feministas, refletindo sobre a potência de nossas existências e resistências! Afinal, Sapatão não é bagunça! É revolução!