AS FILHAS DAS LAVADEIRAS (2002), DE HELENA DO SUL
MATERNIDADE NEGRA
Palavras-chave:
Maternidade, Literatura afro-feminina, Literatura GaúchaResumo
A partir de As filhas das lavadeiras (2002), de Helena do Sul, esta análise examina as representações da maternidade negra na literatura brasileira, com foco nos eixos do trabalho e da dororidade (Piedade, 2017). Maria Helena Vargas da Silveira é uma escritora negra, nascida em Pelotas- RS, que publica sua primeira obra aos 40 anos de idade. Enquanto a maternidade branca se vincula ao ideal de sacralidade e confinamento, a maternidade negra é marcada pelo papel de provedora e pela luta contra opressões de raça, classe e gênero. Com base em Badinter (1985) para discutir o "mito do amor materno"; Evaristo (2005) pelo conceito de escrevivência; e Gonzalez (1982), Oyewumi (2021) e Piedade (2017) sobre as vivências de mulheres negras, a obra evidencia como essas mães constroem identidades a partir da resistência e solidariedade. Ao romper estereótipos, Helena do Sul ressignifica a maternidade no campo literário, valorizando as histórias das lavadeiras e destacando a importância de compreender essas experiências na formação da identidade cultural brasileira.
Downloads
Referências
BADINTER, Elisabeth. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Trad. Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 1985.
EVARISTO, Conceição. Gênero e etnia: uma escre(vivência) de dupla face. In: MOREIRA, Nadilza Martins de Barros; SCHNEIDER, Liane. (Orgs.) Mulheres no mundo: etnia, marginalidade e diáspora. João Pessoa: Idéia Editora Ltda, 2005. p. 201-212.
EVARISTO, Conceição. Maria Helena Vargas. In: DUARTE, Eduardo de Assis. (org). Literatura e afrodescendência no Brasil: Antologia crítica. V.1. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011. P. 83-90.
GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos. Lugar de negro. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1982.
KOSBY, Marília Floôr. “Nós cultuamos todas as doçuras”: as religiões de matriz africana e a tradição doceira de Pelotas. 2. ed. Porto Alegre: Editora Fi, 2021.
OYEWUMI, Oyerónké. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Trad. Wanderson Flor do Nascimento. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.
PIEDADE, Vilma. Dororidade. São Paulo: Nós, 2017.
SILVEIRA, Maria Helena Vargas. As filhas das lavadeiras. Porto Alegre: Grupo Rainha Ginga, 2002.