A ESPERANÇA COMO FORMA DE PERMANECER COM O PROBLEMA NA DUOLOGIA PARÁBOLA DO SEMEADOR (1993) E PARÁBOLA DOS TALENTOS (1998), DE OCTAVIA BUTLER
Palavras-chave:
Enclave Utópico; Distopia Crítica; Literatura Norte-Americana.Resumo
A partir de uma leitura crítica dos romances A parábola do semeador (1993) e A parábola dos talentos (1998), da autora norte-americana Octavia Butler (1947 – 2006), este artigo busca investigar as estratégias de sobrevivência de Lauren Oya Olamina, protagonista da duologia, para sobreviver ao mundo em ruínas - social e ambientalmente - descrito na narrativa. Para desenvolver essa reflexão, a análise será pautada nos estudos de Thomas Moylan (2000) e Raffaella Baccolini (2000; 2004; 2013) no que tange aos lugares de esperança das narrativas distópicas, com foco na maneira com a qual eles são criados e mantidos pelos personagens. Além disso, teremos base nas discussões de Donna Haraway (2023) sobre “permanecer com o problema” no Antropoceno e na necessidade de formularmos ações mais eficientes para se viver (e morrer) bem em um mundo devastado, como construir comunidades, alianças e parentescos para além dos familiares. Sendo assim, neste trabalho, defendemos que devemos aprender a lidar com as questões que a crise evoca, sem fugir delas. Pelo contrário, na verdade, utilizando os recursos e as condições oferecidos por esse cenário.
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Referências
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