"LALELA"

PRÁTICAS E PROCESSOS DE OCUPAÇÃO DO CONHECIMENTO NO ENSINO SUPERIOR NA ÁFRICA DO SUL (UM ESTUDO DE CASO DA UNIVERSIDADE DA CIDADE DO CABO)

Autores

  • June Bam-Hutchison University of Cape Town
  • Hilário Mariano dos Santos Zeferino Universidade Federal da Bahia

Resumo

Este ensaio se baseia em uma apresentação feita em 1º de março de 2016, na Universidade da Cidade do Cabo (UCT), na África do Sul. O texto discute a importância de contextualizar o movimento #RhodesMustFall na UCT, dentro de um amplo cenário histórico-espacial de colonialismo e neoliberalismo. A “falta de escuta” tem raízes históricas nos anos 1600 no colonialismo da África do Sul e se tornou parte da cultura sistêmica de racismo institucional experienciada na UCT, uma universidade historicamente branca que pode ter sua trajetória traçada desde a época do apartheid. Esse desafio sistêmico é ainda contextualizado em meio a políticas econômicas neoliberais que, desde 1994, têm mudado poucas coisas, levando fúria aos campi universitários, como consequência do massacre de Marikana de 2012 e das políticas antipobreza em áreas urbanas, como na Cidade do Cabo (onde a universidade está situada). A UCT e o país são chamados para uma “escuta profunda” (lalela) no momento em que comunidades indígenas locais (descendentes dos povos Khoi e San), comunidades negras (em suas inclusividades), e a grande maioria de pessoas pobres passa a ocupar espaços percebidos como traidores de 1994. Há uma crise no Estado, refletida no aumento da pobreza e na ameaça à constitucionalidade (liderança política e xenofobia etc.), que impacta diretamente a universidade historicamente branca (curricularização e exclusão de conhecimentos essenciais) – daí a urgência por uma “escuta profunda”, tanto para imperativos político-econômicos, quanto para a produção de conhecimento em direção a uma África do Sul transformada. 

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Publicado

2021-09-06

Edição

Seção

ARTIGOS EM DESTAQUE