BRÁS CUBAS E BENTINHO

UMA INTERSEÇÃO ENTRE DISCURSOS SILENCIOSOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/ell.i73.48603

Palavras-chave:

Bentinho, Brás Cubas, Interseção, Discurso

Resumo

Esta pesquisa investiga os discursos silenciosos dos personagens Bentinho e Brás Cubas e visa aprofundar, enquanto criação e linguagem literárias, os estudos acerca de ambos. Dominadores da fala, os protagonistas das Memórias e de Dom Casmurro além de impossibilitarem, na narrativa, o clamor de outras vozes, também se mostram incompletos em seus discursos, sujeitos e subordinados a uma adequação social que os impede de revelarem seus genuínos desejos. Neste sentido, a pesquisa tem como objetivo identificar através das vozes narrativas dos personagens, com ênfase naquilo que não é dito, os pontos de interseção que unem a visão de mundo e de sociedade dos personagens narradores. Esses pontos se baseiam no contexto histórico similar de ambos, na observação do homem do segundo reinado e no monopólio da linguagem. Contemporâneos afins, Brás Cubas e Bentinho são personagens de um Brasil escravagista, no entanto, afeito às ideias modernas e científicas oriundas do então prolífico século XIX. Essas relações de contexto político e social são indispensáveis para a plena compreensão dos personagens machadianos e servem de focos analíticos fundamentais para o desenvolver da pesquisa. Os estudos anteriores, presentes na bibliografia crítica do escritor fluminense, dão a sustentação necessária para o progresso satisfatório do estudo.  Para isto, o tipo de metodologia foi a bibliográfica, fundamentando-se nos pressupostos teóricos dos seguintes autores: Pereira (1938), Cândido (1963), Bosi (1976), Faoro (1976), Schwarz (1990), Freitas (2001) e Seixas (2017). Suas contribuições teóricas acerca de Machado de Assis dão a substância primeva para o progresso da anáilise. Os resultados obtidos possibilitam a abertura de novas interpretações sobre os personagens, direcionando o seu foco de interseção para as evidências implícitas no discurso dos protagonistas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. 2. ed. Rio de janeiro. Nova Fronteira, 2016.

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. 3 ed. São Paulo. Abril, 2010.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. Tradução por Maria Emsantina Galvão G. Pereira. 4 ed. São Paulo. Martins Fontes, 2003.

BOSI, Alfredo. Brás Cubas em três versões: estudos machadianos. 1 ed. São Paulo. Companhia das letras, 2006.

BOSI, Alfredo. O enigma do olhar. São Paulo. Atica, 1999.

CANDIDO, Antônio. Dialética da malandragem. In. O discurso e a cidade. Rio de janeiro. Ouro sobre o azul, 2004.

CANDIDO, Antônio. Vários escritos: esquemas de Machado de Assis. 2 ed. São Paulo. Duas cidades, 1977.

FAORO, Raimundo. Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio. 2 ed. São Paulo. Brasiliana, 1976.

FREITAS, Luiz Alberto Pinheiro de. Freud e Machado: uma interseção entre psicanálise e literatura, 4 ed. Rio de Janeiro, 2013.

GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Machado de Assis: o escritor que nos lê. 1 ed. São Paulo. UNESP, 2017.

PEREIRA, Lúcia Miguel. Machado de Assis: estudo crítico e biográfico. 6 ed. Distrito Federal. Senado Federal, 2019.

SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo. 2 ed. São Paulo. 34, 2000.

Downloads

Publicado

2022-09-27

Como Citar

ARAÚJO, L. BRÁS CUBAS E BENTINHO: UMA INTERSEÇÃO ENTRE DISCURSOS SILENCIOSOS. Estudos Linguísticos e Literários, Salvador, n. 73, p. 175–201, 2022. DOI: 10.9771/ell.i73.48603. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/estudos/article/view/48603. Acesso em: 7 dez. 2022.