A Intencionalidade como categoria epistemológica da Administração Política: uma análise do significante e seus significados
DOI:
https://doi.org/10.9771/rebap.v0i2.70850Palavras-chave:
Administração Política, Intencionalidade, Bakhtin, Teoria Geral da Administração, Inteligência ArtificialResumo
Este artigo propõe a sistematização da intencionalidade como categoria epistemológica fundante da Administração Política. A pesquisa, de caráter teórico-empírico e qualitativo, fundamenta-se na análise dialógica do discurso para a análise de textos científicos brasileiros disponíveis no repositório SPELL. As ocorrências do termo “intencionalidade” foram extraídas e sistematizadas com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial (ChatGPT e DeepSeek), empregadas como instrumentos de triangulação semântica e organização lógica, sem substituição da análise interpretativa humana. A análise resultou na identificação de seis significados da intencionalidade no campo da Administração Política: (1) teleológico; (2) epistemológico; (3) ontológico; (4) crítico, voltado ao desvelamento das finalidades ocultas do Estado e do capital; (5) normativo; e (6) transformador. Esses significados expressam a multiplicidade semântica da categoria e evidenciam que a intencionalidade é o significante central do campo, articulando suas dimensões filosóficas, teóricas e práticas. Conclui-se que a intencionalidade opera como categoria mediadora da Administração Política, pois articula teleologia, epistemologia e ontologia em um mesmo movimento teórico. O estudo contribui, assim, para o reconhecimento da intencionalidade como princípio estruturante da racionalidade administrativa, abrindo novas possibilidades para pesquisas sobre os fundamentos críticos e emancipatórios da Administração Política.
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