Ciência, Tecnologia, Inovação e um Ano de Pandemia no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/cp.v14i2.43901

Palavras-chave:

ciência, tecnologia, inovação, pandemia

Resumo

Neste mês de março de 2021, a pandemia provocada pelo vírus SARS-COV-2 completou oficialmente um ano no Brasil e ainda não há sinal de arrefecimento do ritmo de contágio ou da perda de vidas. Estamos, de fato, em uma segunda e mais forte onda. Já há, todavia, aspectos importantes a registrar, tanto com respeito aos óbvios pontos negativos quanto a alguns positivos.

Desde o início dessa crise, estabeleceu-se uma inédita mobilização de profissionais de diferentes origens, formações e vinculações, tanto do governo quanto de instituições acadêmicas e empresas, com atividades paralelas das mais diversas. Esses profissionais estão trabalhando para projetar, testar e produzir equipamentos, medicamentos e vacinas; organizar, processar e publicar dados; propor e realizar testes para detecção de contágio; dar suporte às populações economicamente fragilizadas; criar e adaptar modelos matemáticos para realizar projeções; orientar e comunicar a situação ao público; produzir instrumentos de proteção para profissionais de saúde; e, inclusive, avaliar e publicar trabalhos científicos relacionados ao esforço de combate à pandemia. Trabalhos estes que estão sendo publicados, frequentemente, em edições especiais e aceleradas por meio de esforços concentrados de equipes editoriais das revistas, como está sendo feito também pela Cadernos de Prospecção

Felizmente, diferente de um ano atrás, há hoje várias vacinas disponíveis e testadas, algumas com produção local, embora em ritmo ainda insuficiente e sob constante risco do aparecimento de variantes que as escapem. Além disso, dos países constantes do chamado BRICS, apenas o Brasil e a África do Sul não têm vacina própria aprovada e, apesar dos esforços de empresas, governos e instituições, ainda dependemos de acordos de fornecimento de insumos importados, tanto para vacinas quanto para testes.

O principal aspecto em que o Brasil decididamente não está apresentando boa performance é o da coordenação política e organização de consensos mínimos para o combate ao problema comum. Curiosamente, dos termos muito frequentemente repetidos em todo o complexo torvelinho de conflitos entre autoridades e lideranças, foi "a ciência" que aparentemente alcançou um status de disputa inédito em nosso país. No entanto, medidas recentes de poderes da República, em diferentes níveis, demonstram na prática o esquecimento de que, caso realmente se entenda que Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) é importante, tanto nesse desafio histórico quanto em outros que precisamos muito vencer, a CT&I depende, como qualquer atividade humana, de meios materiais, de certa previsibilidade institucional e de suporte para ser executada com êxito, mais do que discursos.

A prospecção tecnológica emprega técnicas avançadas e dados minuciosos para avaliar tendências de comportamento de setores, atores e temas importantes. Algumas previsões, no entanto, são até fáceis de se fazer com base na experiência recente. Decisões anteriores de retardo e de abandono de investimentos estratégicos nos trouxeram a essa particular posição de dependência em vacinas, testes e insumos. Tal "economia de recursos" hoje nos custa muito caro, tanto em vidas como na própria atividade econômica. Repetir o mesmo erro e esperar bons resultados não parece ser sensato. De fato, era justamente o que Einstein citava como definição de loucura.

Ao todo, esta edição da revista Cadernos de Prospecção reúne 23 artigos de 87 autores que representam 22 organizações brasileiras de 14 Unidades da Federação do Brasil localizadas em quatro regiões do Brasil e no Distrito Federal.

Desejamos a todos uma excelente leitura!

 

Gesil Sampaio Amarante Segundo

Professor Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz

Presidente Interino do Parque Cientifico e Tecnológico do Sul da Bahia

Presidente do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (FORTEC)

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Biografia do Autor

Gesil Amarante Sampaio Segundo, UESC

  • Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/2560106052820991
  • ID Lattes: 2560106052820991
Possui graduação em Física - Bacharelado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1993), mestrado em Física pela Universidade de São Paulo (1996) e doutorado em Física pela Universidade de São Paulo (2000). Atualmente é professor Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz. Tem experiência na área de Física, com ênfase em Física de Plasmas e Descargas Elétricas, atuando principalmente nos seguintes temas: plasmas, antenas de rf, aquecimento e geração de fluxos por ondas de Alfvén, Computação de Alto Desempenho e Políticas Públicas de CT&I. É Vice-Coordenador do NIT-UESC, representante das ICTs na Rede de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia da Bahia (RePITTec), Presidente interino do Parque Cientifico e Tecnológico do Sul da Bahia, Presidente do Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (FORTEC) e ex-Coodenador-Geral do Forum de Assessores Parlamentares de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação (ForumCTIE).

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Publicado

2021-04-01

Como Citar

Segundo, G. A. S. (2021). Ciência, Tecnologia, Inovação e um Ano de Pandemia no Brasil. Cadernos De Prospecção, 14(2), 330. https://doi.org/10.9771/cp.v14i2.43901

Edição

Seção

Editorial