A Terra como texto: Humboldt e os gestos inaugurais de uma geopoética
DOI:
https://doi.org/10.9771/geo.v0i2.67551Palavras-chave:
Alexander von Humboldt, Geopoética, Naturalismo, RomantismoResumo
Este texto tem como objetivo localizar, na literatura científica, elementos que contribuam para a construção de uma base interpretativa da dimensão geopoética presente na obra e nas atitudes de Alexander von Humboldt. Partimos da hipótese de que seu pensamento, atravessado pelo espírito do Romantismo, articula ciência, sensibilidade e estética de modo singular, abrindo caminhos para uma compreensão poética da Terra. Para isso, adotamos uma abordagem metodológica qualitativa, fundamentada no estudo de caso do autor e em uma revisão bibliográfica narrativa. A escolha dessas estratégias permite uma leitura aprofundada e sensível das contribuições humboldtianas, especialmente no que tange à maneira como o autor percebe, descreve e relaciona-se com a natureza. Influenciado por pensadores românticos como Goethe e Schelling, Humboldt propõe uma ciência que se aproxima da arte e da experiência estética, construindo uma escrita em que os dados empíricos convivem com o lirismo e a admiração. Ao considerar a natureza como totalidade viva e interconectada, sua obra configura-se como uma cartografia sensível do mundo, em que o conhecimento emerge do espanto e da relação afetiva com o espaço. Assim, Humboldt pode ser compreendido não apenas como cientista, mas como um precursor do que hoje se nomeia geopoética.
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