GÊNERO E CIÊNCIA: SILENCIAMENTOS E PERDAS

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DOI:

https://doi.org/10.9771/rf.v10i2%20e%203.42950

Resumo

O androcentrismo na ciência moderna silencia as vozes das mulheres e gera perda à vida em sociedade. Visa-se no estudo compreender como as relações de gênero se expressam na produção do conhecimento científico e apontar alguns caminhos traçados pelas epistemologias feministas na perspectiva da equidade de gênero e sua relação com o aprimoramento do conhecimento. A ciência moderna foi estruturada a partir do lugar masculino de fala, produzindo e tentando provar a subalternidade da mulher na vida em sociedade. Demonstra-se que a visão androcêntrica, nas análises de realidade e nos marcos interpretativos da ciência tradicional, é essencialista e supõe neutralidade e objetividade do conhecimento. Epistemologias feministas incluem a diversidade na apreensão da realidade da vida, trazendo para a ciência a possibilidade de uma aproximação mais profunda sobre a complexidade da realidade humana.

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Biografia do Autor

Anna Júlia Giurizatto Medeiros, Instituto Federal de Alagoas -IFALUniversidade de Salamanca -USAL

Psicóloga do Departamento de Apoio ao Estudante do IFAL

Doutoranda do Programa de Lógica e Filosofia da Ciência da USAL

Elvira Simões Barretto, Universidade Federal de Alagoas -UFAL

Professora Associada da Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal de Alagoas. Vice-coordenadora do PPGSS/UFAL

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Publicado

2022-10-26

Como Citar

GIURIZATTO MEDEIROS, A. J.; BARRETTO, E. S. GÊNERO E CIÊNCIA: SILENCIAMENTOS E PERDAS. Revista Feminismos, [S. l.], v. 10, n. 2 e 3, 2022. DOI: 10.9771/rf.v10i2 e 3.42950. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/42950. Acesso em: 22 jul. 2024.

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Artigos