Do Mulherio à Capitolina: retratos dos feminismos na mídia brasileira

Autores

  • Raquel de Barros Pinto Miguel Universidade Federal de Santa Catarina
  • Maria Laura Silveira dos Santos Universidade Federal de Santa Catarina
  • Luísa Costa Miguel Universidade Federal de Santa Catarina

Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo debruçar-se sobre dois periódicos feministas que circularam/circulam no Brasil em diferentes momentos históricos: Mulherio (década de 1980) e Capitolina (desde 2014). Ao analisá-los foi possível verificar permanências, bem como mudanças, tanto na forma como o feminismo se apropria dos meios de comunicação para fazer circular suas agendas, quanto nas pautas abordadas pelo movimento em diferentes momentos de história. O meio digital tem proporcionado diferentes espaços de luta, porém, muitas pautas mantêm-se as mesmas: violência contra as mulheres, aborto, divisão sexual do trabalho. A pluralidade dos feminismos fica mais evidente na Capitolina, em sintonia com a perspectiva interseccional. Espera-se, a partir de tais reflexões, contribuir para os estudos acerca da interface mídia e feminismos, em especial no que tange à imprensa feminista no Brasil.

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Biografia do Autor

Raquel de Barros Pinto Miguel, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina

Maria Laura Silveira dos Santos, Universidade Federal de Santa Catarina

Estudante de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) 

Luísa Costa Miguel, Universidade Federal de Santa Catarina

Estudante de Psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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Publicado

2020-10-17

Como Citar

MIGUEL, R. de B. P.; SANTOS, M. L. S. dos; MIGUEL, L. C. Do Mulherio à Capitolina: retratos dos feminismos na mídia brasileira. Revista Feminismos, [S. l.], v. 7, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/37884. Acesso em: 15 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigos