Atravessando caminhos: escutas e narrativas possíveis entre psicanálise e feminismo

Autores

  • Fernanda de Oliveira Alves Universidade Federal de Santa Maria
  • Cláudia Maria Perrone Universidade Federal de Santa Maria
  • Nikelen Acosta Witter Universidade Federal de Santa Maria

Resumo

Instigada pelo testemunho de três psicanalistas brasileiras, Maria Rita Kehl, Patrícia Porchat e Miriam Chnaiderman, o presente texto tenciona questões de psicanálise, gênero e feminismo. Esta narrativa é resultado de uma pesquisa em psicanálise construída sob a perspectiva de uma flânerie como processo de investigação, bem como procura elucidar os passos da transformação desse saber em conhecimento. Psicanálise e feminismo possuem diferenças conceituais sobre o que seria o sujeito. O apontamento psicanalítico, a um feminismo identitário, e o questionamento feminista, a certos conceitos psicanalíticos, permitem uma aproximação crítica entre estas duas formas de pensamento. Ao considerar o sujeito um produto de singularização de discursos entendemos que o diálogo entre psicanálise e feminismo é necessário ao desenvolvimento de ambas teorias no que se referem ao sujeito, a cultura e a vida em sociedade.  

Palavras-chave: sujeito; psicanálise; feminismo; gênero.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fernanda de Oliveira Alves, Universidade Federal de Santa Maria

Psicóloga pelo Centro Universitário Franciscano, Bacharel em Ciências Sociais e Mestre em Psicologia pela UFSM. Atualmente pós-graduanda em Especialização em Estudos de Genero (UFSM)

Referências

ARÁN, Márcia. (2010). Psicanálise e feminismo. Revista Cult. Recuperado em 05 maio, 2018, de https://revistacult.uol.com.br/home/psicanalise-e-feminismo/

BENJAMIN, Walter. Charles Baudelaire, um lírico no auge do capitalismo. São Paulo: Brasiliense, 1989

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 10.ed. Rio de janeiro: civilização brasileira, 2016.

CONNELL, Raewyn. Gênero em termos reais. São Paulo: Nversos, 2016.

COSSI, Rafael. K. A diferença dos sexos: Lacan e o feminismo. Tese (Doutorado Programa De Pós-Graduação em Psicologia Clínica) Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2016.

D’ANGELO, Martha. A modernidade pelo olhar de Walter Benjamin. Estudos Avançados 20 (56), 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v20n56/28637.pdf> Acesso em: 5 mai. 2018.

DUNKER, C. I. L. Discurso e narrativa na construção do saber sexual. Educação, subjetividade & poder. V.1, p.137-160, 2005.

FIGUEIREDO, Luís. Cláudio. MINERBO, Marion. Pesquisa em psicanálise: algumas ideias e um exemplo. Jornal de psicanálise. São Paulo, 39(70): 257-278, jun. 2006. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/jp/v39n70/v39n70a17.pdf> Acesso em 27 nov. 2017.

FREUD, Sigmund. (1917) Conferências Introdutórias à Psicanálise. In Freud, S. (2014). Obras completas. São Paulo: Companhia das Letras.

FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: Freud, S. Obras completas. São Paulo: companhia das letras, 2016.

HARAWAY, Donna. Saberes Localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu (5), p.07-41, 1995.

KEHL, Maria. Rita. Deslocamentos do feminino: a mulher freudiana na passagem para a modernidade. Rio de Janeiro: Imago, 1998.

KEHL, Maria. Rita. A mínima diferença. 1992. Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br/2015/03/02/maria-rita-kehl-a-minima-diferenca/

acesso em 17 de abr. 2018.

LACAN, Jacques. O seminário, livro 1: os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Zahar, 1979.

LACAN, Jacques. Seminário, livro 18: de um discurso que não fosse semblante, (1971). Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

LO BIANCO, A. C. Sobre as bases dos processos investigativos em psicanálise. PsicoUFS. V. 8, n. 2. p. 115-123. Jul./dez. 2003. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicousf/v8n2/v8n2a03.pdf> Acesso em: 27 nov. 2017.

PEDRO, Joana. M. Traduzindo o debate: o uso da categoria gênero na pesquisa histórica. História, vol. 24, n. 1, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/his/v24n1/a04v24n1.pdf> Acesso em: 28 ago. 2017.

PIRES, Luísa. P. & GURSKI, Roselene. A construção de um “posto móvel de escuta” na socioeducação: uma metodologia psicanalítica nomeada escuta-flânerie. In Anais do II Encontro do Grupo de Trabalho Psicanálise, Subjetividade e Cultura Contemporânea. Modalidades de pesquisa em psicanálise: métodos e objetivos, realizado no período de 21 a 23 de junho de 2017, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, SP, São Paulo: ANPEPP, 2017.

POLI, Maria. Cristina. Escrevendo a psicanálise em uma prática de pesquisa. Estilos da clínica, v.13, n. 25, p. 154-179, 2008. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/estic/v13n25/a10v1325.pdf> Acesso em 17 de jan. de 2018.

PORCHAT, Patrícia. Conversando sobre psicanálise: entrevista com Judith Butler. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 18, n. 1, p. 161-170, jan/abr. 2010. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ref/v18n1/v18n1a09.pdf > Acesso em 12 fev. 2018.

PORCHAT, Patrícia. Gênero, psicanálise e judith butler – do transexualismo a política. Tese (Doutorado Programa De Pós-Graduação em Psicologia Clínica). Instituto De Psicologia da Universidade de São Paulo, 2007.

ROSA, Miriam. Debieux. A pesquisa psicanalítica dos fenômenos sociais e políticos: metodologia e fundamentação teórica. Revista mal-estar e subjetividade. Fortaleza, v.iv, n.2, p.329- 348, set. 2004.

ROSA, Miriam. Debieux.; DOMINGUES, Eliane. O método na pesquisa psicanalítica de fenômenos sociais e políticos: a utilização da entrevista e da observação; psicologia & sociedade. V. 22, n. 1, p.180-188, 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/psoc/v22n1/v22n1a21.pdf> Acesso em 27 nov. 2017.

ROUDINESCO, Elisabeth. & PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro, Zahar: 1998.

SOLER, Colette. O que Lacan dizia das mulheres. Rio de janeiro: Zahar, 2005.

ZIZEK, Slavoj. Como ler Lacan. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

Downloads

Publicado

2020-12-31

Como Citar

DE OLIVEIRA ALVES, F.; PERRONE, C. M.; ACOSTA WITTER, N. Atravessando caminhos: escutas e narrativas possíveis entre psicanálise e feminismo. Revista Feminismos, [S. l.], v. 8, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/34586. Acesso em: 19 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigos