O problema da branquitude na historiografia da filosofia brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/rfd.v8i0.71391

Palavras-chave:

Filosofia brasileira, branquitude, epistemicídio, decolonialidade

Resumo

Este trabalho propõe uma análise da estrutura epistemológica da branquitude na formação e na historiografia da filosofia brasileira. Parte-se do diagnóstico de que o campo filosófico nacional se constituiu sob um regime de visibilidade seletiva que relegou ao oblívio sujeitos, saberes e práticas não brancas — especialmente indígenas e negras. O objetivo é investigar como os dispositivos históricos e simbólicos da branquitude — expressos, sobretudo, no cristianismo, na primazia da escrita e no fetichismo do sujeito racional — operam como mecanismos de dominação orientados pelo imaginário racial, organizando tanto o modo de fazer filosofia no Brasil quanto sua historiografia. O estudo articula contribuições de Maria Aparecida Bento, Denise Ferreira da Silva, Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Nego Bispo, entre outros, para evidenciar as formas pelas quais esse pacto social entre branco estrutura simultaneamente a produção e o ensino da filosofia no país. Argumenta-se que romper com esses mecanismos exige reconfigurar as condições pelas quais certos pensamentos são legitimados como filosóficos e outros não, reconhecendo os subterrâneos que naturalizam o onto-epistemicídio em metamorfose constante no fazer filosófico brasileiro.

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Biografia do Autor

Pedro Farias Mentor, Universidade de Brasília

Doutorando, Mestre e licenciado em Filosofia pela Universidade de Brasília (UnB). Especialista em Filosofia, Cultura e Educação pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), em Ensino de Humanidades e Linguagens pelo Instituto Federal de Brasília (IFB). E-mail: pedrofariasmentor@gmail.com

Referências

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

MENTOR, P. F. O problema da branquitude na historiografia da filosofia brasileira. Revista Fontes Documentais, [S. l.], v. 8, n. 1, p. e82261, 2025. DOI: 10.9771/rfd.v8i0.71391. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/RFD/article/view/71391. Acesso em: 4 jan. 2026.