"O tempo do qual a terra nos olha": de refúgios, artes, narrativas e tecnologias no mundo sublunar.

Autores

  • Leandra Lambert

Resumo

Neste artigo busco articular conceitos relacionados ao Antropoceno/ Capitaloceno à necessidade da imaginação de outros possíveis e da geração de novas narrativas, tendo a arte como uma possível aliada na difícil tarefa de aprender a “compor com Gaia”, nos termos de Stengers. O trabalho da artista cubana Ana Mendieta e considerações das filósofas Isabelle Stengers e Donna Haraway conduzem essa busca, que também ganha corpo em associações tentaculares com o pensamento de outros teóricos. O presente texto foi originalmente escritonoprimeirotrimestrede2017como parte da Tese de Doutoramento em Artes “Caminhos Atlânticos, Cartas de Terras Insondáveis”, defendida no PPGArtes-UERJ no mesmo ano. Editado ao fim de abril de 2020, sob a pandemia de Covid19.

 

Palavras-chave:antropoceno/capitaloceno; política; narrativas; arte; Gaia

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Biografia do Autor

Leandra Lambert

Doutora em Artes UERJ com bolsa PDSE na Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Mestrado em Artes UERJ, bacharelado em Cinema/Comunicação (UFF). Atuante na música eletrônica/experimental desde os anos 90 e na arte sonora/multimídia desde 2009. Participei de pequenas exposições, concertos, transmissões e eventos no Brasil, Inglaterra, EUA, França, Alemanha, Grécia, Chile, Cuba, Noruega e Rússia. Individuais: "Danças Atlânticas" (CCJF, 2013); "Passagens Atlânticas" (Galeria Ibeu, 2016). Já me apresentei ao vivo no Festival Novas Frequências 2016 e em diversos locais no Rio e em SP. Participei de mais de uma dúzia de álbuns. Artigos publicados nos periódicos ARJ - Art Research Journal(BR), Filigrane(França), Valise(BR) eInterference - A Journal of Audio Culture(Irlanda), no qual também já atuei como avaliadora.

Alguns trabalhos recentes: 

- Apresentação no projeto "Varanda Sonora" do Parque Lage, com curadoria de Franz Manata e Saulo Laudares

- Vocalista-improvisadora, Grenze des Gestrige-Heutigen, 2019,  junto ao compositor e pianista suíço Simon Ho e ao baterista Andi Hug, curadoria de Chico Dub. Trabalho a partir de textos de Paul Klee. Série de apresentações no CCBB-SP, vinculadas à retrospectiva "Equilíbrio Instável". 

- Álbum "Lori - Yoni" - Sê-lo Netlabel (BA), 2018. Projeto solo. 

- "O Ruído da Máquina de Criar Tempo", série de rádio-arte que parte de entrevistas sobre memória auditiva e imaginação sônica, iniciada na residência Somsocosmos#2, 2018.

"Cortina de Ruínas" constou da rádio Documenta de Kassel 2017 e recebeu o primeiro lugar no III Concurso Latino-Americano de Composição Eletro-Acústica Gustavo Becerra-Schmidt 2012. 

Referências

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Publicado

2020-06-21