PRECARIZAÇÃO E SUBJETIVIDADE DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS NO CONTEXTO DA COVID-19 EM MANAUS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.9771/rf.v10i1.45245

Resumo

A pandemia da COVID-19 trouxe repercussões importantes para os trabalhadores que são historicamente submetidos a trabalhos precários e tem seus direitos trabalhistas negados, como as trabalhadoras domésticas remuneradas. Deste modo, o objetivo deste artigo foi investigar os cenários de sofrimento, saúde, subjetivação e política do trabalho doméstico remunerado realizado por profissionais do gênero feminino, no contexto da pandemia da COVID-19, na cidade de Manaus. Para tanto, foram realizadas entrevistas com seis mulheres trabalhadoras domésticas, que residem e atuam na capital amazonense. Abordou-se os aspectos psicossociais e econômicos que impactaram diretamente na vida das entrevistadas. Nota-se nos relatos um processo histórico e social de precarização das relações, condições e direitos trabalhistas. Além disso, a pandemia evidenciou e enfatizou questões de gênero e raça, que ganharam uma dimensão de complexidade e intensidade ainda maior.

Palavras-chave: Trabalhadoras Domésticas Remuneradas. COVID-19 em Manaus. Precarização. Subjetividade. Direitos Violados.

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Biografia do Autor

Ronaldo Gomes-Souza, UFAM

Professor efetivo, no curso de graduação e pós-graduação (Mestrado) em Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) . Possui graduação (bacharelado e licenciatura) em psicologia; especialização em Docência no Ensino Superior, MBA em Gestão de Recursos Humanos, Especialização em Direito do Trabalho (em andamento), Mestrado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações e Doutorado em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PSTO), na Universidade de Brasília (UnB). É pesquisador e vice-coordenador do Laboratório de Psicologia, Trabalho e Saúde (LAPSIC) na UFAM e membro do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de psicologia. Está vice-coordenador do PPGPSI da UFAM. É educador e psicólogo, possui experiência acadêmica no desenvolvimento de pesquisas e ações de extensão nas áreas de Psicologia Social, do Trabalho, Organizacional e Educacional. É membro da Comissão de Prevenção e Combate ao Assédio Moral no Trabalho (CECAM) da UFAM. É membro do Grupo de Trabalho (GT) sobre Trabalho, Subjetividade e Práticas Clínicas da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP). Tem experiência profissional na área de educação, psicologia educacional; psicologia organizacional e do trabalho e gestão de pessoas. É consultor em gestão de pessoas; psicologia organizacional e do trabalho. Área de interesse de pesquisa: psicologia do trabalho; saúde d@ trabalhador@; gênero e trabalho; subjetividade e trabalho; prazer e sofrimento do trabalho; saúde/adoecimento do trabalho; psicologia social do trabalho; violência e assédio moral no trabalho; trabalho e cidadania; cidade e trabalho.

Roberta de Lima Sousa Vieira, UFAM/mestranda-psicologia

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Amazonas. Psicóloga Social/Comunitária da Universidade Federal do Amazonas.

Ariel Joan Santana de Souza, UFAM/graduando-psicologia

Estudante de graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) com foco em Gênero e Trabalho.

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Publicado

2022-07-01

Como Citar

GOMES-SOUZA, R.; DE LIMA SOUSA VIEIRA, R.; JOAN SANTANA DE SOUZA, A. PRECARIZAÇÃO E SUBJETIVIDADE DAS TRABALHADORAS DOMÉSTICAS NO CONTEXTO DA COVID-19 EM MANAUS. Revista Feminismos, [S. l.], v. 10, n. 1, 2022. DOI: 10.9771/rf.v10i1.45245. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/45245. Acesso em: 25 set. 2022.

Edição

Seção

Artigos