MULHERES COM DEFICIÊNCIAS E MULHERES DE OCUPAÇÕES: REFLEXÕES INTERSECCIONAIS SOBRE IDENTIDADES E DIREITOS

Autores

  • Thaís Lopes Santana Isaías Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais https://orcid.org/0000-0002-6436-6680
  • Gabriella Sabatini Dutra Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.9771/rf.v10i2%20e%203.42827

Resumo

O texto aborda experiências de mulheres com deficiências e de moradoras de ocupações urbanas, a partir de perspectiva interseccional, buscando estabelecer debates em torno da relação entre identidades e Direitos. Discursos e práticas capacitistas, racistas, patriarcais e classistas, reproduzidos pelo Direito, fazem-se como mecanismos históricos de subalternização de variadas mulheres. Ao mesmo tempo, essas mulheres unem-se em processos de resistência, sendo importante refletir criticamente sobre o papel do estabelecimento de identidades, que podem operar tanto como categorias excludentes, quanto como elementos de formação de comunidades múltiplas potentes.  Conclui-se que, em meio a ambiguidades, mulheres diversas unem-se enquanto estratégia de sobrevivência, tensionando e produzindo sentidos do Direito.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Thaís Lopes Santana Isaías, Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais

Doutoranda na Faculdade de Direito da UFMG, com doutorado sanduíche na University of the Free State, Bloemfontein/África do Sul. Mestre em Direito pela UFMG. Desenvolve trabalhos de ensino, pesquisa e extensão dedicados à feminismos, cidade e territórios, interdisciplinaridades, metodologias de pesquisa, direitos humanos. Membro dos grupo de pesquisa "Espaço, Tempo e Sentidos de Constituição" da Faculdade de Direito/UFMG e "Conexões de Saberes" do Curso de Psicologia da Fafich/UFMG.  É advogada popular e consultora jurídica em direito urbanístico. Endereço profissional na Avenida João Pinheiro, nº 100, Centro, Belo Horizonte. Telefone: (31)3409-8604. E-mail: santanalopesthais@gmail.com.

Gabriella Sabatini Dutra, Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais

Mestre em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Membro do grupo de pesquisa vinculado ao Comitê de Acessibilidade e Deficiência da Associação Brasileira de Antropologia, coordenado pela antropóloga Adriana Dias. Dedica-se à Sociologia e Filosofia do Direito, com ênfase nos estudos sobre feminismos, gênero e deficiência. Endereço profissional na Avenida João Pinheiro, nº 100, Centro, Belo Horizonte. Telefone: (31)3409-8604. E-mail: gabriellasabatini33@gmail.com.

Referências

ANZALDÚA, Gloria Evangelina. Bordelands/ La frontera: the new mestiza. San Francisco: Spinters/Aunt Lute Books, 1987.

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Tradução de Myriam Ávila et alii, Belo Horizonte. Ed. UFMG, 1998.

BOWMAN, Cynthia Grant; SCHNEIDER, Elisabeth. Feminist Legal Theory, Feminist Lawmaking, and the Legal Profession, 67 Fordham L. Rev. 249, 1998.

BUTLER, Judith. Quadros de Guerra: quando a vida é passível de luto? Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

________ . A vida psíquica do poder: Teorias da sujeição. Belo Horizonte: Autêntica Editora. 2017a, p. 09-39.

________ . Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar – 13ª edição - Rio de Janeiro: Civilização Brasil, 2017b, p. 17-70.

________ . Corpos em Aliança e as Políticas das Ruas. Tradução Fernanda Siqueira Miguens – 1ª edição - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

CAMPBELL, F. K. Inciting Legal Fictions: Disability’s Date with Ontology and the Ableist Body of the Law. Griffih Law Review, n. 10, 2001, p. 42-62.

CANGUILHEN, Georges. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Universidade Forense, 1978.

CARNEIRO, Sueli. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero. In: ASHOKA EMPREENDIMENTOS SOCIAIS;TAKANO CIDADANIA (Org.). Racismos contemporâneos. Rio de Janeiro: Takano Editora, 2003.

COSTA, Claudia de Lima. O sujeito no feminismo: revisitando os debates. Cadernos pagu (19) 2002. P.59-90.

COSTA, Malena. El Pensamiento Jurídico feminista en América Latina. Escenarios, contenidos y dilemas. Gênero e Direito, Centro de Ciências Jurídicas - Universidade Federal da Paraíba, Nº 02 - 2º Semestre de 2014.

CRENSHAW, Kimberlé. Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A Black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory and Antiracist Politics, University of Chicago Legal Forum: Vol. 1989, Article 8.

CURIEL, Ochy. Identidades esencialistas o Construcción de identidades políticas: El dilema de las feministas afrodescendientes. Revista Electrónica Construyendo Nuestra

Interculturalidad, Año 5, Nº5, vol. 4: 1-16. 2009.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Tradução Heci Regina Candiani – 1.ed. São Paulo: Boitempo, 2016.

DIAS, Adriana. Pensar a deficiência, algumas notas, e se permitem um convite. In: MEINERZ, Nádia (org.). Desigualdades e Políticas da Ciência. Maceió: UFAL, 2019, p. 01-32, no prelo.

DIAZ, Adriana. Discapacidad y mirada colonial: reflexiones desde perspectivas feministas y decoloniales. In: ANGELINO; DELL’ANO (ed.). Debates y perspectivas em torno a la discapacidad em América Latina. Paraná: Faculdad de Trabajo Social, 2012, 2012, p. 27-60.

DINIZ, Débora. O que é deficiência? São Paulo: Brasiliense, 2007.

FERREIRA, Regina Fátima C. F. Plataforma Feminista da Reforma Urbana: do que estamos falando? Rio de Janeiro: FASE, 2009.

LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem. São Paulo: Círculo do Livro, 1980.

MASSEY, Doreen. Um sentido global de lugar. In: ARANTES, Antonio (Org.). O espaço da diferença. São Paulo: Papirus, 2000.

________ . Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Tradução Hilda Pareto Maciel, Rogério Haesbaert – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

MELLO, Anahi Guesdes. Gênero, Deficiência, Cuidado e Capacitismo: uma análise antropológica de experiências, narrativas e observações sobre a violência contra a mulher com deficiência. Dissertação (Mestrado em Antropologia – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianólis, 2014.

MICHEL FOUCAULT, Michel. Os Anormais. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

MONTEIRO, Geraldo Tadeu Moreira. Construção jurídica das relações de gênero: o processo de codificação civil na instauração da ordem liberal

conservadora no Brasil. Rio de Janeiro: Renovar, 2003.

OLSEN, Frances. El sexo del derecho. The Politics of Law (Nueva York, Pantheon), David Kairys (ed.), Traducción de Mariela Santoro y Christian Courtis. Pp. 452-467, 1990.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). La mujer y el derecho a una vivienda adequada. Folleto informativo 21 (Rev 1). 2012.

REPOLÊS, Maria Fernanda Salcedo; NETTO, Menelick Carvalho. Conferências. III Congresso de Direito Constitucional e Filosofia Política. Curitiba, UFPR e UFMG, 26/10/2017.

RICHARD, Nelly. La condición centro-marginal post-moderna. Travessia: Revista de Literatura (29/30), 1997.

SAFFIOTI, Heleieth Iara Bonglovant. Gênero, patriarcado, violência. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2004. – (Coleção Brasil Urgente)

SCOTT, Joan Wallach. A invisibilidade da experiência. Tradução Lúcia Haddad. Revisão técnica Marina Maluf. Proj. História, São Paulo, (16), fev 1998.

SERRA, Maria Laura. Feminismo y Discapacidad. Derechos y Liberdades, n. 31, jun 2014, p. 251-272.

SPIVAK, Gaiatry Chakravorty. Pode o subalterno falar? Tradução de Sandra R. Goulart Almeida; Marcos Feitosa; André Feitosa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

Downloads

Publicado

2022-10-17

Como Citar

ISAÍAS, T. L. S.; DUTRA, G. S. MULHERES COM DEFICIÊNCIAS E MULHERES DE OCUPAÇÕES: REFLEXÕES INTERSECCIONAIS SOBRE IDENTIDADES E DIREITOS. Revista Feminismos, [S. l.], v. 10, n. 2 e 3, 2022. DOI: 10.9771/rf.v10i2 e 3.42827. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/42827. Acesso em: 22 jul. 2024.

Edição

Seção

Dossiê: 40 Anos de NEIM