Gênero, amor, violência e saúde a partir do diálogo com mulheres usuárias de uma UBS

Autores

  • Isis Voronkoff Carnaúba de Castro Universidade Federal de Alagoas
  • Sthéfanny Regina Santos Rocha Gonzaga Universidade Federal de Alagoas
  • Telma Low Silva Junqueira Universidade Federal de Alagoas

Resumo

Este artigo é resultado de uma pesquisa sobre gênero e Violência Contra as Mulheres (VCM) desenvolvida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Maceió/AL. Realizamos entrevistas com 02 mulheres usuárias com o objetivo de compreender os sentidos produzidos por elas acerca da interface entre gênero-amor-VCM-saúde. Adotamos o mito do amor romântico como um conceito chave de análise com base nos referenciais teórico-metodológicos das Práticas Discursivas e Produção de Sentidos em interface com a perspectiva feminista de gênero. O amor emergiu como fator relevante na forma como as usuárias compreendem as relações de gênero e, ao mesmo tempo, parece ser questionado, transgredido e negociado em seus cotidianos. Apostamos na inserção destes temas no campo da saúde como uma estratégia importante nas ações de prevenção e enfrentamento à VCM.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Isis Voronkoff Carnaúba de Castro, Universidade Federal de Alagoas

Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Participou de pesquisas científicas na área da Psicologia Social, com base na perspectiva feminista de gênero e foco em VCM e saúde.

Sthéfanny Regina Santos Rocha Gonzaga, Universidade Federal de Alagoas

Graduanda em Psicologia na Universidade federal de Alagoas (UFAL). Ao longo da graduação, tem participado de pesquisas científicas voltadas para as interfaces em gênero, saúde, VCM e formação em saúde.

Telma Low Silva Junqueira, Universidade Federal de Alagoas

Docente do Instituto de Psicologia da Universidade Federal de Alagoas (IP/UFAL). Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Doutora em Estudos de Gênero pelo Institut Universitari d'Estudis de les Done da Universidad de Valencia (UV).

Referências

AZAMBUJA, Mariana Porto Ruwer; NOGUEIRA, Conceição. Introdução à violência contra as mulheres como um problema de direitos humanos e de saúde pública. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 17, n. 3, p. 101-112, 2008.

BRASIL. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.

BRASIL. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

BRASIL. Secretaria de Políticas para as Mulheres. Política Nacional de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres. Brasília, 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: saúde das mulheres. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016.

CECCIM, Ricardo Burg; FEUERWERKER, Laura C. M. O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde: Ensino, Gestão, Atenção e Controle Social. PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, n. 1, p. 41- 65, 2004.

CERQUEIRA, Daniel (Coord.) et al. Atlas da Violência 2018. Rio de Janeiro: IPEA, FBSP, 2018. [online]. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=33410&Itemid=432>. Acesso em: 25 jul. 2019.

CERQUEIRA, Daniel (Coord.) et al. Atlas da Violência 2019. Brasília: Rio de Janeiro: São Paulo: IPEA, FBSP, 2019. [online] Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34784&Itemid=432>. Acesso em: 24 jul. 2019.

CHAUMIER, Serge. El nuevo arte de amar. Madrid: Alianza Editorial, 2006.

CORIA, Clara. El amor no es como nos contaran… ni como lo inventamos. Buenos Aires: Paidós, 2005.

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos a gênero. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 171-188, 2002.

FREZZA, Rose Mary; SPINK, Mary Jane. Práticas discursivas e produção de sentidos. In: SPINK, Mary Jane (Org.). Práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano: aproximações teóricas e metodológicas. São Paulo: Editora Cortez, 2013, p. 01-22. [online]. Disponível em: <http://bvce.org.br/LivrosBrasileirosDetalhes.asp?IdRegistro=261>. Acesso em: 05 mai. 2019.

COEDUCACIÓN Y MITOS DEL AMOR ROMÁNTICO. Madrid: Fundación Mujeres, n. 93, 2011, 16 p. [online] Disponível em: <http://www.fundacionmujeres.es/files/attachments/Documento/46001/image/_BOLETIN%20FM%2093.pdf>. Acesso em: 28 jul. 2019.

GALARZA, Mari Luz Esteban; DOMÉNECH, Rosa Medina; RIVERO, Ana Távora. ¿Por qué analizar el amor? Nuevas posibilidades para el estudio de las desigualdades de género. In: CONGRESO DE ANTROPOLOGÍA, 10., 2019, Sevilla. Anais [...]. Sevilla: Fundación El Monte, 2005. p. 207-224. [online] Disponível em: <http://hdl.handle.net/10481/22464>. Acesso em: 05 mai. 2019.

GÊNERO E NÚMERO. Mapa da violência de gênero. 2019. [online]. Disponível em: <https://mapadaviolenciadegenero.com.br>. Acesso em: 04 ago. 2019.

GIDDENS, Anthony. A transformação da intimidade. São Paulo: Unesp, 1993.

GOMES, Camilla de Magalhães. Gênero como categoria de análise decolonial. Civitas, Porto Alegre, v. 18, n. 1, p. 65-82, jan./abr. 2018.

LOW, Telma Silva Junqueira. Hacia la superación de las desigualdades de género entre las y los adolescentes: proceso de toma de conciencia. 2013. Tese (Doutorado em Estudos de Gênero) – Universitat de València, Valência, 2012.

MEDRADO, Benedito; SPINK, Mary Jane. Produção de sentido no cotidiano. In: SPINK, Mary Jane (Org.). Práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano: aproximações teóricas e metodológicas. São Paulo: Editora Cortez, 2013, p. 22-41. [online]. Disponível em: <http://bvce.org.br/LivrosBrasileirosDetalhes.asp?IdRegistro=261>. Acesso em: 05 mai. 2019.

GONÇALVES, Eliane; MELLO, Luiz. Diferenças e interseccionalidade: notas para pensar práticas em saúde. Revista Cronos, Rio Grande do Norte, v. 11, n. 2, p. 163-173, nov. 2012.

MENEGON, Vera Mincoff; SPINK, Mary Jane. A pesquisa como prática discursiva. In: SPINK, Mary Jane (Org.). Práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano: aproximações teóricas e metodológicas. São Paulo: Editora Cortez, 2013, p. 42-70. [online]. Disponível em: <http://bvce.org.br/LivrosBrasileirosDetalhes.asp?IdRegistro=261>. Acesso em: 05 mai. 2019.

NEVES, Ana Sofia Antunes das. As mulheres e os discursos genderizados sobre o amor: a caminho do “amor confluente” ou o retorno ao mito do “amor romântico”?. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 15, n. 3, p. 609-627, set./dez. 2007.

PACHECO, Ana Cláudia Lemos. Mulher negra: afetividade e solidão. Salvador: ÉDUFBA, 2013. 382 p.

PEDROSA, Claudia Maria; SPINK, Mary Jane. A violência contra mulher no cotidiano dos serviços de saúde: desafios para a formação médica. Saúde e Sociedade, São Paulo, v.20, n. 1, p. 124-135, 2011.

PINHEIRO, Odette de Godoy. Entrevista: uma prática discursiva. In: SPINK, Mary Jane (Org.). Práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano: aproximações teóricas e metodológicas. São Paulo: Editora Cortez, 2013, p. 156-187. [online]. Disponível em: <http://bvce.org.br/LivrosBrasileirosDetalhes.asp?IdRegistro=261>. Acesso em: 05 mai. 2019.

PRIORE, Mary Del. História do amor no Brasil. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2015.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul/dez, 1995.

Downloads

Publicado

2020-12-31

Como Citar

CARNAÚBA DE CASTRO, I. V.; SANTOS ROCHA GONZAGA, S. R.; SILVA JUNQUEIRA, T. L. Gênero, amor, violência e saúde a partir do diálogo com mulheres usuárias de uma UBS. Revista Feminismos, [S. l.], v. 8, n. 2, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/feminismos/article/view/35115. Acesso em: 19 jul. 2024.

Edição

Seção

Dossiê Justiça Reprodutiva