Revista Nós
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<p>Tendo iniciado suas atividades em 2022, a Revista Nós é o periódico do Seminário de Introdução à Teoria Psicanalítica (SIPSI) e se dirige a profissionais e a estudantes de psicanálise. A revista tem como objetivo publicar ensaios sobre temas relacionados à teoria e prática psicanalítica com os requisitos de serem inéditos e originais no Brasil, elaborados em conformidade ao direito do autor e não submetidos ao mesmo tempo a avaliações em outras revistas nacionais.<br />Área do conhecimento: Ciências Humanas<br />Periodicidade: anual</p>Universidade Federal da Bahiapt-BRRevista Nós2965-985X<p data-start="224" data-end="668"><strong data-start="224" data-end="317">Este periódico adota a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0).</strong><br data-start="317" data-end="320" />Isso significa que os autores mantêm os direitos autorais e concedem ao periódico o direito de primeira publicação, ao mesmo tempo em que permitem que qualquer pessoa compartilhe, distribua, copie e adapte o material publicado, para qualquer finalidade, inclusive comercial, desde que seja dado o devido crédito aos autores e à publicação original.</p> <p data-start="670" data-end="746">Licença completa disponível em: <a class="decorated-link" href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" target="_new" rel="noopener" data-start="702" data-end="746">https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/</a></p>Como se dá (a) formação do analista?
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<p>Este trabalho discute a formação do analista a partir de uma perspectiva ética, processual e não institucional, com base nos aportes de Freud, Lacan, Ferenczi e Winnicott. Parte-se da análise pessoal como eixo central, ressaltando que a formação não se reduz a um saber acumulado, mas se dá na relação com o desejo, o não-saber e os efeitos do inconsciente. A supervisão é compreendida como continuação da análise por outros meios, espaço de escuta e leitura do que retorna na transferência. O estudo teórico é valorizado, mas entendido como atravessado pela prática e pela singularidade do analista em formação. A formação, nesse sentido, não se encerra, não se garante, e tampouco é formalizável. É um processo ético, sustentado no laço e na posição subjetiva de cada analista. Sustenta-se, assim, que a formação psicanalítica é, sobretudo, um trabalho para a vida inteira.</p>Matheus Miranda
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2025-11-282025-11-2840411312210.9771/rn.4.04.68476O Diabo está nos detalhes, ou talvez, em seu ventre.
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<p><em data-start="156" data-end="176">O Bebê de Rosemary</em> (1968) explora como a gestação da protagonista se transforma em alegoria do mal-estar moderno e do colapso simbólico que atravessa a subjetividade na era da secularização. A partir de conceitos como abjeção (Julia Kristeva), incômodo (<em data-start="429" data-end="441">unheimlich</em>, em Sigmund Freud) e Nome-do-Pai (Jacques Lacan), o ensaio investiga como o corpo grávido passa a encarnar o abjeto, como aquilo que, expulso pela cultura, retorna como ameaça. A gravidez, orquestrada por um culto satânico com a anuência do próprio marido, figura o sequestro do corpo feminino por uma instância patriarcal e demoníaca, ecoando, de forma perversa, o relato bíblico da Anunciação.</p>Jayder Roger
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2025-11-282025-11-28404748410.9771/rn.4.04.68573Analistas Reborn
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<p><span style="font-weight: 400;">Este ensaio discute o fenômeno contemporâneo dos bebês reborn e o crescente interesse por terapias mediadas por inteligência artificial, relacionando-os ao pensamento freudiano sobre vínculos humanos e o mal-estar na cultura. Analisa-se como tais fenômenos refletem o desejo de relações unilaterais, sem enfrentamento dos conflitos inerentes aos vínculos reais, tal como apontado por Freud (1930). Debate-se o risco de substituir a experiência analítica genuína por interações artificiais que, embora confortáveis, eliminam a transferência, essencial para a psicanálise. O texto evidencia que, embora tecnologias avancem, a essência da análise permanece ligada à presença de outro humano com inconsciente próprio. Conclui-se que, tanto no caso dos bebês reborn quanto no uso de inteligências artificiais, há uma tentativa ilusória de suprimir a falta e o desconforto, elementos inevitáveis, mas necessários à constituição subjetiva.</span></p> <p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>Anna Tourinho
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2025-11-282025-11-28404859410.9771/rn.4.04.68360Transferência, Curiosidade e Desejo:
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<p><span style="font-weight: 400;">Ensinar não é transferência de conhecimento: ensinar é transferência. Nessa frase, define-se o objetivo do texto que se segue: fazer uma leitura de como os afetos surgem em sala de aula e como eles podem ser manejados, observando, assim, sua centralidade na dinâmica de ensino-aprendizagem. A partir do aporte teórico tanto da psicanálise quanto da pedagogia crítica, observamos que o conhecimento não é um objeto de troca como propõe a educação liberal; mas, antes, é algo que se torna verdadeiramente possível somente quando construído dialeticamente, a partir do fenômeno da transferência. Tomando a liberdade de modificar uma famosa máxima freiriana, pode-se dizer que os homens educam uns aos outros, mediatizados pela transferência. Devemos, portanto, atentar para o que está por trás dessa primeira sentença, “ensinar é transferência”; e como Isso influencia as trocas entre educando, educador e as coisas e instituições que os interpelam.</span></p>Raul Lima Dos Santos
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2025-11-282025-11-284049511110.9771/rn.4.04.68284Sobre Iniciar na Clínica:
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<p><span style="font-weight: 400;">Tendo como norte a questão “</span><em><span style="font-weight: 400;">Como se constitui a escuta no início da prática clínica e quais os efeitos do não saber sobre o analista em formação?”,</span></em><span style="font-weight: 400;"> este ensaio apresenta um recorte clínico construído a partir da escuta de uma paciente, no contexto do estágio obrigatório na clínica-escola de Psicologia da Universidade Federal da Bahia. A escolha do caso se dá a partir do que me convoca enquanto profissional em formação, tensionando o ofício da escuta psicanalítica e os impasses que emergem no início da prática. Reflito sobre o entrelaçamento entre escutar o outro e escutar-se, tomando como fio condutor o sentimento de fracasso, o desejo de autonomia e a relação com o não saber. Discuto o papel da escuta na clínica, suas bordas e vacilações, reconhecendo os efeitos de transferência e contratransferência como matéria fundamental da análise. Em contraposição à lógica universitária regida por protocolos e ideais de domínio, totalidade e certeza absoluta, sustento uma clínica que exige parar, escutar e sustentar aquilo que escapa — uma clínica que se aproxima da ordem do impossível.</span></p>Raquel Ribeiro
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2025-11-282025-11-28404213410.9771/rn.4.04.68828Escutar a criança
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<p><span style="font-weight: 400;">O presente trabalho aborda particularidades das entrevistas iniciais no contexto do atendimento com crianças. A partir do relato de um caso clínico, discutem-se as possibilidades de direção do tratamento considerando o intervalo que se impõe entre a queixa dos pais e o discurso da criança. Para tanto, reflete-se sobre o papel dos cuidadores no sintoma por eles apresentado e no modo como a criança responde e se situa diante do desejo do Outro. Por outro lado, levantam-se questões a respeito do fazer do praticante no contexto inicial do tratamento, bem como sobre considerá-lo a partir das especificidades do atendimento a crianças.</span></p>Davi Francisco Da Silva Barreto
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2025-11-282025-11-28404355010.9771/rn.4.04.68321Che Vuoi? Do corpo ao gozo do desejo do Outro
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<p>O presente artigo propõe a análise de um caso clínico à luz do conceito de <em>Che vuoi?</em>, formulado por Jacques Lacan, o qual diz respeito à interpelação do desejo do Outro. Observa-se que o sujeito, embora desconheça as razões de determinadas condutas, tende a repeti-las em suas relações com o Outro e em seu discurso. O caso em questão aborda a dinâmica relacional entre a paciente e suas filhas, às quais atribui uma posição de sujeito faltante. A paciente encontra satisfação (<em>gozo</em>) na tentativa de capturar o desejo do Outro, como forma de responder à sua própria constituição marcada pela falta. As manifestações de sua angústia inscrevem-se no corpo sob a forma de fibromialgia, bem como em uma relação devastadora com o cônjuge, configurando uma tentativa de dar vazão ao questionamento latente em suas queixas sobre a condição feminina e o que significa ser mulher.</p>Ananda Encarnação
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2025-11-282025-11-28404516110.9771/rn.4.04.69543Não me Lembre
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<p>O presente trabalho investiga o ato falho como manifestação do sujeito do inconsciente, a partir da análise de um caso clínico em que a frase "não me lembre" emerge no lugar de "não me lembro". Ancorando-se nas contribuições de Freud e Lacan, o texto propõe que tal equívoco revela uma divisão subjetiva e um apelo ao Outro, evidenciando a demanda de não recordar um conteúdo potencialmente traumático. Sem concluir sobre a veracidade de um possível abuso infantil, o artigo enfatiza o valor interpretativo do ato falho enquanto fissura que permite o surgimento do sujeito. A análise, embora interrompida, ilustra como a linguagem, por meio de seus tropeços, pode oferecer acesso privilegiado à estrutura do inconsciente e ao sujeito dividido que escapa à imagem unificada do eu.</p>Ricardo Gusmão Machado
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2025-11-282025-11-28404627210.9771/rn.4.04.69097Mosaico identificatório: Uma proposta de Identidade do Sujeito Psicanalítico
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<p>Este ensaio propõe uma reflexão teórico-crítica sobre as transformações na noção de identidade, articulando seu percurso filosófico com os deslocamentos produzidos pela psicanálise, especialmente nas obras de Freud e Lacan. A partir do rompimento freudiano com o sujeito cartesiano e da noção lacaniana de identificação como efeito do significante, argumenta-se que a identidade não pode mais ser pensada como unidade ou essência. Em seu lugar, propõe-se o conceito de “mosaico identificatório”: uma forma de identidade composta por múltiplas identificações, construída na intersecção entre o sujeito dividido e o laço social. Assim, o mosaico identificatório emerge como uma alternativa conceitual capaz de integrar a opacidade do inconsciente com a dimensão relacional do sujeito</p>Jamile Cesar
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2025-11-282025-11-2840471910.9771/rn.4.04.68989Editorial
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<p>Editorial da Revista Nós Nº4.</p>Ricardo Gusmão Machado
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2025-11-282025-11-284044510.9771/rn.4.04.71229