Laje https://periodicos.ufba.br/index.php/laje <p>Laje é uma publicação semestral do grupo de pesquisa ¡DALE! – Decolonizar a América Latina e seus Espaços, cuja coordenação está lotada na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia. Dedica-se ao giro decolonial latino-americano, às epistemologias do sul e à descolonização do conhecimento, priorizando uma produção transdisciplinar em interseção (de maneira nenhuma exclusiva) com o campo da arquitetura. Área do conhecimento: Ciências Sociais Aplicadas. Periodicidade: Semestral</p> UFBA pt-BR Laje 2965-4904 Edição completa — Dossiê Mobilidades do/no Sul https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70748 Revista Laje Copyright (c) 2025 Laje 2025-11-18 2025-11-18 4 1 Editorial — Mobilidades do/no Sul https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70749 Camila dos Santos Moraes Maria Alice de Faria Nogueira Copyright (c) 2025 Camila dos Santos Moraes, Maria Alice de Faria Nogueira 2025-11-18 2025-11-18 4 1 6 19 10.9771/lj.v4i0.70749 Infraestruturas e espaço urbano: a importância da perspectiva histórica do movimento https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70751 Dhan Zunino-Singh Maria Alice de Faria Nogueira Camila dos Santos Moraes Copyright (c) 2025 Dhan Zunino-Singh, Maria Alice de Faria Nogueira , Camila dos Santos Moraes 2025-11-18 2025-11-18 4 1 20 33 10.9771/lj.v4i0.70751 Do cotidiano à política pública: mobilidades, gênero e cidade https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70752 Paola Jirón Camila dos Santos Moraes Maria Alice de Faria Nogueira Copyright (c) 2025 Paola Jirón, Camila dos Santos Moraes , Maria Alice de Faria Nogueira 2025-11-18 2025-11-18 4 1 34 45 10.9771/lj.v4i0.70752 Transformando-me na “sombra” https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70753 <p>Este artigo propõe uma metodologia híbrida e interdisciplinar para entender a experiência da mobilidade na cidade de Santiago do Chile, a partir de um ponto de vista fenomenológico. Essa metodologia corresponde ao “acompanhamento” das práticas de mobilidade, que consiste em acompanhar os viajantes em seus deslocamentos e ocupações cotidianas durante um período de tempo. Dessa forma, procura-se captar as formas pelas quais a mobilidade é experimentada pelos habitantes das cidades hoje em dia. Na primeira seção, é apresentada uma descrição das diversas formas como os métodos móveis evoluíram; em seguida, explica-se a abordagem etnográfica de acompanhamento adotado para esta pesquisa, e se conclui com uma descrição e análise de um estudo de caso.</p> Paola Jirón Copyright (c) 2025 Paola Jirón 2025-11-18 2025-11-18 4 1 46 71 10.9771/lj.v4i0.70753 O subúrbio que o Rio de Janeiro inventou https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70755 <p>Na cidade do Rio de Janeiro, a categoria subúrbio carrega um sentido particular, acumulando conotações estéticas, morais e afetivas. O objetivo deste texto é analisar as <em>mobilidades imaginativas</em> que envolvem os subúrbios cariocas. Inspirados pela grade analítica do giro móvel da teoria social, tomamos como <em>corpus</em> empírico obras audiovisuais que fizeram e fazem circular sentidos polissêmicos em torno da categoria.&nbsp; <em>A falecida</em> (1965), <em>A Grande Família</em> (1972-1975 e 2001-2014) e <em>Suburbia</em> (2012) refletem possibilidades que orbitam o repertório imaginativo sobre os subúrbios e seus viventes, amplificando sua dimensão alegórica e revelando nuances exploradas por seus significados. Longe de refletir uma análise sistemática dessa produção, buscamos sublinhar a relevância do tema e levantar questões para uma agenda de pesquisa sensível às mobilidades imaginativas que definem o cardápio de representações sobre as cidades brasileiras, latino-americanas e do chamado Sul Global.</p> Frank Andrew Davies Bianca Freire-Medeiros Copyright (c) 2025 Frank Andrew Davies, Bianca Freire-Medeiros 2025-11-18 2025-11-18 4 1 72 101 10.9771/lj.v4i0.70755 Performance e mobilização coletiva https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70757 <p>Este artigo reflete acerca da performance “Chorar os Filhos” de Nina Caetano, apresentada no Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte em 2018, e sua vídeo-palestra-performance subsequente, “Queremos que o Estado pare de matar menino”, de 2022. Utilizando os conceitos de Judith Butler e Jacques Rancière, e depoimentos do site “Quando o luto é luta” de Rafaela Lima (2023), o texto tem como pano de fundo os tensionamentos de uma mobilidade vivida como uma promessa frustrada ou uma impossibilidade. Na medida em que a mobilidade está sempre em relação com imobilidades (SHELLER; URRY, 2008), que a sustentam ou a desafiam, a interrupção do fluxo urbano pela performance pode ser lida como uma forma de imobilidade estratégica, que força os sujeitos a parar, refletir e confrontar a violência de Estado. Ao abordar como a performance se constitui em um espaço de resistência e renovação na coletividade das mães, buscamos refletir sobre novas formas de habitar e marcar espaços de resistência.</p> Talita Vasconcelos Brandão Camila Maciel Campolina Alves Mantovani Copyright (c) 2025 Talita Vasconcelos Brandão, Camila Maciel Campolina Alves Mantovani 2025-11-18 2025-11-18 4 1 102 123 10.9771/lj.v4i0.70757 Weaponização da narrativa sobre migrantes no Sul Global https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70758 <p>Nas últimas décadas, as migrações forçadas ganharam relevância internacional, sendo frequentemente manipuladas como ferramenta política por governos de diferentes regimes. A weaponização dos migrantes refere-se à instrumentalização dos fluxos migratórios para alcançar objetivos coercitivos, políticos ou econômicos, em vez de tratar esses indivíduos como sujeitos em situação de vulnerabilidade. Este artigo explora como essa weaponização ocorre nas narrativas sobre deslocamentos, criando um contexto de crise e medo que estigmatiza os migrantes e os apresenta como ameaças à estabilidade social. No contexto do Sul Global, essa manipulação narrativa aprofunda as tensões políticas e sociais, impactando negativamente tanto os migrantes quanto as sociedades de acolhimento. Este estudo amplia o conceito de weaponização para incluir práticas e discursos que reforçam estereótipos e preconceitos, desviando o foco das causas estruturais das migrações e dificultando a construção de políticas migratórias mais inclusivas.</p> Suzana Duarte Santos Mallard Copyright (c) 2025 Suzana Duarte Santos Mallard 2025-11-18 2025-11-18 4 1 124 143 10.9771/lj.v4i0.70758 Das viagens contraculturais às viagens colaborativas https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70759 <p>Traçamos neste artigo um paralelo entre a formação e articulação de redes de mulheres brasileiras que promovem viagens colaborativas com o estilo de viagem contracultural, que teve seu auge nas décadas de 1950 e 1960. Investigamos as formas de ativismo político em torno das mobilidades turísticas construídas nessas redes. Optamos pela realização de uma etnografia, com entrevistas em profundidade, observação participante e análise de plataformas digitais. Os dados empíricos são analisados à luz das teorias sobre os movimentos colaborativos e culturais e sobre o feminismo interseccional. Os resultados demonstram que as viagens colaborativas entre mulheres da atualidade se aproximam aos ideais contraculturais de liberdade, porém com contornos mais profundos quanto à interseccionalidade do feminismo e com o uso intenso de tecnologias digitais.</p> Thaís Costa da Silva Vinícius Andrade Pereira Copyright (c) 2025 Thaís Costa da Silva, Vinícius Andrade Pereira 2025-11-18 2025-11-18 4 1 144 163 10.9771/lj.v4i0.70759 Furtaram o meu Fusca. E agora? https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70760 <p>O artigo visa compreender como operam os regimes normativos e de mobilidades presentes nas, e para além das, periferias paulistas. Argumento que as ordens plurais normativas não atravessam apenas o cotidiano nas margens, mas a transbordam e atravessam também as vidas diárias de diferentes parcelas da sociedade brasileira, de formas diferenciais. Com um viés autoetnográfico, o texto parte da experiência do furto de meu Fusca na cidade de Santos/SP, de minha posição dupla como “vítima” e pesquisadora desse tema, e das respostas dadas pelos diferentes atores que compõem um mosaico social múltiplo, sejam eles ligados ao “mundo do crime”, estatal, midiático ou de redes pessoais. O artigo busca dialogar não apenas com os campos dos estudos urbanos e do crime, mas também incorporando as contribuições do “giro móvel”. Assim, as noções de regimes normativos e de mobilidades nos auxiliam a compreender como as pessoas conseguem (ou não) se mover entre as instâncias normativas acionando seus capitais sociais e de redes. Por fim, o artigo também traz contribuições sobre o cenário de roubo e furto de veículos no Brasil, que é pouco explorado na literatura, apesar de estar conectado a um mercado legal e ilegal mais amplo.</p> Isabela Vianna Pinho Copyright (c) 2025 Isabela Vianna 2025-11-18 2025-11-18 4 1 164 197 10.9771/lj.v4i0.70760 Justiça e micromobilidade https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70761 <p>Rio de Janeiro e São Paulo estão entre as maiores megacidades do Sul Global. Cidades latinoamericanas vêm ativamente integrando serviços micromobilidade como parte dos hábitos de mobilidade urbana da população. Contudo, essa integração não considerou outras mudanças de mobilidade sustentáveis, como acesso a ciclovias, smartphones apropriados, e internet móvel. Boa parte da literatura em transporte compartilhado no Sul Global não analisa como eles são integrados com modos sustentáveis e “justos” de se mover pela cidade. É comum que tecnologias emergentes são apropriadas dentro de padrões pré-existentes de injustiça de mobilidade, perpetuando desigualdades já presentes. Este artigo analisa o caminho das patinetes elétricas no Rio de Janeiro, e sua integração com smartphones. Nossas descobertas ajudam a contextualizar a micromobilidade nas megacidades do mundo em desenvolvimento.</p> Adriana de Souza e Silva Mar Scardua Copyright (c) 2025 Adriana de Souza e Silva, Mar Scardua 2025-11-18 2025-11-18 4 1 198 229 10.9771/lj.v4i0.70761 Desafios da mobilidade urbana em contexto de mudanças climáticas https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70763 <p>O Brasil tem demonstrado, através de tragédias ambientais recentes, a vulnerabilidade de suas infraestruturas de mobilidade urbana. Tendo como pano de fundo o contexto das mudanças climáticas e da exacerbação das crises de cunho ambiental no Brasil, este artigo examina, através de levantamento de reportagens, cinco tragédias ambientais ocorridas nos últimos 15 anos através dos impactos na infraestrutura de mobilidade dos lugares afetados. Os desdobramentos destes eventos denotam a fragilidade das infraestruturas existentes, implicando em perdas sociais e materiais que se estendem por toda a sociedade brasileira. Baseando-se no aprofundamento e atualização do conceito de resiliência com foco nos estudos de mobilidade urbana, investiga-se o papel do capability e da adaptabilidade na promoção de infraestruturas mais bem adaptadas às mudanças climáticas. Demonstra-se o imperativo da incorporação da resiliência nos sistemas de mobilidade das cidades brasileiras como meio central de sobrevivência e reprodução da vida urbana no Brasil do futuro.</p> Filipe Ungaro Marino Copyright (c) 2025 Filipe Ungaro Marino 2025-11-18 2025-11-18 4 1 230 255 10.9771/lj.v4i0.70763 Olha o buraco! https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70764 <p>A partir do uso de metodologia de investigação documental, este estudo examina a complexa interação entre as influências políticas, a manutenção das estradas e a segurança no Quênia. O objetivo é compreender a detecção de buracos, o desenvolvimento de infraestruturas e o envolvimento da comunidade no reparo de estradas. Foi utilizada uma abordagem abrangente de coleta de dados utilizando palavras-chave como "detecção de buracos" e "influência política na reabilitação de estradas". Os resultados revelam que as agendas políticas e o favoritismo étnico afetam significativamente a definição de prioridades na reparação de estradas, negligenciando frequentemente as áreas com menos favorecidas em termos de conexões. O envolvimento da comunidade, embora crucial, é subutilizado, e os avanços tecnológicos oferecem soluções promissoras, mesmo que a corrupção e as políticas inconsistentes dificultem a manutenção efetiva. O estudo conclui que a melhoria da gestão das infraestruturas pode aumentar a produtividade econômica, a segurança pública e a qualidade de vida, mas requer estratégias mais amplas de atuação.</p> Gladys Nyachieo Copyright (c) 2025 Gladys Nyachieo 2025-11-18 2025-11-18 4 1 256 283 10.9771/lj.v4i0.70764 Breve panorama da produção científica sobre fluxos migratórios Brasil-Chile https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70765 <p>A migração regional vem conquistando cada vez mais espaço na comunidade científica brasileira. A tendência histórica de priorizar as análises sobre a imigração europeia, asiática e árabe ou a emigração de brasileiros, principalmente para os Estados Unidos e a Europa Ocidental, está sendo modificada com uma maior quantidade de produções que abordam as migrações Sul-Sul, refletindo o crescimento desses fluxos migratórios no mundo, na região e no Brasil. Nesse contexto, são analisadas, a partir de distintas perspectivas, a imigração de sul-americanos para o Brasil e a de brasileiros para os países vizinhos. Neste trabalho, pretendemos examinar a produção científica no Brasil sobre os fluxos migratórios entre o Brasil e o Chile; buscando levantar os temas, conceitos e as formas de análise mais trabalhadas.</p> Sidney Dupeyrat de Santana Copyright (c) 2025 Sidney Dupeyrat de Santana 2025-11-18 2025-11-18 4 1 284 301 10.9771/lj.v4i0.70765 Morenos e mercados, cholitas e sambódromos https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70766 <p>Em cerca de dez anos, as festas folclóricas bolivianas em São Paulo mudaram significativamente de patamar – objetiva e simbolicamente. Antes realizadas em espaços reduzidos e protagonizadas por um pequeno grupo de fraternidades, agora elas irrompem por avenidas, praças e grandes estruturas públicas e privadas da cidade, como o Sambódromo do Anhembi, demandando mais recursos econômicos e, em paralelo, atores capazes de mobilizar e organizar o movimento de outras pessoas, mercadorias, narrativas, imagens e instrumentos de ação política. Neste ensaio, que acompanha um conjunto de fotografias dessas festividades produzidas entre 2019 e 2024, argumento que essa expansão da festa boliviana na metrópole é reflexo da ascensão socioeconômica de muitos bolivianos dentro da dinâmica produtiva paulistana. Os contextos festivos funcionam, então, como reinvestimentos da mesma espécie feitos por quem ascendeu. Isso acontece porque, na Bolívia andina, a festa é um acontecimento social próprio, em que o sentido é mais de ritualizar o social do que “celebrar”.</p> Vinícius de Souza Mendes Copyright (c) 2025 Vinícius de Souza Mendes 2025-11-18 2025-11-18 4 1 305 335 10.9771/lj.v4i0.70766 Violência, cotidiano e sociabilidades https://periodicos.ufba.br/index.php/laje/article/view/70767 Alexandre Magalhães Copyright (c) 2025 Alexandre Magalhães 2025-11-18 2025-11-18 4 1 338 345 10.9771/lj.v4i0.70767