Chamada para Dossiê: INTERLOCUÇÕES SUL-SUL: INFÂNCIAS, INTERSECCIONALIDADE E PENSAMENTO DECOLONIAL

2020-08-14
 

Chamada para Dossiê 

INTERLOCUÇÕES SUL-SUL: INFÂNCIAS, INTERSECCIONALIDADE E PENSAMENTO DECOLONIAL

 

O pensamento decolonial parte de uma perspectiva teórica que promove a construção de um projeto de contraposição às tendências acadêmicas eurocentradas, buscando por meio de uma análise crítica questionar a geopolítica dos conhecimentos, que tem invisibilizado e silenciado outras formas de saberes, assim busca-se romper com o legado colonial que legitima apenas as epistemologias do norte. Tal narrativa esconde o lado mais sombrio e obscuro da colonialidade, que se reproduz através de mecanismos opressores de exploração e geradores de subjetividades tanto dominantes quanto subalternizadas. Nesse contexto, as infâncias passam a ser somente um momento de espera, uma expectativa para uma vida adulta concebida numa visão branca, heterossexual e capitalista. Mas, o que os povos tradicionais e os saberes decoloniais tem a dizer sobre as infâncias e as relações com as comunidades que as constroem?

 

Partindo de uma interlocução sul-sul, este dossiê propõe reunir trabalhos de pesquisadoras e pesquisadores, profissionais da educação e ativistas, que tomam a interseccionalidade na articulação das suas análises com base no referencial teórico decolonial para se pensar as infâncias. Como afirma Carla Akotirene (2019), a análise interseccional constitui-se como uma ação estratégica de um movimento revolucionário para não só alcançarmos relações mais justas, mas também cultivarmos relações igualitárias que respeitem as diferenças. Busca-se, assim, refletir como essa perspectiva que possibilita uma análise das complexidades impostas pelos sistemas de dominação colonial, capitalista, racista, machista, capacitista, gordofóbico e adultocêntrico vem sendo construída na América Latina e no Caribe.

 

Neste sentido, serão bem-vindos trabalhos que se dediquem a compreender como se estabelecem as formas pelas às quais as relações étnico-raciais, de gênero, classe, sexualidade e idades perpassam as vidas das crianças de 0 a 12 anos, questionando e desnaturalizando visões ainda eurocêntricas e abstratas que estão enraizadas na área de estudo e pesquisa. De modo, a conhecer as infâncias de maneira mais próxima das próprias crianças, que participam com os seus protagonismos dos processos de mudança social, objetivando reunir trabalhos de profissionais da educação, das ciências sociais, do psicologia social, do direito,  elegendo a estratégia metodológica da interseccionalidade na articulação das análises com base na colonialidade para pensar as infâncias.

1) A proposta de artigo deverá conter os seguintes itens:

1.1) Serão aceitos artigos resultantes de pesquisas científicas sobre o tema, ensaios reflexivos, textos militantes, relatos de experiências e diários de campo.

1.2) Título do trabalho em português e em segunda língua (inglês ou espanhol).

1.3) Nome(s), titulação quando pertinente, vínculo institucional e e-mail de contato de pelo menos um dos autores/autoras.

1.4) Resumo em português e segunda língua.

1.5) Cinco (5) palavras-chave em português e segunda língua.

1.6) Corpo do texto com no máximo quinze (15) páginas, exceto as referências, que não serão contabilizadas no número de páginas. 

1.7) As propostas de artigo deverão ser inéditas, portanto, não podem ter sido publicadas anteriormente

1.8) A política de retratação, preocupação, redundância, dentre outras seguirão as orientações do COPE disponíveis em https://publicationethics.org/files/retraction%20guidelines_0.pdf.

1.10) Os artigos devem ser desenvolvidos a partir dos seguintes eixos temáticos:

- Comunidades tradicionais, intersecção e infâncias;

- Epistemologias do Sul, infâncias e intersecção;

- Pensamento interseccional, infâncias e América Latina e Caribe;

- Protagonismo Infantil, decolonialidade, intersecção;

- Relações de afeto, infâncias e interseccionalidade;

- Território, decolonialidade e infâncias;

- Necropolítica, infâncias e América Latina e Caribe.

 

2) Sobre os critérios de avaliação

Serão considerados como critérios fundamentais da avaliação:

2.1) A originalidade e a atualidade;

2.2) Clareza e coerência da proposta em relação aos eixos temáticos do Dossiê;

2.3) A abrangência da temática proposta, de modo a permitir, inclusive, a diversidade regional e internacional dos artigos;

2.4) Adequação à política editorial da Revista Cadernos de Gênero e Diversidade;

 

3) Sobre o calendário e etapas de avaliação

3.1) As propostas deverão ser enviadas em formato .doc ou .docx à Revista Cadernos de Gênero e Diversidade até as 23h59min do dia  01 de março de 2021, através do portal da revista, sendo obrigatório preencher o formulário de cadastro no sistema, disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/cadgendiv/user/register

3.2) As propostas serão avaliadas por pareceristas indicadas/os pela Comissão Organizadora do Dossiê, composta por Flavio Santiago e Artur Oriel Pereira;

3.4) O resultado será divulgado até dia 30 de julho de 2021.

 

4) Sobre a política editorial relativa aos dossiês

4.1) Serão selecionados no máximo oito (8) artigos para este dossiê;

4.2) O dossiê, para ser publicado, deverá atingir no mínimo 3 artigos com pareceres favoráveis;

Comissão Organizadora do Dossiê Temático

 

Flávio Santiago

Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas

Professor da Secretaria Municipal de Educação, Prefeitura de Ribeirão Bonito, SP, Brasil.

 

Artur Oriel Pereira

Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas

Professor da Secretaria Municipal da Educação, Prefeitura de São Paulo, SP, Brasil.