Cartografia, toponímia e presença quilombola nos sertões do Cabo Verde, do Jacuí e do Rio Pardo (Minas Gerais e São Paulo, década de 1760)
Palavras-chave:
cartografia, quilombos, Campo Grande, geografia quilombolaResumo
o artigo estudou quatro exemplares cartográficos que representaram, na década de 1760, a região sudoeste da capitania de Minas Gerais, em especial os sertões da comarca do Rio das Mortes, a oeste do Rio Sapucaí e ao sul do Rio Grande. Nos anos de 1759 e 1760, essa área fora alvo de uma grande ofensiva militar de conquista, enviada pelo governo e pelas câmaras mineiras, que atacou e destruiu diversos quilombos ali situados. Nos anos seguintes, imediatos à conquista, fundaram-se naquele território as freguesias de Jacuí, de Cabo Verde e do Rio Pardo, com a fixação de igrejas matrizes, arraiais, capelas, estradas e bairros colonizadores. Considerando a cartografia constituída pelo “Mapa de todo o Campo Grande”, pela “Planta do novo descoberto de São João do Jacuhy”, pela “Carta Geográfica da Capitania de Minas Gerais e partes confinantes” e pelo “Mapa do Giro”, todos eles mapas a descrever a região recém conquistada, argumenta-se que certos núcleos quilombolas supostamente erradicados nas expedições de extermínio em 1759-60 sobreviveram como topônimos importantes na formação daquela nova área colonial, deixando marcas na cartografia e na geografia locais. Demonstra-se que povoações de origem quilombola exerceram influência no período colonizador, ao configurar geografia própria, que viria a se manifestar na disposição de arraiais, bairros rurais e estradas que resguardavam a posição geográfica, a toponímia, certos espaços característicos e, em alguns casos, remanescentes da própria população quilombola.
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